Jornal Estado de Minas

Concentração de gases do efeito estufa na atmosfera bate novo recorde

AFP

Foto tirada em setembro de 2013 mostra lago formado por gelo derretido perto da montanha Chopicalqui no Parque Nacional de Huascaran, na cidade de Huaraz, no Peru - Foto: REUTERS/Mariana Bazo/Files

GENEBRA - A concentração na atmosfera dos três principais gases de efeito estufa que provocam o aquecimento do planeta bateu um novo recorde em 2012, anunciou nesta quarta-feira em Genebra a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU.

As últimas análises mostram que as "frações molares (uma unidade química para medir a concentração) de dióxido de carbono (CO2), de metano (CH4) e de óxido de nitrogênio (N20) alcançaram novos máximos em 2012", destaca a OMM em um relatório.

Entre 1990 e 2012, "a forçante radiativa (a mudança na radiação do sistema climático) provocada pelos gases do efeito estufa e que provoca o aquecimento global aumentou 32%" por causa do CO2 e de outros gases que retêm calor, indicou a agência. No estudo anterior, publicado em 2011, o aumento era de 30%.

Segundo Michel Jarraud, secretário-geral da OMM, se o mundo continuar por este caminho "a temperatura média do planeta no fim do século pode superar em 4,6 graus a que era registrada antes da era industrial (1750), e em algumas regiões as consequências seriam catastróficas".

O dióxido de carbono é o principal responsável pelo aquecimento da Terra. Em 2012 a concentração na atmosfera aumentou 2,2 ppm (partes por milhão), contra a alta de 2,0 ppm de 2011.

O aumento médio nos últimos 10 anos foi de 2,02 ppm, o que significa que os números de 2012 demonstram "uma aceleração do processo", segundo a OMM.

O CO2 é produzido pela combustão de matérias fósseis e pelo desmatamento. O gás permanece na atmosfera durante centenas e até milhares de anos, recorda a agência.

"A maioria dos efeitos da mudança climática permanecerão durante séculos, mesmo que as emissões de CO2 parem de repente", completa a OMM.