PARIS - Cientistas anunciaram nesta quarta-feira a criação de glândulas salivares e lacrimais usando células-tronco de camundongos, marcando um avanço na busca pelo desenvolvimento de órgãos de reposição produzidos por bioengenharia.
Uma equipe chefiada por Takashi Tsuji, da Universidade de Ciência de Tóquio, criou as glândulas em laboratório para produzir células precursoras e transplantaram os órgãos primitivos nos camundongos.
As duas glândulas transplantadas se ligaram ao tecido adjacente, conectando-se a dutos e fibras nervosas, afirmaram. As glândulas lacrimais produziram lágrimas e a glândula salivar respondeu normalmente ao estímulo da comida, além de proteger os camundongos de infecções orais.
As glândulas funcionaram no longo prazo, o que nos ratos corresponde ao marco de 18 meses, acrescentaram os pesquisadores.
A falha em lubrificar a pálpebra, uma condição denominada xerose corneal, pode ser perigosa para a visão.
Milhões de pessoas têm xerostomia, caracterizada pela falta de saliva, que pode levar a problemas de deglutição e a infecções na boca, destacou o estudo.
"Alguns problemas precisam ser resolvidos até que o uso de glândulas secretoras bio-manipuladas se torne factível", alertou a equipe de Tsuji, indicando a necessidade de construir um banco de células-tronco apropriado.
O artigo é publicado na revista científica Nature Communications.
Trabalhos anteriores feitos pela mesma equipe resultaram na regeneração de órgãos "ectodérmica", fazendo o tecido recriar cabelos e dentes.