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Estado de Minas

Projeto com software livre espera gerar 2 milhões de empregos de alta tecnologia

Para o diretor-executivo da Linux, o Cauã sofrerá correções técnicas até o mês que vem para, até outubro, se tornar ou não realidade


postado em 29/08/2013 11:23 / atualizado em 29/08/2013 12:50

(foto: TARLIS SCHNEIDER/INDICEFOTO)
(foto: TARLIS SCHNEIDER/INDICEFOTO)
Durante o encontro em Porto Alegre, Jon “Maddog” Hall deu detalhes ao público brasileiro sobre a primeira etapa do Projeto Cauã, ocasião em que apresentou a palestra “Independence day for Brazil”. Ativistas de tecnologia dos mais conhecidos no mundo,Maddog é considerado o guru do software livre. É atualmente diretor-executivo da Linux International, uma associação sem fins lucrativos de grandes empresas de TI interessadas em promover sistemas operacionais baseados em Linux (de códigofonte aberto).

O projeto consiste em um plano em escala mundial para criação de soluções baseadas em software livre e hardwares abertos, tendo por objetivo a distribuição de solução de computação em diferentes mercados e nichos. No momento, segundo ele, no Brasil o projeto está na fase 0.1 – chamada de Smart Home System – e tempor finalidade proporcionar uma solução completa de entretenimento doméstico. “Sua proposta principal é criar milhões de novos empregos de alta tecnologia, que usem software e hardware livres”, afirmou, ressaltando que com esse plano de geração de empreendimentos pretende-se tirar da informalidade pessoas que trabalham na área técnica e ajudar a promover o uso do software livre no país. Ele está em busca de novos parceiros brasileiros para fazer parte do seu empreendimento.

Modelos aprovados

As metas do projeto são ambiciosas e se baseiam na ideia de instalar, inicialmente, servidores em prédios da cidade de São Paulo, para oferecer uma nuvem privada a cada edifício utilizando thin clients nas suas unidades (lojas e apartamentos). Espera-se, assim, gerar até 2 milhões de empregos de alta tecnologia no país e até 4 milhões no resto da América Latina.

Ele chegaaesse número de empregos baseando-se no fato de que tantos servidores e ‘thin clients’ instalados vão demandar o trabalho, por exemplo, de muitos administradores de sistemas. Os interessados receberiam treinamento on-line e, mais tarde, poderiam obter do governo financiamento para a compra e instalação de novos equipamentos. Ele acredita que em dois anos cerca de 100 mil pessoas estarão trabalhando no Brasil em atividades do tipo Cauã.

De acordo com Maddog, tais modelos de negócio já foram testados em várias partes do mundo. As experiências estão agora sendo unificadas para aplicações mais localizadas.O projeto Cauã brasileiro ainda é, na opinião dele, um sonho, mas porém perto de virar realidade. Segundo ele, no mês que vem irá convocar os parceiros nacionais para apresentar a parte do projeto já em funcionamento e fazer as correções técnicas que se fizerem necessárias. “Com certeza, até o fim de outubro iremos saber se vai realmente funcionar aqui.”

(foto: TARLIS SCHNEIDER/INDICEFOTO)
(foto: TARLIS SCHNEIDER/INDICEFOTO)
três perguntas para...
 
Jon "Maddog" Hall
Diretor-executivo da 
Linux International
 
1 -Você acredita que o GNU/Linux é o futuro da informática por meio de projetos como o Cauã?
Sim. O Projeto Cauã, por exemplo, visa criar empregos. Pessoas da área de computação vão poder se tornar empreendedoras, desde que sejam treinadas. Devidamente preparadas, vão poder criar computadores básicos e sistemas variados, como para as áreas de entretenimento e de segurança residencial, a preços bem competitivos. É possível ganhar dinheiro também com software livre.

2 -Que outros tipos de trabalho relevante em software livre já foram desenvolvidos ou estão em desenvolvimento no Brasil?
Há um grande número de softwares livres brasileiros disponíveis e de pessoas que trabalham em distribuições Debian e outras distribuições GNU/Linux. Vale lembrar que Debian é simultaneamente o nome de uma distribuição não comercial livre – gratuita e de código-fonte aberto – de GNU/Linux e de um grupo de voluntários que o mantêm em todo o mundo. Uma vez que o Debian se baseia fortemente no projeto GNU, é usualmente chamado de Debian GNU/Linux. Há ainda trabalhos GNU/Linux de propósito geral criados no Brasil bem conhecidos, que são o Kurumin e o Epidemic, bem como o Poseidon, uma distribuição científica.

3 -De onde vem esse apelido Maddog?
Eu mesmo prefiro ser chamado de Maddog (cachorro louco). É um apelido que ganhei de alunos no Hartford State Technical College, onde era chefe do departamento de ciência da computação. Ele vem de um tempo em que eu tinha pouco controle sobre o meu temperamento.

Software livre na prática


Mascotes do Firefox, Linux e do projeto GNU: alguns dos principais símbolos da liberdade tecnológica(foto: Guilherme Dias/INDICEFOTO)
Mascotes do Firefox, Linux e do projeto GNU: alguns dos principais símbolos da liberdade tecnológica (foto: Guilherme Dias/INDICEFOTO)
 
A história do movimento software livre no Brasil pode ser traçada a partir do início da década de 1990, com a chegada e instalação do GNU/Linux em departamentos de ciência da computação de universidades. De lá para cá, a exemplo do que ocorreu no mundo, muitos programas, ideias e organizações surgiram no Brasil explorando o conceito do código-fonte aberto.

Para se ter ideia do uso de software livre no Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que 48,3% das microempresas brasileiras usaram softwares livres em 2010. Porém, apenas 3,3% delas desenvolveram seus próprios programas. Percebe-se aí um estímulo contra a pirataria e o corte de custos quanto à compra de softwares.

De acordo com o coordenador-geral da Associação Software Livre.Org, Ricardo Fritsch, encontros como o Fórum Internacional de Software Livre incentivam o desenvolvimento de ferramentas de acessibilidade. Ele revelou que a entidade vai lançar um canal de comunicação entre desenvolvedores para a elaboração de soluções do tipo. “Usamos o software livre para que ele atinja cada vez mais cidadãos”, disse, enfatizando a importância dos programas de código aberto para garantir a privacidade de seus usuários.

por aqui Um dos maiores exemplos da disseminação do software livre no Brasil é o LibreOffice (http://pt-br.libreoffice.org/), um conjunto de softwares compatíveis com os principais pacotes de serviços para escritório do tipo Microsoft Office. O LibreOffice é muito bem traduzido e atualizado e várias empresas o adotam. No Brasil, cerca de 45 pessoas se uniram para manter a versão PT-BR (português do Brasil).

Outro exemplo é o WordPress (br.wordpress.org/), uma plataforma semântica de vanguarda para publicação pessoal de páginas web, com foco na estética, nos padrões web e na usabilidade. O WordPress é ao mesmo tempo um software livre e gratuito. O serviço permite criar e manter, de maneira simples e robusta, todo o conteúdo de um site.

O próprio governo brasileiro mantém um site sobre software livre (http://www.softwarelivre.gov.br/), com vários programas para prefeituras e empresas, desde controle de impressão, controle de redes e até um sistema de controle de atendimento com senhas e distribuição de atendidos e mesas. Lá você encontra sistemas VoIP para centrais telefônicas baseadas em Asterisk (serviços de PBX open source) e também em Expresso, um servidor de e-mail, que está sendo adotado pela FAB, baseado em software livre.

Para uso pessoal, alguns softwares livres são destaques e em vários casos acabam até superando os programas pagos, tanto em número de usuários quanto na qualidade. Alguns exemplos são o próprio sistema operacional Linux com suas versões (Ubuntu, Kurumim e Fedora). Talvez o mais famoso atualmente seja o navegador Mozilla Firefox, rival do Internet Explorer da poderosa Microsoft. A raposinha alaranjada já ganhou uma porcentagem bem considerável do mercado. Tem-se ainda o The GIMP, editor de imagens de código aberto, que não fica devendo em nada ao famoso Photoshop. São programas que já dominaram a web e estão sempre presentes na vida de quem vive conectado.


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