Jornal Estado de Minas

Jogo 'Hitman: absolution' não tem jogabilidade rasa e veio sem inovações.

Maior novidade da franquia é o uso do motor gráfico Glacier 2, que dá mais qualidade às imagens, além de permitir melhor interação com objetos e figurantes

Jorge Macedo - especial para o EM

- Foto: Square Enix/Divulgação A série de jogos Hitman guarda uma característica para poucos: acompanhou três gerações de videogames ao longo da história. O primeiro jogo, Hitman: codename 47, veio ainda na era dos poucos polígonos como elemento para a criação visual dos personagens, e apresentou o Agente 47, um homem criado para ser o indivíduo perfeito da Agência Internacional de Contratos(ICA) com um único objetivo: matar por demanda. Com o passar dos anos, os gráficos melhoraram, algumas novidades no roteiro foram implementadas e todas as evoluções parecem culminar no que se tornou Hitman: absolution, marco de maturidade da série e uma referência para os jogos de ação furtiva atuais.

A história se passa logo após Bloodmoney, quando Diana (uma agente da ICA responsável por cuidar dos dados e detalhes sobre contratos a serem executados pelo Agente 47) vaza informações da empresa, divulgando contatos e nomes das pessoas que já utilizaram o serviço. Após o vazamento de informações e reestruturação da ICA, a empresa contrata Hitman para assassinar Diana, que tem intimidade com o protagonista. O resultado de tudo isso é um Agente 47 sentimental e, por consequência, mais próximo ao jogador.

Um destaque importante é o motor gráfico Glacier 2. Com funções surpreendentes, ele permite ter uma multidão de mais de 1,2 mil pessoas dentro de um mapa sem perder a qualidade de quadros por segundo. Construído do zero, o item dá ao jogo uma característica única: fazer dos seres humanos não só parte do cenário, mas também um elemento de interação e imersão. Se você esbarrar em um transeunte, por exemplo, ele pode deixar o celular cair ou exclamar um: “Olhe por onde anda”.

- Foto: Square Enix/Divulgação As fases que mais chamam a atenção – pela grande presença de indivíduos no mesmo cenário – são as que se passam em Chinatown e na estação de metrô. Não espere por inovações na jogabilidade. Poucas coisas mudam em comparação aos jogos anteriores da série. Uma delas é o modo Instinct, em que o Agente 47 pode ver através das paredes e outros obstáculos do cenário – tal qual o detetive de Batman: arkham city ou a visão de águia de Assassin’s creed.

Além disso, há a interação com elementos do cenário. Você pode, por exemplo, abrir a válvula do botijão de gás e, quando o inimigo acender um isqueiro, tudo vai pelos ares. Absolution também se consolida como um jogo de ação furtiva, pois penaliza quem faça algo além de eliminar os inimigos ou passar despercebido. Não é difícil ver a pontuação negativa (no topo esquerdo da tela) quando você não executa os objetivos da forma linear planejada. Se o game fosse mais livre, com opções de explorar melhor as fases, e as possibilidades para sair de algumas situações fossem maiores, a experiência dentro do universo seria melhor. Apesar disso, é possível jogá-lo como um game de ação, mas a dificuldade aumenta consideravelmente.

- Foto: Square Enix/Divulgação VISUAL A parte gráfica de Hitman: absolution tende a dissolver todas as pequenas irritações e dá ao jogador belos cenários constituídos não só por paisagem, mas pela presença de pessoas — algo curioso para um jogo em que o protagonista trata a vida humana com tanto descaso. A fase no deserto abriga duas características relevantes: o bom visual, em que até o reflexo do sol e as sombras são próximas ao real, e um segredo: atire nos abutres e veja o que acontece. É uma brincadeira simpática e divertida dos desenvolvedores.

O design dos personagens facilita a narrativa de Absolution, que é basicamente focada em mostrar os conflitos de 47 dentro de um turbilhão de acontecimentos. Cada personagem tem uma expressão ou característica física diferente. Isso faz com que o jogador se envolva ainda mais com a história.

Compartilhamento e interação. Essas são as palavras que definem o modo multiplayer, que, apesar de ser marcado com esse nome, não tem dois personagens no mesmo cenário. O modo Contratos permite aos jogadores criarem missões com parâmetros específicos – qual arma será usada, quantos ou quais inimigos terão de ser derrotados – e compartilhá-las on-line. Assim, outros usuários podem tentar executar as fases.

Há ainda a possibilidade de liberar disfarces diferentes no modo single player, em que ocorre a história principal, e usá-los no modo on-line. Apesar dos problemas, Hitman: absolution é um dos jogos mais divertidos da atualidade. Os excelentes gráficos e sons, que andam em consonância a uma experiência aproveitável, e o empenho da IO Interactive em criar uma tecnologia apenas para o jogo, deu-lhe um valor único. Assim, o game é uma ótima pedida, tanto para os fãs da série quanto para os apreciadores de um bom jogo.
 

- Foto: Não recomendado para menores de 18 anos

HITMAN: ABSOLUTION

 

Produção: Square Enix

Desenvolvimento: IO Interactive
Plataformas: PC, Playstation 3 e Xbox 360
Número de jogadores: 1 (single-player)
Preço: R$ 179,90

 

Jogabilidade: 2,0
Entretenimento: 2,5
Gráficos: 2,5
Som: 2,0

Nota final: 9

 

PROGRAMA BASE
Chamados de engine (motor, em inglês) no exterior, os motores gráficos são a tecnologia que faz a parte gráfica e os controles de um jogo. Em Absolution, por exemplo, a engine foi desenvolvida para que a grande quantidade de pessoas no cenário não atrapalhasse sua fluidez.