Jornal Estado de Minas

Empresas investem em ações online criativas e inovadoras

Para garantir sobrevivência dos negócios, empreendedores se adaptam à era digital. Planejamento e monitoramento no ambiente virtual é base de estratégias promocionais

Shirley Pacelli
Campanha do Dia dos Namorados, gravada na Praça da Liberdade, se tornou viral no Facebook - Foto: YouTube/Reprodução InternetE de repente os casais de namorados que estão ali se curtindo na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, são surpreendidos por uma mesa posta com taças de vinhos convidando ao brinde e um violinista dando o tom do romance. Nesse dia, o amor transformou BH em Paris. Esse era o mote de uma campanha do Dia dos Namorados de um shopping da capital para divulgar o sorteio de viagens para a França. O vídeo (https://bit.ly/Ln7eUF) foi visto por cerca de 149 mil pessoas no YouTube e foi compartilhado por outros milhares de pessoas no Facebook.


A campanha digital trazia também  os conselhos do excêntrico professor L’Amour, que respondia as dúvidas dos casais apaixonados enviadas por meio do Twitter e do Facebook. A criatividade e inovação da propaganda fizeram com que o público interagisse com a proposta, se sentisse parte dela e compartilhasse pela rede, gerando divulgação para o empreendimento. Cerca de 69% dos internautas brasileiros têm o hábito de “viralizar”. Neste momento, há 1 bilhão de pessoas conversando no mundo por meio das redes sociais. Diante disso, o potencial de marketing virtual é gigantesco e as empresas aos poucos têm aprendido como utilizar esse novo canal a seu favor.

"As informações fluem das pessoas e não das grandes marcas e impérios. É o que está mudando o mundo hoje", Ivo Antonione Coutinho de Melo, diretor de Criação do Núcleo Digital da Solution Comunicação Estratégica - Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A PressIvo Antonione Coutinho de Melo, publicitário de 30 anos e diretor de Criação do Núcleo Digital da Solution Comunicação Estratégica (solutioncom.com.br), é um dos responsáveis pela campanha citada, que ganhou o Prêmio Minas de Comunicação, na categoria Campanha Integrada, em 2012. Ele trabalha há 12 anos na área e diz que esperou pelo momento de conscientização das empresas para a importância do marketing digital. “Ainda existe um resquício de sentimento do tipo ‘minha empresa sobreviveu até aqui sem isso’. Por exemplo, muitos clientes ainda não se antenaram para a importância do mobile para os seus negócios”, conta. Ele explica que a área exige um constante aprendizado e pesquisa, além de muita cabeça aberta para o novo. Estar no meio digital, para ele, é uma questão de adaptar-se para sobreviver. Afinal, as pessoas hoje são mais conectadas e mesmo que seu negócio seja alheio à internet, ele será influenciado por ela porque as pessoas são. “A não ser que resolva ir para uma ilha deserta viver a base de peixe e água de coco (o que não me parece tão ruim), você é influenciado pela internet. E onde as pessoas estão, as marcas devem estar”.

Para ele, em comunicação, os profissionais o tempo todo trabalham com a emoção de quem está sendo impactado. “Não necessariamente uma ‘campanha fofa’ é o caminho do sucesso e da solução de qualquer problema. Pode ser que para um determinado problema o ideal seja despertar o sentimento da dúvida ou do questionamento”, explica. Melo conta que há clientes que chegam pedindo virais, mas explica que isso não é um produto a ser criado. Para ele, tudo é consequência do trabalho árduo. Muito esforço e verba podem ser jogados fora caso o profissional insista em basear uma campanha em um viral em potencial. “As pessoas são feitas de emoções e sentimentos, e o ato de ‘viralizar’ algo quer dizer que aquilo o tocou ou vai tocar alguém que conhece. E pra isso não tem fórmula. Se houvesse, perderia a graça, não é mesmo?”

O diretor diz que o ponto crucial é acertar a emoção e, no caso das redes sociais, lançar a ideia no momento certo. Melo explica que é tudo muito dinâmico nesse universo – “ícones são criados, endeusados e derrubados em questão de um dia apenas”. O que é certo, segundo ele, é a necessidade de planejar e mapear as ações e, depois de executadas, fazer o monitoramento. “As informações fluem das pessoas e não das grandes marcas e impérios, é o que está mudando o mundo hoje”, afirma. Segundo o diretor, é preciso entender mais de pessoas do que de tecnologia. A tecnologia é um meio, não o fim.

Thiago Miqueri conta que o negócio cresceu mais de 50% nos últimos três anos - Foto: Leandro Couri/EM/D.A PressAMADURECIMENTO Criada há 10 anos, a Plan B (planb.com.br), agência de comunicação, acompanhou o amadurecimento do mercado. “Cada vez mais, as ações digitais estão presentes nos diversos segmentos. Elas têm um caráter estratégico e entregam resultados”, explica Thiago Miqueri, um dos sócios da agência. O negócio cresceu mais de 50% nos últimos três anos – a sede, que era de 27 metros quadrados e quatro sócios, passou a ter 400 metros quadrados e uma equipe de 60 pessoas.

A empresa tem profissionais de mídia, tecnologia, design, social media e redação. Para cada trabalho é formada uma equipe multidisciplinar. O sócio explica que os clientes têm demandas específicas, mas que busca sempre firmar uma parceria a longo prazo. Segundo Miqueri, é preciso planejar e definir a estratégia de atuação. Cada objetivo gera um indicador de performance para a apresentação dos resultados aos clientes. “O cuidado da empresas em estreitar o relacionamento com seu público faz que ele seja embaixador da marca nas redes sociais”, afirma.