Guilherme Reis desaprova os perfis de marcas que só servem para manter as aparências na rede - Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press. Com beijos em forma de “muak” e bons-dias que viraram “pontia”, o Pinguim, personagem do perfil da empresa Ponto Frio no Twitter, conquistou os usuários da rede – mais precisamente 101.649 seguidores. Durante um evento em São Paulo, Guilherme Perez, coordenador de Marketing da Nova Pontocom, afirmou que o faturamento da empresa por meio das ações integradas com Facebook e Twitter atingiram a marca de R$ 20 milhões de reais, um dos maiores anunciados por uma marca no Brasil. A irreverência, a espontaneidade e a linguagem nada formal são algumas das características que fidelizam seguidores como o empresário mineiro Guilherme Reis, de 29 anos. “Tem interação e promoções todos os dias nas redes sociais da marca. No Facebook, um aplicativo gera desconto”, diz.
Perfil do Ponto Frio no Twitter conquistou fãs com a simpatia do Pinguim - Foto: Twitter/Reprodução InternetO empresário declara que costuma compartilhar campanhas de que gosta na rede, mesmo que não use os produtos. Ele curte cerca de 250 marcas no site de Zuckerberg e acompanha o conteúdo das páginas. Uma das propagandas que o marcaram foi um vídeo da P&G para o Dia das Mães, com o tema “O melhor trabalho do mundo”. Pôneis malditos também “grudou na sua cabeça” com sua criatividade acompanhada da melodia chiclete. Já as fan pages da Kabum e da Nuuvem são as preferidas por atualizarem conteúdo de forma constante.
No Twitter, Reis elogia o trabalho do perfil do banco Santander, que, segundo ele, soluciona os problemas de imediato. Mas, se por um lado tem o hábito de fazer propaganda positiva gratuita de alguns estabelecimentos, ele não economiza nas críticas quando não é bem atendido na rede. Segundo Reis, o perfil da GVT no microblog é um fracasso. “Em menos de cinco minutos eles interagem e pedem o contato para resolver seu problema, mas não passam disso. Parece que é só para a gente parar de xingar na rede social. Querem passar uma imagem boa da marca”, diz.
Para o empresário, é melhor a empresa sair da internet do que prestar um péssimo atendimento on-line. Quem compartilha desse pensamento é a locutora de rádio Rebeca Rezende, de 25 anos. A jovem, formada em relações públicas, acredita que deixar o usuário sem resposta é a pior escolha. Ela conta que geralmente entra em contato no Twitter quando tem algum problema com um produto ou serviço contratado. “Dá resultado, porque a empresa está exposta, todo mundo vê”, explica a jovem.
Do mesmo modo, algumas marcas conquistam seu coração com campanhas criativas ou conteúdo inovador. Ela segue a fan page Batalha dos Cabelos (
facebook.com/batalhadoscabelos), por exemplo, sem gostar dos produtos da fabricante responsável pela página. Mesmo com a campanha de 2011, Rebeca recorda do lançamento da cerveja francesa Desperados, que implementou em seu canal no YouTube (
youtube.com/desperados) uma plataforma interativa que leva a pessoa para dentro de uma balada. O usuário escolhia o desenrolar da história e a ação era totalmente integrada com o Facebook e o Twitter.
Imagens divertidas da campanha contra a intolerância circularam pela internet - Foto: Luiza Najar/Reprodução InternetIlustrando os dizeres “só o amor constrói” está a imagem do professor Júlio Pessoa, coordenador do curso de cinema e moda do Centro Universitário UNA, beijando o também professor Marco Aurélio Máximo Prado, do programa de pós-graduação da Universidade Federal de Minas Gerais. O post no Facebook circulou pela rede por meio do compartilhamento de cerca de 1 mil usuários e tomou conta de um fim de semana inteiro no site. A campanha “Beijos contra a intolerância” (unasecontraahomofobia.blogspot.com.br), idealizada por Pessoa com o apoio da instituição de ensino, começou pela necessidade de se contrapor a uma onda de conservadorismo observada por ele na sociedade. “Havia muitas pessoas insatisfeitas que se uniram à causa”, conta. O professor reuniu amigos e fez uma sessão de fotos de beijos e manifestações de carinhos contra a homofobia, mas mais que isso: a favor do amor! Na primeira sessão compareceram cerca de 200 pessoas e na segunda 600. “Tinha uma vovó que foi com a neta lésbica”, lembra Pessoa.
No post oficial da universidade foram 140 curtidas, 41 compartilhamentos e oito comentários negativos, contra 29 positivos. Fora desse meio, as cem imagens produzidas viraram exemplos e se replicaram em versões pessoais no site. “As redes sociais têm o poder de filtro. Permitem que ideias ganhem corpo, mas uma proposta não se torna viral se já não existir um coro”, explica o professor. Para ele, as mídias alternativas, como as redes sociais, garantem o recrudescimento das liberdades conquistadas pela sociedade.
ENGAJAMENTO NA REDE
- Foto: YouTube/Reprodução InternetRetratos da real beleza
» A campanha da Dove – que até inspirou matéria do Estado de Minas (https://bit.ly/115YjDX) – alcançou 34 milhões de visualizações no canal oficial da empresa no YouTube, se tornando a mais vista da história do site. A marca propôs a algumas mulheres que se descrevessem para um retratista. Depois, outra pessoa a descreveria. A diferença no resultados dos retratos falados mostrou que as mulheres se enxergam menos bonitas do que realmente são. A página da empresa no Facebook tem 14 milhões de fiéis seguidoras.
https://bit.ly/157X09Z
- Foto: YouTube/Reprodução Internet“Briga” pela cliente
» “Posso dizer que gosto muito de chocolate quando sigo @KITKAT e @Oreo ao mesmo tempo”. O tuíte de Laura Ellen foi vislumbrado como uma excelente oportunidade de marketing pela Kit Kat. A empresa lançou no microblog: “A disputa pelo carinho da @Laura_ellenxx começou. @Oreo, sua vez...”, chamando a concorrente para uma partida de jogo da velha. A Oreo não perdeu tempo e “comeu” as barras de Kit Kat que formavam o X do game, acompanhada da mensagem “Desculpa, não resistimos”. A interação virou febre no mundo todo.
- Foto: YouTube/Reprodução InternetSinceridade que conquista
» O americano Richard Neil um dia resolveu dizer certas verdades para a Bodyform, empresa de absorventes femininos. Na fan page da marca ele disse que se sentia enganado durante anos ao ver comerciais que mostravam mulheres sorrindo durante o período da menstruação. Segundo ele, a namorada virava um monstro. A empresa então gravou um vídeo espetacular com a diretora- executiva da empresa. “Chegou a hora de esclarecermos tudo. Mentimos para você e quero pedir desculpas”, dizia. A diretora narra uma série de argumentos, de forma engraçada, explicando que as imagens de mulheres patinando e andando de bike eram metáforas e que alguns homens não sabiam lidar com a verdade de que não existe menstruação feliz.
https://bit.ly/TkeCcN