Jornal Estado de Minas

Erros no GPS ocorrem porque as cidades estão vivas

Silas Scalioni

Erros envolvendo GPS, especialmente em celulares, ocorrem porque as cidades são organismos vivos, ou seja, elas estão constante mudando. É o que aponta o diretor da Divisão de Mapas da Nokia, Hélder Azevedo. “Pode ser que as empresas cometam erros de digitação, equívocos na hora de coletar informações etc., mas eles são poucos. O que leva mesmo à grande maioria dos erros de localização são transformações ocorridas nas cidades e que não são atualizadas pelos bancos de dados”, diz. Ele ressalta que recentemente em Belo Horizonte uma ponte foi inaugurada no Anel Rodoviário e a alteração foi incluída quase automaticamente nos sistemas de mapas da Nokia. “Mas isso poderia demorar mais tempo caso não tivéssemos a informação”, afirma. Só em BH, segundo o diretor, a empresa mantém uma equipe de 12 cartógrafos e geólogos e quatro veículos de olho vivo em alterações.

Reconhecidamente, o sistema de mapas adotado pela Nokia é o mais confiável e completo. Segundo o diretor, isso ocorre porque a fabricante finlandesa utiliza a base de dados e mapas da Navtec, empresa com mais de 30 anos de experiência em mapas digitais e comprada pela Nokia em 2007. “Além disso, nosso serviço é desenvolvido com base nas experiências daquele usuário que não abandona o celular para nada. Nosso sistema de localização, portanto, é pensado como um recurso próprio para celulares e não como derivação de um outro produto”, assegura.

Também para Amauri Sousa, gerente de Produtos da Motorola Mobility, a maior parte das falhas presentes nos sistemas GPS de celulares referem-se a mudanças de rotas e sentidos das vias públicas das cidades. “Por adotarmos nos nossos produtos o sistema operacional Android, usamos os serviços do Google Maps, que precisa receber as atualizações sempre que alterações forem feitas. A demora nessa atualização pode demandar os erros reclamados pelos usuários”, afirma, confirmando que interferências físicas também podem prejudicar a recepção dos sinais de satélite e comprometer o serviço.

 

DEPOIMENTO

- Foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press. Júlia Duarte da Cunha
. 20 anos,  gestora ambiental 

“Já quase entrei em uma favela, no Rio de Janeiro, por falta de atualização do GPS. Outra vez, estava com meu pai viajando pelo estado de Goiás e resolvemos pegar um atalho indicado pelo GPS que, supostamente, sairia em Pirenópolis. Não foi o que aconteceu: demos de cara com uma estrada de terra que terminava em uma porteira. Provavelmente o mapa estava desatualizado. Entretanto, o GPS já me foi útil em várias outras oportunidades. Numa delas, ao realizar uma visita técnica em um parque de proteção ambiental, precisava saber a localização de onde eu estava fazendo as anotações. Estava no meio de um parque em meio a muita vegetação, mas consegui que o GPS do celular captasse o sinal e gravasse minhas coordenadas.”