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Estado de Minas

Lendas, enganos e grandes descobertas marcam a história sobre a origem da humanidade

A origem do homem desperta interesse há milhares de anos. Mas esse é um desafio ainda longe do fim


postado em 30/07/2012 17:06 / atualizado em 30/07/2012 17:37

(foto: Arte/D.A Press)
(foto: Arte/D.A Press)
 

A história mais importante dos últimos 3 milhões de anos é contada por ossos. Não existem narrativas orais nem registros escritos. Ela está enterrada, encrustrada nas rochas, coberta por camadas sedimentares. Fragmentos fossilizados são os únicos testemunhos de um acontecimento que começa com os primeiros passos firmes de um primata trepador de árvores e termina com o surgimento, há 160 mil anos, do Homo sapiens.

O resgate das origens da humanidade é marcado por obstinação, enganos, decepções e vitórias de amadores e cientistas que dedicaram a vida à escavação do passado. É impossível dizer exatamente quando o homem começou a se perguntar de onde veio. Pinturas rupestres repletas de simbolismos indicam, porém, que essa já poderia ser uma preocupação há quase 40 mil anos, quando o Homo sapiens ainda vivia em grupos nômades e usava as cavernas como refúgio.

Mesmo antes da escrita, lendas sobre a criação eram contadas e sobreviviam a gerações. Há registros dessas histórias em todas as civilizações, que, para explicar o desconhecido, usavam elementos sobrenaturais. Babilônios, gregos, chineses, maias, egípcios, índios brasileiros: cada um desses povos procurava respostas atribuindo a deuses a invenção da humanidade.

Foi a cultura hebraica, porém, que estabeleceu a mais disseminada explicação para a origem do homem. No livro do Gênesis, incorporado à Bíblia, estão os dois relatos da criação do universo, das plantas, dos animais e, por fim, de um ser moldado à imagem e semelhança de Deus. Quando o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo, em 312, a religião católica foi oficializada e, com o tempo, tornou-se inseparável do Estado. Lidos ao pé da letra, os textos bíblicos eram interpretados como fatos históricos. Durante mais de 1,5 mil anos, Adão e Eva eram, sem sombra de dúvidas, os primeiros representantes da humanidade.

Mas a viagem de um navio inglês abalou a verdade até então incontestável. Quando o naturalista Charles Darwin embarcou no HMS Beagle, jamais imaginava que, em meados do século 19, abriria o capítulo de uma história que, ainda hoje, está longe do fim. As observações científicas de um jovem curioso, educado para ser pastor protestante, culminaram no livro A origem das espécies, lançado em 1859.

Adaptações
Darwin não era o único estudioso a postular que as espécies sofriam adaptações. Antes dele, o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) já havia proposto que o ambiente moldava os indivíduos, mas não explicava a evolução pela seleção natural. Essa noção só se tornou popular pelas mãos do inglês.

Em nenhum momento de A origem das espécies afirma-se que o homem é descendente do macaco. O naturalista propôs que ambos tinham um ancestral comum. A pressão ambiental fez com que, em algum momento do passado, diferentes linhagens se desenvolvessem. A sociedade vitoriana, antropocêntrica e extasiada com os feitos da raça, porém, entendeu o recado: a humanidade não era tão especial como imaginava. Uma anedota, ora atribuída ao bispo de Worcester, ora à sua mulher, diz que, quando a Inglaterra foi tomada por discussões sobre o livro de Darwin, um dos dois teriam dito: “Descendemos dos macacos? Vamos esperar que não seja verdade. Mas, se for, rezemos que não se torne algo muito conhecido”.

Três anos antes de A origem das espécies ser publicado, um fóssil esperava para contar parte da história da evolução em uma caverna alemã. Um operário anônimo descobriu o primeiro esqueleto do homem de Neandertal, quando nem se imaginava que outra espécie humana já havia existido. O osso não se encaixava em absolutamente nada conhecido. Era a primeira pista concreta de que algo estava errado na história do homem no planeta.

Foi só depois de Darwin, porém, que teve início uma corrida desesperada por fósseis. Todos queriam descobrir o elo perdido, um híbrido de macaco e de homem que, depois, se separou. Hoje se sabe que esse animal jamais existiu, pois a evolução foi um processo gradual, com diversas espécies surgindo e se extinguindo antes que tomassem as formas que exibem até hoje.


Na busca por fósseis, fortunas foram destruídas para bancar expedições que nem sempre terminavam bem-sucedidas. O descobridor do Homo erectus, ancestral mais semelhante ao humano moderno, por exemplo, teve de amargar o descrédito da comunidade científica, que não viu importância nos esqueletos que ele descobriu na Indonésia.

Com erros e acertos, a árvore começou a ganhar forma. Em 1974, a descoberta de Lucy revolucionou os estudos da evolução. A “mãe da humanidade” era a primeira ancestral direta do Homo sapiens, título que ainda hoje ostenta. É ela que, no Museu de História Natural de Nova York, caminha com seu companheiro enquanto observa alguma coisa que acontece à sua volta. Talvez, os primeiros passos de um humanoide que, como ela, desceu das árvores para ganhar o mundo.

 


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