Para a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, a empresa tem razão em não fazer a filtragem do que é divulgado por meio dos serviços que oferece porque "a fiscalização prévia, pelo provedor de conteúdo, do teor das informações postadas na web por cada usuário não é atividade intrínseca ao serviço prestado". Ela ressaltou que esses serviços devem "garantir o sigilo, a segurança e a inviolabilidade" das informações dos usuários, além da manutenção dos serviços prestados.
Porém, Nancy Andrighi entendeu que há uma "inegável" relação de consumo entre a Google e os usuários porque, apesar de o serviço ser gratuito, a empresa lucra com o banco de dados formado pelos cadastros dos usuários. E salientou que, apesar de não ser responsável pelo conteúdo dos blogs, a empresa tem obrigação de, ao saber da "existência de publicação de texto ilícito, removê-lo sem delongas", assim como oferecer meios de identificar os autores.
Os ministros Massami Uyeda, Sidnei Beneti, Paulo de Tarso Sanseverino e Ricardo Villas Bôas Cueva concordaram com a relatora. A reportagem tentou falar com Roberto Barbieri nesta sexta-feira, mas ele não foi encontrado na sede da Faminas, que não funcionou devido a um feriado municipal em Muriaé, na Zona da Mata mineira, onde fica a sede da instituição. Ninguém atendeu ao telefone em sua casa, assim como no escritório de seu advogado, Francisco Carvalho Correa. Por meio de sua assessoria, a Google afirmou que não vai se manifestar sobre o caso. A empresa ainda pode recorrer da decisão.