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Estado de Minas

Pesquisadores descobrem como animais conseguem sair da água para a terra


postado em 24/05/2012 09:26

Um fóssil preservado do Ichthyostega (abaixo) ajudou os estudiosos a fazer as projeções e entender o funcionamento das patas e da cauda do animal(foto: Dui Fotografia/Divulgação )
Um fóssil preservado do Ichthyostega (abaixo) ajudou os estudiosos a fazer as projeções e entender o funcionamento das patas e da cauda do animal (foto: Dui Fotografia/Divulgação )
Há alguns milhões de anos, o planeta foi palco de uma revolução que mudaria completamente a forma como a vida se distribuiu sobre a Terra. Os animais, até então restritos aos ambientes aquáticos, foram, pouco a pouco, conquistando a terra firme. Esse movimento que resultou em todas as formas de animais terrestres existentes hoje — incluindo os humanos — é um dos pontos-chaves para se compreender a evolução da vida. Pesquisadores britânicos conseguiram, com a ajuda de técnicas de modelagem em 3D, desvendar como se movimentava o Ichthyostega, um dos primeiros animais a se aventurar pelo ambiente seco há 370 milhões de anos. A novidade está na edição de hoje da revista científica Nature.

Ao contrário do que imaginavam os estudiosos, a conquista do ambiente terrestre não aconteceu ao mesmo tempo em que os seres adquiriam a capacidade de andar. Os modelos feitos com o fóssil mais bem preservado de Ichthyostega, um dos primeiros animais verdadeiramente terrestres, com membros anteriores e posteriores desenvolvidos, mostraram que o animal rastejava pela terra. “Descobrimos que ele tinha movimentos muito limitados, o que teria o impedido de caminhar como uma salamandra, como se acreditou durante muitos anos”, explica Jennifer Clack, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, uma das autoras do estudo.

O complexo movimento do animal utilizava técnicas diferentes, de acordo com o sentido da movimentação. Para ir para frente, ele utilizava as patas dianteiras em um movimento semelhante a um par de muletas. Os membros não tinham capacidade suficiente para sustentar o corpo do Ichthyostega e lhe prover todos os movimentos em ambiente seco, e as patas traseiras não tinham qualquer serventia fora da água. Já no movimento de recuo, havia uma coordenação entre patas e a cauda, permitindo que o animal “escorregasse” para trás.

O Ichthyostega é um dos primeiros tetrápodes — vertebrados com os membros das mãos e dos pés — verdadeiros que se tem registro. A escolha da espécie pelos cientistas se deu por se tratar de uma das que possuem os membros mais bem descritos. Há pegadas fossilizadas conhecidas ainda mais antigas que as do Ichthyostega, datadas de 395 milhões de anos, no Devoniano Médio, mas os pesquisadores não sabem determinar exatamente qual ser vivo as produziu.

Transitando entre a terra e a água, o animal conseguiu se adaptar para se movimentar nas duas regiões. “Músculos e articulações do Ichthyostega também tiveram um papel importante para a conquista da terra. Eles permitiram que o animal ficasse parado no ambiente aquático, conseguindo colocar a cabeça para fora da água a fim de respirar e processar a comida. Ele também conseguia assim andar em regiões rasas”, conta Clack.

Diferentemente da espécie pré-histórica, a grande maioria dos animais aquáticos não consegue permanecer na água sem se movimentar. Nadar constantemente é condição básica de sobrevivência tanto de peixes quanto de mamíferos aquáticos. “Estamos apenas começando a nos familiarizar com nossas descobertas, mas nos parece que os membros do Ichthyostega foram desenvolvidos para uso em água antes do uso em terra”, explica John Hutchinson, do The Royal Veterinary College, no Reino Unido, que também participou da pesquisa.

Os pesquisadores devem agora utilizar técnicas semelhantes para desvendar como se movimentam outras espécies que participaram dos primeiros passos dos animais sobre a terra. “Há novos tetrápodes sendo descobertos pelos meus colegas”, afirma John Hutchinson. “Queremos saber o que vem depois. Esperamos começar a trabalhar em algumas espécies que sucederam o Ichthyostega e que poderão nos explicar o que aconteceu nesse período e logo depois dele, na extinção em massa que se seguiu ao período Devoniano”, completa o especialista britânico.

 


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