O objetivo original do estudo de Valentina era testar o efeito da ingestão de ácidos graxos com ômega-3, vitaminas B ou ambos contra doenças cardiovasculares em pessoas com um histórico de enfarte ou derrame.
Para compreender melhor se os suplementos poderiam ter efeitos adicionais, o grupo reuniu também informações sobre o número de pacientes submetidos ao teste que desenvolveram câncer. Os pesquisadores dividiram os sujeitos do estudo em quatro grupos: um tomou duas pílulas de vitamina B por dia, outro grupo, duas pílulas de ácidos graxos com ômega-3, um terceiro tomou ambos os suplementos, e um quarto tomou placebos semelhantes aos suplementos. As vitaminas B eram uma mistura de 3 mg de B6, 0,02 mg de B12 e 0,5 mg de ácido fólico.
Aos participantes que deviam tomar os ácidos graxos com ômega-3 foram ministrados 600 mg por dia, enquanto os suplementos continham duas vezes mais ácidos EPA e DHA. Por cerca de cinco anos, Valentina e seus colegas do Instituto Nacional de Pesquisas Médicas da França acompanharam os diagnósticos de câncer entre os sujeitos do teste.
De mais de 2 mil pessoas que concluíram o estudo, 175 desenvolveram câncer e 58 morreram por causa dessa doença. As pessoas de ambos os grupos que tomaram os suplementos de vitamina B apresentaram o mesmo risco de câncer que aquelas que tomaram placebo.
Esses resultados confirmam os de um estudo maior, realizado entre sobreviventes de ataques cardíacos, que também mostrou que as vitaminas B foram ineficientes na redução do risco de câncer.