As duas primeiras etapas foram divididas entre universidades de outros estados – Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Vale do Paraíba (Univap). Em Minas Gerais, a PUC Minas ficou responsável pela criação de um banco de testes de motores de foguetes. O projeto começa a sair do papel ainda este mês e deve ficar pronto em um ano e meio, possibilitando o aprimoramento de motores criados em outras instituições de ensino superior. “Sem a bancada de testes, o motor é um mero suporte para impedir que a porta bata com o vento”, afirmam em tom uníssono o coordenador do projeto e professor do Departamento de Física da PUC Minas, Welerson Romaniello, e o idealizador do grupo de estudos e aluno de engenharia mecatrônica, Bruno Garkauskas Neto.
Nas operações de teste, o motor, que tem o tamanho aproximado de uma lata de tinta, é acoplado na parte inferior da célula de carga e, ao ser acionado e iniciado o processo de queima, pressiona a célula, resultando em alterações elétricas que a deformam. Quanto maior a deformação elástica, maior o empuxo do motor, sendo a força máxima suportável pelo banco de 10kN (quilonewtons), o que o torna capaz de levantar até um carro popular (ou uma tonelada). “Será possível avaliar o rendimento do motor. Se ele consome mais ou menos combustível em determinado espaço de tempo. Com isso, podem ser feitas as adequações necessárias ao seu desempenho”, afirma Romaniello.
MERCADO DE TRABALHO
Será apenas o segundo banco de testes de motores de foguetes do país – atualmente, o único está instalado no polo aeroespacial de São José dos Campos (SP). A ideia é permitir que instituições públicas e privadas de todo o país realizem seus testes no local, segundo o professor, “exercitando os conhecimentos relacionados à construção de foguetes”. Isso porque, na avaliação dos pesquisadores, tem sido produzido muito conhecimento, mas pouco tem sido tirado do papel. “Atualmente, 2,8% dos cientistas do mundo estão no Brasil, que produz 2,8% dos artigos. No entanto, menos de 0,5% da inovação está concentrada no país”, diz Romaniello.
Além disso, as agências espaciais oficiais poderão ser munidas de produtos criados pelas academias, transformando-se em montadoras de foguetes, semelhante ao processo de construção de automóveis. Aproveitando o movimento iniciado rumo a uma mesma direção entre mercado e universidade, Garkauskas, responsável pela formação do grupo de estudos aeroespaciais da PUC Minas, que, atualmente, reúne 11 pessoas, planeja ser o primeiro a completar o trajeto da academia direto para o mercado. O projeto de alçar voos maiores passa antes pela aprovação num curso de mestrado. “É uma área ainda restrita a poucas universidades e o projeto abre portas para teses, dissertações e, principalmente, para novas áreas de pesquisa”, afirma o estudante, de 24 anos.