"A extinção de línguas não é inevitável", insistiu, revelando "uma tendência à revitalização linguística nestes dez últimos anos em todo o mundo". "As pequenas comunidades linguísticas enfrentaram a falsa escolha ao ouvirem que sua língua fora superada e que precisavam renunciar a ela para poder abraçar a modernidade", criticou Harrison. Mas agora, "estes grupos linguísticos tomam consciência de que eles também podem ser cidadãos do mundo, aprender as línguas globais, como o inglês, conservando sua língua tradicional e os vastos conhecimentos" ancestrais vinculados a ela, disse.
Os oito dicionários criados para cada uma das línguas ameaçadas sobre as quais Harrison trabalhou têm mais de 32 mil palavras no total. Eles também possuem fotos de objetos culturais e ao menos 24 mil registros sonoros de frases e palavras pronunciadas pelas pessoas que falam fluentemente estas línguas.
Um destes dicionários é da língua Siletz Dee-ni, falada apenas em uma tribo ameríndia de Oregon (noroeste dos Estados Unidos). Um de seus membros, Alfred "Bud" Lane, um dos últimos a falar normalmente esta linguagem, explicitou os méritos desta iniciativa. "O dicionário falante é, e será, um dos melhores meios que teremos para salvar a Siletz", disse Lane à imprensa via teleconferência. "Ensinamos a língua na escola do vale de Siletz dois dias inteiros por semana e agora nossos jovens aprendem mais rápido do que eu havia imaginado", disse este ameríndio.
Entre as outras línguas contempladas nos projetos de dicionários da Sociedade National Geographic também aparece a Matukar Panau de Papua Nova Guiné, falada por 600 pessoas em apenas duas aldeias, e que nunca havia sido escrita ou registrada.