Para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a segunda geração ainda representa mais de 80% do mercado de telefonia móvel. No entanto, a tecnologia 3G ganha espaço a ritmo acelerado. Em novembro do ano passado, o número de celulares da terceira geração era de 17,6 milhões. Em outubro deste ano, 36,5 milhões, 15,8% dos 232 milhões de celulares no país.
Leonardo Ladeira, diretor de tecnologia da agência digital WebAdvisor, confirma que a terceira geração está se solidificando no país desde quando foi implantada, em 2007. “A amplitude da rede, o alcance, também influencia na qualidade do serviço”, acrescenta. Os celulares 3G permitem ao usuário navegar e fazer buscas na web, gerenciar e reproduzir arquivos multimídia, jogar games e até assistir TV pelo aparelho móvel. Pesquisa realizada pela Teleco em cinco capitais brasileiras apontou que 79% dos que possuem telefone celular 3G costumam acessar a internet. Leonardo acredita que essa é a maneira mais prática de promover a inclusão digital.
High Tech
O LTE (Evolução de Longo Prazo) é um novo padrão de banda larga móvel considerado uma transição para a quarta geração. A tecnologia foi adotada pela maior parte das operadoras de celular do mundo, segundo a GSA (Associação Global de Fornecedores Móveis), em outubro de 2010. Ao todo são 23 países e 37 redes LTE em operação comercial no mundo. No Brasil, o formato ainda está em fase de testes. Além do LTE, existe o LTE-Advanced, reputado como 4G pelo ITU (União Internacional de Telecomunicação).
Márcio Nunes, diretor de engenharia de plataforma da Claro, defende que há demanda no país por sistemas de quarta geração devido à qualidade e à velocidade na transmissão de dados. “Por exemplo, se um vídeo de 100MB demoraria 30 minutos para baixar por meio da tecnologia 2G, na 3G tomaria cinco minutos e, na 4G, 30 segundos”, estima. Para ele, no entanto, não haverá substituição dos padrões mais antigos. “Eles vão coexistir”, sustenta.
Muitos brasileiros estão trocando o celular tradicional por um smartphone. O motivo? Mobilidade, conectividade e status. Um estudo feito pela Ipsos MediaCT apontou que 19 milhões de brasileiros já são usuários de smartphones. “As pessoas estão antenadas com as mudanças tecnológicas e querem fazer parte disso. A tecnologia não é mais um simples gadget, mas um item de interação social”, comenta o gerente de produtos da Nokia, Vinícius Costa.
A estudante Júlia Sá Rodrigues, de 16 anos, não se arrepende de ter adquirido um celular inteligente. “Posso entrar no Facebook, pesquisar, ler um livro on-line. Faço um monte de coisas que antes eu não conseguia”, conta a jovem. “Também acho legal editar fotos – mudar a cor, recortar, colocar moldura, e ajustar a imagem. Costumo mexer nas fotos antes de publicá-las”, completa.
João Stricker, diretor comercial para o Brasil da Research in Motion – fabricante do Blackberry –, acredita que o modelo veio para ficar e está cada vez mais popular entre os brasileiros. “Brasileiros são early adopters (pode ser entendido como caçadores de novidades) e reconhecem qualidade. Não têm medo de experimentar, gostam de novidades e simplesmente querem o melhor”, avalia.
A diretora da regional Claro do Centro-Oeste, Soraia Tupinambá, explica que o consumidor busca acessibilidade e conectividade. “O cliente tem mobilidade agora para acessar a internet. A grande alavanca para uso desse tipo de celular é o acesso à web e às redes sociais. Permite interação full time”, conta.
“Hoje, quando o consumidor pensa em telefonia móvel, antes de pensar no plano, ele já pensa no modelo que quer ter, seja um iPhone, um Galaxy, ou um iPad. O aparelho voltou a ser objeto de status e desejo”, complementa Maxim Medvedovsy, diretor de segmentos de varejo da Oi.
Escolha certa
João Truran, diretor regional da Vivo no Centro Oeste, dá algumas dicas para aqueles que irão investir no primeiro celular inteligente. Para ele, é importante identificar o serviço que cada um usa com maior frequência. “Os profissionais liberais, por exemplo, dão preferência aos e-mails. Outros mandam muitas mensagens e optam por versões com teclados. E aqueles que se conectam à internet, olham mais a tela do celular e a qualidade da imagem”, explica.
Para o gerente de produtos da Nokia, Vinícius Costa, o modelo também pesa na hora de optar pelo primeiro smartphone. “Um design atraente conta bastante na avaliação do consumidor, mas ele deve ficar atento a aspectos como a usabilidade do aparelho. Deve escolher um do qual possa desfrutar ao máximo, de acordo com suas necessidades”, afirma.