Segundo a pesquisa da qual ele participou, os pequenos mamíferos, que surgiram há cerca de 200 milhões de anos, tiveram a chance de se diversificar geneticamente há aproximadamente 80 milhões de anos. “Essa diversificação aconteceu durante a revolução terrestre do cretáceo, um período em que as árvores com frutos surgiram e se espalharam pela Terra”, conta Eizirik. Assim, não foi a extinção dos dinossauros que abriu caminho para a diversificação mamífera, e sim a abundância vegetal experimentada no período.
Diferenciação
Apesar da novidade, o desaparecimento dos dinossauros continua tendo um papel importante no desenvolvimento dos mamíferos. Isso porque, apesar de os dois grupos terem convivido, o segundo permaneceu morfologicamente limitado enquanto o primeiro ainda existia. Todas as espécies mamais eram pequenas e quase sempre terrestres, semelhantes a pequenos gambás ou ratos. “Foi só depois do fim dos dinossauros que esses animais diminutos ganharam espaço para sua diferenciação morfológica, o que resultou em uma diversidade de mamíferos que engloba desde a baleia até o morcego”, revela o pesquisador gaúcho.
Assim, a grande diversidade filogenética dos mamíferos pôde dominar a Terra, à medida que espaços anteriormente controlados pelos dinossuros ficaram livres. “Nichos ecológicos para grandes herbívoros e carnívoros foram dominados por dinossauros durante o Período Cretáceo. Esses nichos só se tornaram disponíveis para outros organismos depois de dinossauros foram extintos”, conta o pesquisador da Universidade da Califórnia-Riverside Mark Springer, em entrevista ao Estado de Minas. “Assim, os mamíferos foram bem sucedidos à medida que se irradiaram para esses hábitats, que anteriormente eram ocupadas por dinossauros”, afirma o pesquisador norte-americano.
Um das questões que permanecem sem resposta para os cientistas é por que boa parte dos mamíferos que conviveram com os dinossauros conseguiu sobreviver à famosa extinção em massa que dizimou a maioria dos grandes répteis. “É algo difícil de se determinar. Podemos apenas especular que questões como a capacidade de adaptação desses animais ou suas características ecológicas podem ter tido alguma influência, mas não há uma resposta única e definitiva para isso”, conta Eizirik. “A sobrevivência era muito mais difícil em animais de maior porte do que animais menores. Presumivelmente, os mamíferos que sobreviveram à extinção foram capazes de fazê-lo em parte devido ao seu tamanho muito menor em relação a animais como dinossauros”, completa Springer.