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Estado de Minas

Pelo bem da ciência

De projeto universitário a fenômeno comercial, esta sarcástica ficção high-tech volta para mostrar que é um dos principais nomes da atual indústria do videogame


postado em 26/05/2011 11:40

A heroína Chell é despertada pelo robô estreante no jogo, Wheatley, na Aperture Science, local que foi devastado pelo tempo(foto: Fotos: Valve/Divulgação)
A heroína Chell é despertada pelo robô estreante no jogo, Wheatley, na Aperture Science, local que foi devastado pelo tempo (foto: Fotos: Valve/Divulgação)

Grandes games costumam ter origens tão saborosas quanto seus conteúdos. Portal é um deles. Há seis anos, ele era apenas um experimento de um grupo de universitários. Sua continuação, Portal 2, foi lançada em abril como um dos principais nomes da indústria do entretenimento eletrônico, e, provavelmente, estará em todas as listas dos melhores games de 2011. É óbvio que esse é um ótimo jogo, mas seu caminho até o topo é ainda mais extraordinário – e essencial para entender por que ele merece estar lá.

No jogo você tem o controle de dois portais. Ao entrar em um, pode sair pelo outro. Esse conceito foi pensado por sete estudantes do instituto universitário DigiPen, nos Estados Unidos. A Valve, de Half-Life, contratou a equipe para transformar a ideia em produto, sob novos roteiro e roupagem, mas ainda assim, resolveu lançá-lo com poucas pretensões.

Portal era a atração desconhecida da Orange Box, que tinha como carro-chefe Half-Life 2 e Team Fortress 2, jogos maiores, mais completos e muito mais famosos. Ainda assim, o estreante conseguiu sobrepujar seus irmãos mais consagrados e se tornou a principal estrela do pacote e, quem sabe, até da própria Valve.

Esse é, provavelmente, o maior choque ao entrar em contato com Portal 2, pois o aumento de reputação da franquia também resultou em uma diferença de acabamento enorme entre os dois jogos. Enquanto o primeiro parecia mais um jogo de testes, com movimentação dura de câmera, história curta e visual simplificado, a sequência traz o pacote completo que um nome de peso do mercado exige: trama maior e mais densa, gráficos de primeira, modo cooperativo, além de muitas inovações na jogabilidade.

Portal 2 repete protagonista, vilão e cenário de seu antecessor. Chell, a heroína, muda no primeiro game, continua sem nenhuma linha de diálogo. Depois de séculos em animação suspensa, ela é despertada pelo robozinho-monitor Wheatley (um dos estreantes do elenco) no mesmo complexo da Aperture Science. O local foi devastado pela ação do tempo: em vez das assépticas salas brancas, agora há paredes com plantas, plataformas enferrujadas e muito entulho pelo caminho.

Estreantes
Wheatley se compromete a ajudar Chell a escapar daquele complexo abandonado. No caminho, eles acidentalmente acordam Glados, a inteligência artificial sarcástica, metódica e controladora que infernizou, deu inúmeras risadas e criou bordões para os jogadores no primeiro Portal. Outro estreante é Cave Johnson, diretor-executivo da Aperture, empresário caipira que faz um excelente contraponto ao resto dos personagens. No modo cooperativo, que também tem uma história, você controla os simpáticos robozinhos Atlas e P-body.

Game prende atenção por boa história e jogabilidade e tem tudo para superar títulos consagrados da Valve
Game prende atenção por boa história e jogabilidade e tem tudo para superar títulos consagrados da Valve

O game segue o mesmo script de praticamente todos os jogos da Valve: a história é contada sem cenas de corte, apenas sob a perspectiva do protagonista, que não fala, mas ouve os coadjuvantes e participa da trama com ações. O teor da aventura também é o mesmo, pois o game está carregado do humor ácido que fez seu antecessor ficar tão famoso. Tanto Wheatley quanto Johnson são preciosas adições ao elenco, com participações tão boas quanto Glados, que continua impecável.

Portal 2 se manteve fiel a seu aspecto minimalista e, por isso, é o exemplo clássico de que uma trama divertida, original e engraçada pode ser montada com pouco. O primeiro Portal tem apenas dois personagens. Este, seis, mas só três falam. Mesmo assim, o pequeno contingente dá conta de desenvolver toda a história do jogo, além de jogar luz sob as origens da trama do game anterior. Nesse caso, a quantidade só poderia ser inversamente proporcional à qualidade: a atuação soberba de Ellen McLain (Glados), Stephen Merchant (Wheatley) e J. K. Simmons (Johnson) vão entreter com louvor o jogador nas cerca de 10 horas do modo de um jogador.

Estrutura

A trama é divertida e interessante, mas obviamente não é o que fará você passar a maior parte do tempo jogando. Como o lugar é o mesmo, a estrutura de progressão não mudou: você usa dois portais para resolver quebra-cabeças e passar à próxima câmara de testes. No entanto, não espere nada parecido com os desafios antigos. Assim que você acabar o tutorial – feito com cenários do game anterior – tudo muda, com novos elementos sendo apresentados desde as primeiras fases.

Os principais são três tipos de gel: azul, que faz você quicar sobre uma superfície; laranja, escorregar em alta velocidade; e, o último, branco, transforma qualquer superfície em um local no qual você pode atirar portais. Repetindo a história do primeiro Portal, a Valve foi buscar essa inovação em um game desenvolvido por outros estudantes do instituto DigiPen. Além deles, há outros elementos com os quais você interage na tela, como caixas refletoras de raios laser e pontes feitas de luz.

Ainda que o funcionamento dos dois games seja, na essência, o mesmo, o jogo consegue, graças a essas inovações, passar a mesma sensação desafiadora e indecifrável de seu antecessor. Portal sempre foi uma série em que o raciocínio se sobrepõe à ação e aqui é elevado a um novo patamar por causa dos novos elementos. É algo que fica bem claro no modo cooperativo, em que cada jogador tem uma arma, dobrando a dificuldade dos quebra-cabeças.

Este é um dos raros jogos que conseguem prender a atenção tanto por uma boa história quanto por uma jogabilidade incrível. Se o primeiro Portal mostrou que o sucesso daqueles sete estudantes não veio por acaso, Portal 2 é a coroação suprema deste estilo inovador e original de jogar que percorreu uma jornada incrível até o panteão dos grandes games.

Portal 2
Produção: Valve
Desenvolvimento: Valve e Nuclear Monkey Software
Plataforma: PlayStation 3, Xbox 360 e PC
Número de jogadores: 1 (single-player); 2 (multiplayer)
Preço: R$ 189

Avaliação
Jogabilidade
Entretenimento
Gráficos
Som

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