Jornal Estado de Minas

Ginástica cerebral atua na cognição e cria gatilhos de memória

Carolina Cotta
A aposentada Maria de Lourdes Magalhães Rabelo procurou os serviços do Hospital das Clínicas e foi atendida pelo geriatra Mário Oscar Pimentel - Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A PressPalavra cruzada funciona mesmo? Funciona. Não só ela, como qualquer atividade que mantenha o cérebro ativo. Tem quem já invista até em ginástica cerebral, com variadas técnicas de estimulação. Recém-chegado a Belo Horizonte, o método Supera funciona como uma academia, mas para malhar o cérebro. Tudo é feito com uma metodologia própria que trabalha a inteligência cognitiva dos alunos.
Segundo a proprietária da academia, a psicóloga Claudia de Faria Krettli, especialista em neuropsicologia e gerontologia, já se comprovou que, com o desenvolvimento da neurociência, para estimular o cérebro é necessário tirá-lo da zona de conforto com três práticas: novidades, variedade e grau de dificuldade contínuo, modo como trabalha o método.

Destinado a crianças a partir de 4 anos até idosos, a ideia é melhorar as capacidades de concentração, raciocínio lógico e criatividade para que o aluno não venha a ter dificuldades de aprendizado no futuro. “É como desenvolver os músculos dos atletas para todas as competições futuras. É fortalecer o cérebro para que tenha maior velocidade e capacidade de aprendizado, tanto em matérias que exijam raciocínio lógico quanto nas que exijam memorização.”

Segundo o neurologista Paulo Caramelli, alguns estudos sobre técnica de treino de memória começam a apontar para benefícios a médio e longo prazo de programas cientificamente embasados. É importante ressaltar que uma técnica capaz de melhorar um aspecto visual não vai melhorar outros pontos, e muitos programas concentram-se em alguns aspectos quando a questão é diversificar.

SEM DECOREBA
O treino cerebral, entretanto, é bem diferente das técnicas de memorização. Segundo o campeão de memória e psicólogo Alberto Dell’Isola, também é importante ficar claro que memorização não é decoreba e sim uma forma de criar gatilhos de memória para facilitar a evocação, a lembrança. “Criamos macetes para lembrar de alguma coisa, o que não garante que entendemos. Se for algo que já sei, o macete resgatará a informação mais rapidamente. Mas a memorização não substitui o entendimento.”

Para lidar com essa memória que falha na véspera das provas, também há solução. Existe uma curva de esquecimento, e a memória é preparada para esquecer algumas coisas. Para evitar o acúmulo de informação, o organismo faz o máximo para esquecer. “É comum alunos esquecerem 70% do que foi ensinado em aula em 24 horas. Segundo Alberto, a dica é fazer uma revisão de 10 minutos para cada hora de aula, nas primeiras 24 horas. “Mas embora a revisão seja mais rápida que o aprendizado, não é o mesmo que estudar.”