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Estado de Minas

Uma grande biblioteca


postado em 27/11/2008 12:46 / atualizado em 08/01/2010 04:00

Maria Teresa Correia/EM/D. A Press
Professora Daniela Mendes, organizadora do Atentado Poético, conta com os alunos para arrecadar e doar mil publicações cadastradas em site
-->No próximo sábado, se você for passar pela Praça da Liberdade ou pelo Parque Municipal, em Belo Horizonte, esteja preparado para tropeçar em algum livro. E, quando tropeçar, esteja pronto para integrar um movimento que já faz a cabeça de 726 mil pessoas em 130 países, graças a um simples endereço na internet. O BookCrossing, rede social criada nos Estados Unidos para incentivar a troca de livros na vida real, inspira uma ação batizada de Atentado Poético, que ganha mais uma edição na capital mineira. A idéia é promover a doação de livros que são “libertados” em locais públicos, para que qualquer interessado possa “adotá-los”. Se você é adepto do “Saia da internet e vá ler um livro”, saiba que há mais coisas entre a web e o prazer da leitura do que se pode supor.

Em cada livro, o doador coloca uma etiqueta que remete ao site, ajudando a divulgar a idéia. A pretensão, estampada no slogan da rede social, é transformar o mundo em uma grande biblioteca. O Atentado Poético coloca BH no circuito internacional do evento, que inclui cidades como Paris, Bruxelas, Florença, São Francisco e Roma. A meta dessa edição é arrecadar e doar mil livros, todos cadastrados no site. Se o objetivo for cumprido, Minas Gerais entra para a liderança no ranking brasileiro do BookCrossing. Alunos e professores da Fundação Torino, responsável pela ação em BH, estão firmes no objetivo.

“Os jovens de hoje estão, de certa maneira, distanciados da literatura impressa. Eles até lêem muito na internet, mas estão longe dos livros. Por isso, essa proposta é exatamente um resgate. E a internet é um excelente aliado, para fazer a ponte entre um universo e o outro”, explica a professora de língua portuguesa Daniela Mendes, que organiza o Atentado há seis anos na cidade. Criado como resposta aos atentados violentos em contextos políticos de tensão, o atentado de poesia mineiro vira e mexe volta à sua origem de flertar com os meios eletrônicos para impulsionar a divulgação.

É por isso que todos os livros são cadastrados no site. A publicação recebe um número de registro que serve para identificá-la posteriormente e mostrar por onde ela "anda". "Além de uma etiqueta com o número do registro, cada livro tem um bilhete que explica do que se trata o projeto, convidando o seu novo dono a entrar no site e informar onde encontrou o título. Assim, todo mundo que teve a publicação nas mãos tem a possibilidade também de conhecer o caminho que ela já percorreu e quantas pessoas já a leram", diz Daniela. No site do BookCrossing é possível, ainda, que os participantes possam se comunicar uns com os outros e debater sobre as obras.

A estudante Amanda Bruno, de 17 anos, no 3º ano da fundação, já virou veterana no Atentado. E desde que conheceu o site, há seis anos, incorporou a prática. “Se eu leio algo e acho fantástico, às vezes até compro outro exemplar para deixar em algum lugar”, garante. Já deixou livros em ônibus e praças – algumas vezes boas almas desavisadas vieram devolver, achando que ela havia esquecido o livro. “Pode ficar”, ela costuma dizer. A recíproca, para frustração de Amanda, ainda não é verdadeira; ela nunca esbarrou em um livro “abandonado” por alguém. “As pessoas poderiam aderir mais, mas o mundo é tão possessivo…”, filosofa.

Para Daniela, a idéia de transformar o mundo numa biblioteca com a ajuda da internet é extremamente sedutora. Enquanto os apocalípticos sentenciam o fim da literatura por conta do massacre dos meios eletrônicos, o BookCrossing é uma boa resposta em direção contrária. Os hábitos se modificam, mas não morrem de uma hora para outra, como mostra a própria história da cultura. “Monteiro Lobato, já no século passado, dizia que livro tinha de ser encontrado facilmente, nas vendas e mercearias. Com essa iniciativa, eles estão, de fato, acessíveis”, compara a professora.


NA PISTA


Nas ruas

Mil livros serão “abandonados” no próximo sábado, a partir das 8h, nos seguintes locais: Parque Municipal, Praça da Assembléia, Diamond Mall, Praça JK, Parque das Mangabeiras, Praça da Estação, Praça da Liberdade, Pátio Savassi e Barragem Santa Lúcia.

Na internet

O conceito do BookCrossing surgiu em 2000, nos Estados Unidos, e hoje já tem adeptos em todo o mundo. O cadastro é gratuito e no site é possível acompanhar os caminhos que os livros registrados fazem, nas ruas do mundo real, com a adesão de mais adeptos que encontram os livros por aí. www.bookcrossing.com-->


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