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Estado de Minas

Tô te vendo!

Esconde-esconde chega ao século 21 com game on-line que mistura ação real com realidade virtual


postado em 27/11/2008 12:45 / atualizado em 08/01/2010 04:00

Fotos: João Miranda/Divulgação
Internautas percorrem virtualmente as ruas de Santa Tereza e são "caçados" pelos oponentes reais, equipados com GPS
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Uma perseguição digna de filme de ação tomou conta das ruas de Santa Tereza na última semana. Antes que você comece a pensar que uma matéria de polícia veio parar na página errada, a gente explica: o bairro foi o tabuleiro real do Can you see me know?, jogo do grupo inglês Blast Theory, uma das mais intrigantes atrações do Vivo Art.Mov – Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis, que terminou anteontem. A novidade atraiu atenção de curiosos para entender o que se passava naquele estranho sobrado da Praça Duque de Caxias, recheado de aparatos high-tech, enquanto um grupo de pessoas vestidas de preto, com headsets e palm-tops, corriam pelas ruas do bairro. O pique-esconde chegou ao século 21.

O Blast Theory é uma das maiores referências em sistemas de realidade mista no mundo e causou sensação no tradicional bairro de Belo Horizonte, com seu game de perseguição em tempo real jogado on-line e nas ruas. No jogo, duas equipes competem para capturar o maior número de participantes virtuais. Internautas acessaram o jogo e percorreram, virtualmente, as ruas de Santa Tereza, mapeadas digitalmente. Enquanto isso, corredores (participantes reais que competem nas ruas, equipados com GPS) estão fisicamente na região, com a missão de caçar os jogadores virtuais (que podiam estar  no sobrado ou em qualquer outro computador conectado à internet).

Assim, os participantes reais perseguiram, no mapa, as pistas deixadas por seus oponentes. Quando chegavam a um lugar em que haveria um jogador virtual, fotografavam o espaço, capturando, assim, o inimigo. O corredor que capturasse mais jogadores virtuais (dizendo “Tô te vendo!”) venceria o jogo. Conhecido em países como Holanda, Espanha, Japão, Irlanda e Canadá, a versão para o Brasil contou com a empolgação que nos é própria, de acordo com Ju Row Farr, do Blast Theory: “Os brasileiros têm uma energia incrível”.

Um dos curadores do Arte.Mov, Rodrigo Minelli, faz coro: “Além de pessoas que estudam essas tecnologias e estavam presentes, o jogo despertou a curiosidade de quem passava na rua. Até crianças abordavam os corredores. E aqui, em Santa Tereza, a vista do sobrado permitia acompanhar o game nas duas esferas: tanto nas ruas quanto nas telas dos computadores”. Os ingleses ainda participaram das discussões teóricas do festival de arte e mobilidade e deram um workshop em BH.

O tom crítico permeou a pauta do simpósio Apropriações do (in)comum: espaço público e privado em tempos de mobilidade. Em tempos de web 2.0, em que a criação coletiva é elogiada e difundida, o Arte.mov parou para pensar no assunto. “Quando um adolescente alimenta uma rede social, por exemplo, está gerando um valor que não vai ser compartilhado com ele. É como se trabalhasse de graça. Assim, a web colaborativa faz parte de um processo econômico. E nem sempre os participantes desse jogo estão nitidamente informados ou sabem quem está ganhando com isso. Pensar de forma crítica é importante para distinguir o que nos interessa ou não nesse processo”, conclui Minelli.-->


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