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Estado de Minas Coluna do Bob Faria

Coluna do Bob Faria // As convicções equivocadas de todos nós

O Atlético venceu o Fortaleza, não por sorte, mas certamente não foi por planejamento do treinador


28/06/2022 04:00 - atualizado 28/06/2022 00:56

Bob Faria

O lendário Levir Culpi, entre tantas conquistas e trabalhos de primeira linha em uma dúzia ou mais de clubes pelo Brasil, contribuiu para o futebol com uma das expressões mais brilhantes já cunhadas ao se falar deste cenário. Principalmente porque, dono de uma fina ironia e raríssimo senso de humor, o professor referiu-se a si mesmo ao cunhá-la. 

Trata-se do já popular “burro com sorte”.Há quem diga que isso é impossível de ocorrer na vasta fauna futebolística. Eu sou desse time. Realmente não acredito que com sorte apenas alguém consiga construir uma carreira sólida em qualquer atividade. E mesmo os intelectos mais aguçados precisarão sempre de trabalho árduo e dedicação para que as coisas aconteçam.Pois bem, que fique claro. 

O fato de não acreditar na sorte como salvação da burrice, em longo termo, não significa dizer que não acredito que o acaso pode salvar episodicamente alguém de equívocos gigantescos.Já vi isso acontecer muitas vezes. Todos já vimos. Não só fora de campo, mas dentro também. Ou nunca aconteceu de alguém errar um cruzamento e a bola morrer no fundo do gol? Só pra dar um exemplo.Acontece. E embora não conduza ninguém ao triunfo definitivo, vez ou outra é determinante para o bom desenrolar, ou mesmo o despertar de algum torpor que o sucesso costuma infringir a quem o alcança.Já tive oportunidade de conversar com o próprio Levir sobre a minha aversão ao termo “burro” para se referir a alguém. Acho uma ofensa pesada demais. E aqui não vai nenhum demérito ao forte animal que literalmente carregou o desenvolvimento da humanidade nas costas durante tanto tempo. 

Mas chamar alguém de burro é destituí-lo daquilo que temos de mais humano, nossa capacidade de não só resolver problemas complexos, coisa que a maioria dos primatas e dezenas de outras espécies também fazem reptilianamente, mas de fazê-lo de maneira criativa, essa sim uma capacidade inerente aos humanos.O exemplo mais recente vimos no jogo do Atlético contra o Fortaleza. O treinador obviamente não é burro. 

Porém, como todos nós, não está imune a convicções equivocadas e movimentos errados no tabuleiro. São erros que evidentemente não foram cometidos por querer, mas por má avaliação do cenário. Até aí tudo relativamente bem. O que tenho dificuldade de entender (talvez seja eu o desprovido de capacidade de percepção) é qual a ideia por trás do erro. Porque as explicações dadas a perguntas simples, como “por que o senhor fez isso desta forma” sempre veem com uma resposta dispersiva.

Que o elenco do Atlético perdeu jogadores importantes todos sabemos. Que contusões e cansaço atrapalham a performance dos atletas, todos sabemos, mas porque escolher determinada estratégia dentro de um jogo é uma resposta que está dentro da cabeça do treinador. E uma boa comunicação ajudaria muito a compreender as ideias que são apresentadas dentro de campo.

O Atlético venceu o Fortaleza, não por sorte, mas certamente não foi por planejamento do treinador. Talvez por um insight, uma inspiração, uma epifania vinda de fora ou de dentro de campo. Mas não por uma estratégia bem traçada e executada.Hoje a competição é outra. Outro nível de dificuldade, e exigirá outro nível de concentração. E a margem de erro é muito menor. Por isso o torcedor do Atlético quer ver um jogo mais planejado e menos intuitivo. Porque não é sempre que a sorte bafeja os descuidados.

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