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Estado de Minas

Pro dia nascer feliz

Brasil pode viver, entre a noite de hoje e a manhã desta terça-feira, seu período mais profícuo em medalhas no Japão


02/08/2021 04:00 - atualizado 01/08/2021 21:30

Se ganhar do México amanhã, Seleção Brasileira de futebol vai à final olímpica e já assegura pelo menos a prata(foto: THEMBA HADEBE/AFP)
Se ganhar do México amanhã, Seleção Brasileira de futebol vai à final olímpica e já assegura pelo menos a prata (foto: THEMBA HADEBE/AFP)

Tóquio –
O início da segunda semana dos Jogos Olímpicos de Tóquio pode reservar uma madrugada histórica para o Brasil. Entre a noite desta segunda-feira e a manhã de terça, a delegação sonha com um desempenho perfeito que pode render a marca impressionante de até oito pódios. O país entra forte na briga por medalha em seis modalidades e é favorito a conquistar pelo menos quatro na canoagem, no atletismo, no futebol e no boxe. O Superesportes destrincha a noite dos sonhos para os brasileiros no Japão.

Atletismo

Alison dos Santos está voando nos 400m com barreiras. Na semifinal, percorreu o trecho em 47s31 (segundo melhor tempo da semifinal) e bateu o recorde sul-americano da prova, que era dele mesmo. O jovem de 20 anos é o principal nome do atletismo brasileiro em Tóquio e tem tudo para conquistar uma medalha. A final será à 0h20 de amanhã. Mais tarde, às 7h20, o Estádio Olímpico vai receber Thiago Braz, atual campeão olímpico no salto com vara. O brasileiro está longe de ser favorito – faz um ano regular, sem resultados expressivos –, mas pode surpreender. A maior estrela da prova é o sueco Armand Duplantis, recordista mundial. Em seguida, aparecem nomes como o francês Renaud Levillenie (derrotado por Braz no Brasil) e o estadunidense Christopher Nilsen. Com COVID-19, Sam Kendricks, também dos EUA, está fora.

Futebol

O time masculino do Brasil é grande candidato ao ouro. Com vários jogadores experientes, como o polivalente Daniel Alves e o goleiro Santos, e jovens promissores, chegou à semifinal após apresentar bom futebol na vitória por 1 a 0 sobre o Egito, nas quartas. Às 5h de amanhã, encara o México, em Kashima, e, se vencer, garante ao menos a medalha de prata. Japão e Espanha brigam pela outra vaga na decisão.

Boxe

O boxe já rendeu duas medalhas olímpicas para o Brasil em Tóquio, com Abner Teixeira (categoria entre 81kg e 91kg) e Hebert Conceição (até 75kg). A tendência é que saia ao menos mais um medalhista. A grande favorita a assegurar o terceiro pódio é Beatriz Ferreira, campeã mundial e candidata ao ouro na categoria 57kg e 60kg. A baiana vai enfrentar a uzbeque Raykhona Kodirova, nesta terça-feira, às 5h, pelas quartas de final. Se vencer, fica ao menos com o bronze, já que o boxe olímpico não tem disputa pelo terceiro lugar. Às 6h18, Wanderson de Oliveira encara o cubano Andy Cruz, em duelo que também vale vaga na semifinal. Trata-se de confronto mais complicado para o brasileiro, já que o adversário é uma das grandes estrelas da modalidade.


Vela
É praticamente impossível, mas, matematicamente, a dupla formada por Gabriela Nicolino e Samuel Albrecht ainda tem chance de medalha na Nacra 17 da vela. Os brasileiros se classificaram para a regata da medalha na 10ª colocação – última que garante vaga na rodada decisiva. A tendência é que fiquem sem o sonhado pódio em Tóquio.

 

Ginástica artística

Depois do brilho intenso de Rebeca Andrade, outra brasileira tenta fazer história no Centro de Ginástica de Ariake. Flávia Saraiva, de 21 anos, disputa a final da trave nesta terça-feira, a partir das 5h50. Ela chegou a Tóquio como candidata a três medalhas, mas se machucou durante a classificatória do solo. A torção no tornozelo direito a fez chorar e a desistir dos demais aparelhos para se concentrar na trave. Nos últimos dias, tentou acelerar o processo de recuperação, mas a lesão pode atrapalhar sua caminhada.

Canoagem
Não conquistar medalha na canoagem nesta segunda-feira seria uma das grandes decepções da Olimpíada para o Brasil. Dono de duas pratas e um bronze na Rio'2016, Isaquias Queiroz terá como parceiro Jacky Godmann na final da C2 1.000m. Originalmente, a dupla do medalhista olímpico seria Erlon Souza, que foi vetado por causa de uma lesão crônica. Isaquias e Jacky não são exatamente favoritos ao ouro nesta categoria. Juntos, foram bronze em competição recente, que reuniu alguns dos principais adversários. Em Tóquio, enfrentam forte concorrência de chineses, alemães e cubanos no Sea Forest Waterway. A final será hoje, às 23h53, e só não contará com a presença do Brasil em caso de surpresa enorme na fase anterior.

Além da meta

Tóquio – As projeções da equipe olímpica da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) não previam um sucesso tão grande nos Jogos de Tóquio. “Se alcançarmos uma medalha no masculino e uma no feminino, cumprimos o prognóstico”, disse, antes, o técnico Mateus Alves. Mas os atletas brasileiros têm tudo para superar a expectativa. Ontem de manhã (horário de Brasília), Hebert Conceição avançou à semifinal da categoria até 75kg e garantiu ao menos o bronze – o segundo pódio entre os homens. A tendência é que ao menos mais um boxeador do país seja consagrado.

O soteropolitano de 23 anos não se conteve ao derrotar, por 3 a 2, o cazaque Abilkhan Amankul, vice-campeão mundial em 2017. “Sou medalhista olímpico, ca...! Eu mereço para ca...! Nós trabalhamos para ca..., p...”, comemorou, em entrevista à TV Globo, logo após sair do ringue. A espontaneidade tomou conta das redes sociais.

Depois, mais calmo, falou com a imprensa na zona mista da Kokugikan Arena, templo do sumô japonês, que recebe as competições de boxe nos Jogos Olímpicos. “Sensação incrível escrever o meu nome na história do esporte brasileiro como medalhista olímpico. Eu que sempre sonhei quando comecei no esporte, em 2013. Fico muito feliz e agradeço a todas as pessoas que fizeram parte disso. Apesar de lutar sozinho no ringue, esta medalha tem muita gente que trabalha comigo. Manter o foco porque ainda faltam duas lutas.”

Na semifinal, Hebert tentará ‘mudar a cor’ da medalha. Para isso, precisa passar por Gleb Bakshi, que representa o Comitê Olímpico Russo. O combate será na quinta-feira, às 3h18.

Boxe já tinha garantido pódio com Abner Teixeira, que, na última sexta-feira, avançou à semifinal. O paulista de 24 anos enfrentará o cubano Julio la Cruz, uma das estrelas da modalidade, em busca da decisão da categoria entre 81kg e 91kg. O combate será às 6h50 de quinta-feira.

Favorita
Mas o principal nome brasileiro no boxe é uma mulher. Beatriz Ferreira, atual campeã mundial, está nas quartas de final da categoria entre 57kg e 60kg. “Eu não me prendo ao favoritismo não. Até esqueço que sou o alvo”, contou a baiana, após vencer a estreia com certa facilidade. A próxima luta dela – que é favorita ao ouro – será contra a uzbeque Raykhona Kodirova, às 5h desta terça-feira. Se vencer, garante ao menos o bronze e faz o time brasileiro superar as expectativas iniciais da CBBoxe para Tóquio.

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