Jornal Estado de Minas

CRUZEIRO

Cruzeiro informa dívida de R$ 897 milhões; veja detalhes do balanço de 2020

O Cruzeiro atualizou a sua dívida global para R$ 897 milhões no balanço financeiro de 2020 a ser apreciado pelos integrantes do Conselho Deliberativo na próxima quinta-feira, 29 de abril, em reunião virtual. A reportagem do Superesportes teve acesso ao documento de 33 páginas com informações detalhadas sobre receitas e despesas.







O déficit de R$ 226,5 milhões foi inferior ao de 2019, quando o clube registrou R$394,1 milhões no vermelho no ano do rebaixamento à Série B. Seguem os principais pontos negativos destacados pela diretoria nas contas de 2020:

R$ 60 milhões como provisões para contingências
R$ 33 milhões variação cambial líquida por conta da desvalorização do real no período
R$ 53 milhões de perda de parcelamentos tributários
R$ 48 milhões de custo líquido de liberação de atletas
R$ 36 milhões de custo de acordos/indenizações de processos judiciais
R$ 15 milhões de atualização de juros s/empréstimos
R$ 9 milhões de impairment de atletas

Nos cinco primeiros meses de 2020, o clube anunciou um prejuízo de R$ 259,2 milhões, porém a gestão do presidente Sérgio Santos Rodrigues, iniciada em junho, conseguiu diminuir o déficit em quase R$ 33 milhões, chegando aos R$ 226,5 milhões.

Receitas


Com relação às receitas, o Cruzeiro faturou R$ 118,8 milhões líquidos em 2020, 57,7% a menos que os R$280,8 milhões em 2019. A baixa expressiva se deve à queda à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, que impactou drasticamente em cotas de televisão - de R$102,5 milhões para R$40,3 milhões.

Outra redução importante foi registrada em vendas de direitos econômicos. Em 2019, o Cruzeiro acumulou mais de R$108 milhões ao negociar atletas como Arrascaeta, Murilo, Raniel e Lucas Romero. Em 2020, os ativos celestes sofreram desvalorização e saíram por R$ 23,45 milhões, sendo os principais Edu, Maurício, Renato Kayzer e Caio Rosa.





A pandemia de COVID-19 praticamente minou o faturamento com bilheteria, uma vez que os estádios não recebem público há mais de um ano devido ao risco sanitário provocado por aglomerações. Assim, o Cruzeiro embolsou pouco mais de R$1 milhão em venda de ingressos, ante R$18,5 milhões em 2019.

Em compensação, o sócio-torcedor praticamente se manteve fiel ao programa, proporcionando arrecadação de R$ 11,8 milhões, relativamente próxima aos R$ 14,12 milhões do ano passado. Mesmo na Série B, o Cruzeiro obteve R$33,7 milhões de patrocínios/royalties em 2020, valor superior aos R$27,34 milhões de 2019.

“As receitas do clube tiveram uma redução no montante de R$ 166 milhões em relação ao ano anterior de 2019. Essas quedas ocorreram nas rubricas de venda dos direitos televisivos e venda de direitos econômicos, em função do descenso à Série B, além da queda expressiva das bilheteiras de jogos e clubes sociais em função da pandemia. O clube vem buscando outras formas de receitas usando estratégias de marketing em ações de monetização e engajamento, além da busca de novos clientes”.





Outras receitas
R$ 6,731 milhões em 2019
R$ 5,698 milhões em 2020

Associados / escolinhas
R$ 11,538 milhões em 2019
R$ 7,14 milhões em 2020

Sócio-torcedor
R$ 14,12 milhões em 2019
R$ 11,8 milhões em 2020

Bilheteria
R$ 18,516 milhões em 2019
R$ 1,042 milhão em 2020

Patrocínios / Royaties
R$ 27,34 milhões em 2019
R$ 33,753 milhões em 2020

Publicidade e transmissões de TV
R$ 102,596 mi em 2019
R$ 40,377 mi em 2020

Direitos econômicos (vendas) e cessões de atletas
R$ 108,109 milhões em 2019
R$ 23,453 milhões em 2020

Custo com futebol profissional


No balanço, o Cruzeiro detalha que o futebol profissional custou R$ 250 milhões em 2020. A marca é 43% menor em relação a 2019, quando a Raposa desembolsou R$438 milhões com a equipe que acabou rebaixada à Série B do Campeonato Brasileiro.

Chama atenção o aumento de cerca de R$30 milhões no ítem "acordos e indenizações", muito em função da necessidade das rescisões contratuais feitas com jogadores que deixaram o clube após o rebaixamento no fim de 2019. 

O valor gasto com futebol profissional no ano passado é maior do que em 2016 e 2017, quando a equipe ainda disputava a Série A. Em 2017, marcado pela conquista do título da Copa do Brasil, o Cruzeiro arcou com R$ 245 milhões.





“O clube vem buscando reduzir despesas do departamento de futebol. Sabemos que para criar um time competitivo para ter possibilidade de buscar posições expressivas nas tabelas das competições é necessário investir, porém investir com consciência é um dos pilares do clube”, diz uma nota explicativa do balanço.

Últimos 5 anos:

2016 - R$ 193 milhões
2017 - R$ 245 milhões
2018 - R$ 306 milhões
2019 - R$ 438 milhões
2020 - R$ 250 milhões

Fifa


O Cruzeiro dedicou um espaço dos comentários do desempenho financeiro de 2020 para tratar das dívidas na Fifa. De acordo com o documento, o débito cobrado na entidade máxima do futebol em dezembro de 2020 era de R$ 82,6 milhões - o número alcançou a impressionante marca de R$ 112 milhões em junho do ano passado.


Neste tópico é relembrada a 'Operação Fifa’, plataforma criada para que torcedores pudessem doar valores ao Cruzeiro de diferentes maneiras. O objetivo era ajudar, especificamente, no pagamento desses débitos. 





Segundo o documento enviado aos conselheiros nesta sexta-feira, foram utilizados R$ 722 mil da 'Operação Fifa’ para pagamento de impostos ou custos processuais de oito ações, além de uma parcela da dívida com o Independiente del Valle pelo zagueiro Kunty Caicedo no valor de R$ 353 mil (veja detalhes no quadro abaixo).

Custas processuais na Fifa (foto: (Foto: Reprodução))


Perfil da dívida


Em comunicado na noite desta sexta-feira, o Cruzeiro salientou a redução do débito em curto prazo de 77% do valor total, em 2019, para 36,5%, em 2020. O endividamento total, conforme já citado anteriormente, é de R$ 897 milhões.

“O Cruzeiro Esporte Clube está trabalhando para melhorar os índices de liquidez, reduzindo o passivo circulante e alongando dívidas. Em constante negociação com os credores, buscou-se uma melhor forma em que ambas as partes estejam em comum acordo. É possível notar a redução do curto prazo em R$298 milhões em comparação a 31/12/2019, em contrapartida aumento no passivo não circulante de R$ 391 milhões. Essa situação permitiu ao clube ter uma melhoria no fluxo de caixa. Por fim, no último trimestre de 2020, foram celebrados acordos trabalhistas e fiscais expressivos que possibilitaram o alongamento de dívidas”.





Um dos pontos relevantes para a diminuição das pendências foi o acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para parcelamento de tributos. A dívida ativa de R$ 334,1 milhões caiu para R$ 182,3 milhões - o que representa uma economia de quase R$ 152 milhões. Além disso, o pagamento será feito em 145 meses contados a partir de outubro de 2020.

Passivo circulante do Cruzeiro - R$ 312 milhões

Fornecedores - R$ 11,3 milhões
Empréstimos e financiamentos - R$ 14,4 milhões
Obrigações trabalhistas e sociais - R$ 90,8 milhões
Obrigações fiscais correntes - R$ 16,3 milhões
Obrigações fiscais e sociais parceladas - R$ 39,3 milhões
Contas a pagar - R$ 136,3 milhões
Outras contas a pagar - R$ 3,1 milhões

Passivo não circulante do Cruzeiro - R$ 585 milhões

Empréstimos e financiamentos - R$ 113,8 milhões
Obrigações trabalhistas e sociais - R$ 72,6 milhões
Obrigações trabalhistas e sociais parceladas - R$ 178,2 milhões
Contas a pagar - R$ 62,4 milhões
Provisão para contingência - R$ 158,2 milhões
 
Perfil da dívida do Cruzeiro (foto: (Foto: Reprodução))
 
 

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