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Estado de Minas CAMPEONATO MINEIRO

Premiados pela postura tática

Depois do clássico, os técnicos Felipe Conceição, do Cruzeiro, e Cuca, do Atlético, concordaram que a vitória celeste foi merecida, diante do empenho da equipe


12/04/2021 04:00

Felipe Conceição, técnico do Cruzeiro:
Felipe Conceição, técnico do Cruzeiro: "Soubemos ser disciplinados, eficientes e ter a entrega que o jogo pedia. O que me deixou mais feliz foi a manutenção do padrão de jogo o tempo todo" (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)


De um lado, um discurso animador, marcado pelo orgulho de ter conquistado uma vitória improvável num clássico de muita marcação e com poucas chances de gol. Do outro, palavras sinceras ao reconhecer o mérito do adversário. Os técnicos Felipe Conceição, do Cruzeiro, e Cuca, do Atlético, analisaram a vitória celeste por 1 a 0, no Mineirão, de formas parecidas. Ambos concordaram ao apontar que o triunfo da Raposa foi justo, diante da ótima postura tática dos jogadores durante os 90 minutos.

Ao longo da semana, Felipe Conceição revelou ter feito um pacto com os jogadores celestes para que eles tivessem muita intensidade nas roubadas de bola e buscassem a regularidade durante todo o jogo. A estratégia surtiu muito efeito, mesmo que o Atlético tenha dominado a posse de bola (em torno de 70%) em toda a partida.

Ele teceu muitos elogios ao grupo: “Soubemos ser disciplinados, eficientes e ter a entrega que o jogo pedia. O que me deixou mais feliz foi a manutenção do padrão de jogo o tempo todo. Jogos assim são definidos em detalhes, e conseguimos ser superiores. Foi uma vitória merecida. Não vencemos nada ainda. Estamos iniciando uma temporada, em que o objetivo principal é o acesso no fim do ano. Mas, hoje, colocamos mais um tijolo nessa caminhada”. O treinador também destacou o fato de o Cruzeiro manter a postura das vitórias sobre Boa e Coimbra, na qual a equipe teve muita velocidade no contra-ataque e eficiência nas conclusões: “Não fugimos de nossas características por causa do adversário. Os atletas tiveram coragem e confiança de manter o padrão, mesmo atuando com um time com mais qualidade”.

Outro ponto destacado pelo comandante da Raposa foi o ótimo papel defensivo da equipe. Com apenas três gols sofridos, a equipe tem a melhor defesa da competição e não levou gol em seis das nove partidas até o momento. Diante do Atlético, o zagueiro Manoel se tornou desfalque de última hora, porque negocia a transferência para o Fluminense. Weverton formou dupla de zaga com Ramon diante do Galo. “Mesmo com a consistência defensiva, estamos jogando para a frente e buscando o gol. Isso nos deixa orgulhosos. O que construímos estamos vendo dentro de campo. É um processo que deve continuar, que ainda tem margem de crescimento grande, mas precisamos de humildade de continuar nosso trabalho e nos empenhando ao máximo”, ressaltou Conceição.

O Cruzeiro agora se prepara para encarar a viagem para o Nordeste, onde encara o América-RN, quarta-feira, às 21h30, na Arena das Dunas, pela segunda fase da Copa do Brasil. Pelo Mineiro, o time celeste só volta a campo no fim de semana, contra o Pouso Alegre, fora de casa. O volante Jadson e o atacante Willian Pottker cumprem suspensão automática.
 
Cuca, técnico do Atlético:
Cuca, técnico do Atlético: "Vamos provavelmente terminar como líderes na primeira fase e ter a vantagem. Mas essa derrota é horrível. Temos de tirar lições disso" (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
 

DISCURSO SINCERO

Cuca teve um discurso muito sincero depois do clássico. Além de reconhecer a superioridade do Cruzeiro, ele assumiu a culpa pela derrota diante do arquirrival. De quebra, ainda colocou jogadores em estado de alerta com relação à estreia na Copa Libertadores, na próxima semana, contra o Deportiva La Guaira, na Venezuela. “Vamos provavelmente terminar como líderes na primeira fase e ter a vantagem. Mas essa derrota é horrível. Temos de tirar lições disso. O Mineiro é importante, mas o Brasileiro, a Copa do Brasil e a Libertadores são importantíssimos. Se tivermos esse tipo de atitude em meu comando, não vamos ganhar nada. A partir de um jogo desses, vou dirigir meu trabalho em cima de cobranças, de entrega, de determinação. Hoje a culpa é minha. Os jogadores estão isolados da culpa. Vamos trabalhar mais forte do que antes. Teremos outros clássicos e quem sabe teremos melhor atuação”, destacou o treinador atleticano, que assumiu o Galo em meio à disputa da competição estadual.

O treinador reconheceu que o Galo era favorito no contexto do clássico e assumiu que foi único o responsável pelo improvável revés no Mineirão: “O torcedor do Galo vai querer passar por dentro da TV para me pegar, com toda razão. Se eu estivesse no lugar, estaria p... do mesmo jeito por tudo o que se criou durante a semana, o favoritismo, não falado por nós e sim explícito pela imprensa pelo investimento que temos. Dentro do campo, ocorreu o contrário. Hoje, se eu não viesse aqui e assumisse a culpa pelo resultado, não seria eu. A culpa é minha. Você tem um time que não jogou bem, ninguém jogou bem. Não é culpa do jogador e sim do treinador, porque ele tem a obrigação de fazer esse time que não jogou bem dar certo".

Por fim, o comandante entendeu que foi muito difícil buscar o resultado depois que o Galo tomou o gol no segundo tempo: “Por mais que você tenha tido 70% de posse de bola, o adversário mereceu vencer. Eles foram eficazes em uma das três oportunidades que tiveram. Fizeram o gol e disputaram o jogo numa intensidade muito grande depois que abriram o placar, porque a partida fica muito a mercê daquele que está vencendo. É muito mais fácil você destruir do que ter de construir e empatar. Usamos todas as características para buscar o empate, mas não foi possível".

O lateral-esquerdo Guilherme Arana também disse que sua equipe não jogou o suficiente para vencer: “Clássico não tem favorito, é um jogo à parte. Sabemos que podemos nos doar mais. Mas o ano está apenas começando. Temos de levantar a cabeça e trabalhar. Temos que evoluir bastante com a certeza de que teremos muitos triunfos pela frente”.

O Atlético terá os desfalques do zagueiro Igor Rabello e do atacante Hulk contra o Boa, domingo, novamente, no Mineirão. Cuca deve mandar a campo um time completamente reserva, já que a equipe terá viagem longa para a Venezuela. O voo deve sair do Brasil no próprio domingo ou na segunda-feira (19).


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