Jornal Estado de Minas

SÉRIE B

América x Cruzeiro: clássico opõe times em momentos distintos em 2020

Nos prognósticos para a Série B do Campeonato Brasileiro, América e Cruzeiro foram citados como candidatos a brigar por título e acesso. Passados quase quatro meses, apenas o alviverde faz justiça às avaliações favoráveis ao aparecer na segunda colocação, com 44 pontos - a seis da líder Chapecoense (50). O clube celeste, por sua vez, está na parte de baixo da classificação, em 16º, com 28. Em cenários distintos, os times se enfrentam nesta quarta-feira, às 21h30, no Independência, pela 25ª rodada.





Mandante do clássico, o América mostrou ao país que é possível montar um grupo equilibrado e com bons jogadores dentro de um orçamento enxuto, de R$ 37 milhões - valor definido em fevereiro, antes da pandemia de COVID-19. O sucesso do Coelho tem várias explicações, entre as quais a responsabilidade de uma diretoria que se preocupa em manter os salários em dia e a filosofia de trabalho de Lisca, profissional de grande conhecimento técnico e tático que esbanja competência e deixa o rótulo de “doido” cada vez mais no imaginário popular.

Dentro de campo, os destaques são o artilheiro Rodolfo, com 13 gols em 37 jogos em 2020, e o “ensaboado” Ademir, que aprontou para cima de defensores de Corinthians e Internacional nos mata-matas da Copa do Brasil com dribles e arrancadas. Mas esses dois só se sobressaem devido à força coletiva de uma equipe que tem a categoria de Alê e a bravura de Juninho no meio-campo, a qualidade do lateral-esquerdo João Paulo na bola parada, a competência no jogo aéreo de Messias e Anderson, a capacidade de desarme de Zé Ricardo, as peças de reposição para todos os setores e outras virtudes.

Com apoio dos auxiliares Cauan de Almeida, Márcio Hahn e demais integrantes da comissão técnica, Lisca transmitiu de maneira eficiente o conhecimento teórico para a parte prática. Hoje, o América é uma equipe que varia bastante a sua formação, saindo de um habitual 4-3-3 para esquemas alternativos como o 4-1-4-1 e o 4-1-3-2 . E os atletas, mesmo quando são utilizados em um função à qual estão pouco habituados, assimilam bem as orientações do comanda

Na Série B, o Coelho contabiliza 12 vitórias, oito empates e quatro derrotas, com 25 gols marcados e 15 sofridos. Na Copa do Brasil, são cinco triunfos, quatro empates e apenas um revés em dez jogos, com as semifinais a serem disputadas nos dias 23 e 30 de dezembro, contra o Palmeiras, em Allianz Parque e Independência, respectivamente. Já o Cruzeiro, que caiu na terceira fase do torneio do qual é hexacampeão sem ganhar uma partida sequer - eliminado pelo CRB -, não consegue engrenar na segunda divisão, apesar do orçamento superior ao de todos os concorrentes (R$ 54 milhões em receitas de janeiro a maio de 2020). A probabilidade de acesso, conforme o Departamento de Matemática da UFMG, é de 0,92%.





Estatisticamente, o Cruzeiro teria condições de ultrapassar a Ponte Preta, sétima colocada, com 37, em caso de vitória sobre o América. Entretanto, o time celeste começou a competição com seis pontos a menos devido a uma punição na Fifa e jamais ingressou no G4. As atuações aquém do esperado levaram a diretoria a demitir Enderson Moreira, na oitava rodada, e Ney Franco, na 15ª. O clube apostou no renomado Luiz Felipe Scolari para tentar um milagre na competição e fechou vínculo até dezembro de 2022.

Embora Felipão tenha até aqui 62,5% de aproveitamento - quatro vitórias, três empates e uma derrota -, o Cruzeiro continua distante do G4. São 12 pontos a menos que o quarto colocado, Juventude, cujo adversário desta noite é o penúltimo Botafogo-SP, às 19h, no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Para subir à elite do Brasileirão no ano do centenário de fundação, o clube celeste precisa contabilizar 11 triunfos e dois empates nas últimas 14 rodadas (83,33%).

O problema é que o Cruzeiro não transmite segurança à sua torcida para encaixar série de três ou quatro resultados positivos e decolar na Série B. Exemplo disso foi a boa atuação no triunfo em cima da Chapecoense, por 1 a 0, em 24 de novembro, em Santa Catarina, seguida de um revés por 2 a 1 para o Confiança, no Mineirão, no dia 27. O próprio Scolari e alguns jogadores do grupo já evitam fazer planos para o G4, mesmo com o presidente Sérgio Santos Rodrigues mantendo o discurso otimista nas entrevistas que concede.





Times

As duas equipes virão com novidades para o clássico desta quarta-feira - o último da década e o 372º da história - 157 triunfos celestes, 112 empates e 102 vitórias alviverdes. O América terá o volante Flávio no lugar de Zé Ricardo, que lesionou a coxa esquerda, e pode contar com Diego Ferreira, recuperado de COVID-19, na vaga de Daniel Borges. Já o Cruzeiro deve promover a entrada de Matheus Pereira no lugar de Patrick Brey, além da possibilidade de ter Ramon novamente como volante e Cacá ao lado de Manoel na zaga.

AMÉRICA X CRUZEIRO

AMÉRICA
Matheus Cavichioli; Daniel Borges (Diego Ferreira), Messias, Anderson e João Paulo; Flávio, Juninho e Alê; Ademir, Felipe Azevedo e Rodolfo
Técnico: Lisca

CRUZEIRO
Fábio; Raúl Cáceres, Manoel, Ramon e Matheus Pereira; Adriano (Cacá) e Jadsom Silva; Airton, Régis (Marcelo Moreno) e William Pottker; Rafael Sobis
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Motivo: 25ª rodada da Série B
Estádio: Independência
Data: quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Horário: 21h30
Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)
Assistentes: Márcio Gleidson Correia Dias e Helcio Araujo Neves (PA)

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