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Estado de Minas ADEUS A MARADONA

Chore por mim, Argentina

Corpo de Maradona será velado a partir de hoje, na Casa Rosada, sede do governo, que decretou três dias de luto no país, em meio à comoção nacional. Nápoles, na Itália, também está em lágrimas


26/11/2020 04:00

Logo que foi anunciada a morte do maior ídolo do futebol argentino, milhares de pessoas saíram às ruas da capital, Buenos Aires, para lamentar a grande perda (foto: Fotos AFP)
Logo que foi anunciada a morte do maior ídolo do futebol argentino, milhares de pessoas saíram às ruas da capital, Buenos Aires, para lamentar a grande perda (foto: Fotos AFP)


A morte de Diego Maradona levou a Argentina às lágrimas. O presidente Alberto Fernández decretou três dias de luto oficial no país. "Por ocasião da morte de Diego Armando Maradona, o presidente da nação vai decretar três dias de luto nacional a partir da data", afirmou o breve comunicado, na sequência da morte de Maradona, ocorrida em Tigre, na Região Metropolitana de Buenos Aires. Fernández também publicou curta mensagem nas redes sociais sobre a morte do maior ídolo do futebol no país, com uma foto em que os dois se abraçam. Ele se declarou grato pela felicidade que Maradona deu aos torcedores. "Você nos levou ao ponto mais alto do mundo. Nos fez imensamente felizes. Foi o maior de todos. Obrigado por ter existido, Diego. Vamos sentir a sua falta por toda a vida", escreveu Fernández. O corpo do ídolo será velado a partir de hoje na Casa Rosada, sede do governo argentino. Antes, passará por autopsia, mas o fiscal do Departamento Judicial de San Isidro, John Brovad, adiantou que não havia sinais de violência no corpo.

Fernández é torcedor do Argentino Juniors, clube pelo qual Maradona deu seus primeiros passos no futebol. Em entrevista a uma rádio local, relembrou que teve um encontro com o craque em fevereiro. "Eu sempre tirei o melhor dele, o genuíno, o original. O que ele não gostava, te dizia. O que gostava, também", afirmou. "Sentimos que éramos os mais poderosos do mundo com o Diego. Uma perda horrível", acrescentou. Ex-presidente da Argentina e vice de Fernández, Cristina Kirchner também afirmou: Muita tristeza, muita. "Se foi um grande. Adeus, Diego, nós te amamos. Um grande abraço à sua família e entes queridos", disse, por meio de sua conta na rede social Twitter.

O papa Francisco, que é argentino, não se pronunciou sobre a morte, apenas o Vaticano, em seu site oficial:  “Poeta do futebol. Um jogador extraordinário, mas um homem frágil”. Foi o jornal argentino Clarín o primeiro a dar ao mundo a notícia da morte do astro do futebol. Algumas horas depois da manchete “Morreu Diego Maradona”, o jornal deu grande destaque à comoção causada pela partida do ídolo. 

Tão logo foi anunciada a morte, milhares de pessoas saíram às ruas de Buenos Aires. A multidão se aglomerou no Obelisco, ponto turístico da capital, para homenagear o craque e também no entorno de estádios onde ele jogou. A Associação de Futebol Argentina (AFA) homenageou o jogador, que também recebeu reverências de seus ex- clubes, Boca Juniors, Napoli e Argentinos Juniors. “Hasta siempre, Diego. Serás eterno en cada corazon del planeta fútbol”, postou o Boca, junto a uma foto de Maradona beijando a taça da Copa da Mundo de 1986. “Diego eterno”, afirmou o Argentinos Juniors, onde Maradona começou sua carreira, em mensagem ao lado da camisa 10 do clube com o ano de nascimento do craque, 1960, e o símbolo de infinito. “Per sempre. Ciao Diego”, postou o clube italiano Napoli, em seu perfil oficial no Twitter, com a foto de Maradona usando a camisa do clube italiano. “Thank you for everything, Diego”, disse o Barcelona, onde Maradona jogou, com foto do craque com a camisa do clube. “No hay palabras. Siempre estarás em nuestros corazones”, afirmou o Newells Old Boys.
Maradona foi reverenciado em Nápoles, cidade italiana onde também se destacou
Maradona foi reverenciado em Nápoles, cidade italiana onde também se destacou

Companheiros de Maradona na Seleção Argentina, como os ex-atacantes Gabriel Batistuta e Claudio Cannigia, também lamentaram o falecimento do ídolo pelas redes sociais. Em depoimento à agência de notícias Reuters, o ex-técnico César Luis Menotti disse estar "destruído" com a morte do craque. "Não tenho nenhuma explicação, muita dor. Não há opinião que sirva diante disso, não tenho cabeça", declarou Menotti. Atacante da Juventus, da Itália, o português Cristiano Ronaldo disse, pelo Instagram, que se despedia de um "amigo" e que o mundo dava adeus a um "gênio eterno" e a um "mágico inigualável". "Parte demasiado cedo, mas deixa um legado sem limites e um vazio que jamais será preenchido. Descansa em paz, craque", comentou o camisa 7.

ESTÁDIO ITALIANO TERÁ O NOME DO CRAQUE

A morte do craque causou comoção em Nápoles, na Itália, também. O prefeito Luigi de Magistris, anunciou uma grande homenagem ao ex-jogador. O político usou as redes sociais para informar que o estádio San Paolo, casa do Napoli, passará a ser chamado de Diego Armando Maradona, considerado o maior ídolo da história do clube italiano. Maradona chegou ao Napoli em 1984, após uma passagem de dois anos no Barcelona, onde foi a contratação mais cara da história. 
 
No time italiano, viveu o auge de sua carreira e logo se transformou em ídolo da torcida. Magistris relembrou os sete anos de passagem do jogador no clube e ressaltou que “[Diego] resgatou Nápoles com sua genialidade”.  Vestindo a camisa do Napoli entre 1984 e 1990, o ex-jogador foi bicampeão italiano e venceu também a Copa e a Supercopa da Itália, além da Copa da Uefa. "Diego fez nosso povo sonhar. Ele resgatou Nápoles com sua genialidade. Em 2017, tornou-se cidadão honorário. Diego, napolitano e argentino, você nos deu alegria e felicidade", escreveu Magistris, no Twitter.

O clube italiano mudou a foto dos seus perfis nas redes sociais para um escudo na cor preta, sem o tradicional azul, em sinal de luto. Em uma das postagens destinadas ao craque, o clube disse que "o mundo aguarda nossas palavras, mas não há palavras para descrever a dor que estamos passando. É o momento de lamentar". 
Homenagens ao craque deverão durar vários dias por todas as cidades argentinas
Homenagens ao craque deverão durar vários dias por todas as cidades argentinas

A conta oficial do clube no Twitter replicou desde o anúncio da morte todas as homenagens prestadas por equipes europeias. Jogadores de outros países também comentaram a morte. Pelo Twitter, o francês Kylian Mbappé afirmou que a "lenda" Maradona permanecerá "para sempre" na história do futebol. "Obrigado pelo prazer que você deu a todo o mundo", escreveu o atacante do Paris Saint-Germain, da França. Ele concluiu a postagem lamentando o difícil ano de 2020, marcado por perdas e pela pandemia do novo coronavírus. 

Além de personalidades do futebol, clubes e entidades também se manifestaram nas redes sociais. Em seu perfil oficial no Twitter, a Fifa publicou uma mensagem do presidente Gianni Infantino: "É um dia inacreditavelmente triste. Nosso Diego nos deixou. Nossos corações – e os dos que o amavam por quem ele era e o que representava - pararam por um momento. Descanse em paz, querido Diego. Te amamos”.

Posições políticas

Fora de campo, Maradona também teve opiniões políticas contraditórias. Foi próximo do ex-presidente cubano Fidel Castro, e tinha tatuagem na panturrilha do líder  revolucionário argentino Ernesto Che’ Guevara. Mas também foi próximo do ex-presidente argentino Carlos Menem. Em 1994, Menem negociou diretamente com Roberto Cruz, presidente do Mandiyú, pequeno clube de futebol da província de Corrientes, a contratação de Maradona para técnico da equipe. Em 2005, Maradona foi recebido com pompa no Palácio Miraflores, sede do governo da Venezuela, pelo ex-presidente Hugo Chávez. Após o encontro, Maradona afirmou que havia ido para lá “encontrar um grande homem”, mas acabou encontrando um “gigante”. Na Copa América de 2007, na Venezuela, Maradona voltou ao país como convidado de honra para dar o pontapé inicial da competição.
 
 

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