Jornal Estado de Minas

Série B

Cruzeiro diminui pendências no campo financeiro


A semana que termina hoje é uma das melhores para os cruzeirenses neste ano tão complicado para o clube. Além de ter reencontrado o caminho das vitórias na Série B do Campeonato Brasileiro (com o 1 a 0 sobre o Operário-PR, fora de casa), o clube anunciou uma série de medidas administrativas que deixaram a torcida um pouco mais animada, ainda que a situação ainda seja preocupante.



O clube resolveu pendências financeiras importantes, realizando pagamentos ao Zorya-UCR pela compra de Willian, quitou a rescisão contratual do atacante Ábila e fez os acertos com os integrantes da comissão técnica comandada por Paulo Bento – que dirigiu o time em 2016.

Nesta sexta-feira (23), colocou salários dos funcionários em dia e anunciou acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para equacionar dívidas com a União. Segundo as partes, o débito cairá de R$ 334.182.840,98 para R$ 151.798.099.

A redução de cerca de 45% é referente aos encargos. O montante será pago em 60 parcelas mensais, no caso das dívidas previdenciárias, e em 145 parcelas para as demais.

Além disso, a negociação prevê a utilização de depósito judicial de R$ 6 milhões para pagamento imediato de débitos sem descontos. Nos primeiros 12 meses serão pagos R$ 350 mil por mês, com acréscimos na sequência.



Diferentemente do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), do qual o Cruzeiro foi excluído definitivamente por deixar de pagar as parcelas, a transação firmada ontem exige garantias. A informação é que foram empenhados bens imóveis do clube.

E é justamente um dos imóveis que poderá ser diretamente afetado pelo acordo. Trata-se do lote localizado no Bairro Santa Branca, em frente à Sede Campestre, que chegou a ser colocado à venda pelo mínimo de R$ 13, 6 milhões, mas a transação foi abortada pela União como garantia para pagamento da dívida.

Além disso, será possível, a partir de agora, desbloquear valores referentes à venda do uruguaio De Arrascaeta ao Flamengo. E também homologar acordo com a Minas Arena quanto à dívida de cerca de R$ 20 milhões com a concessionária pelo não pagamento de custos operacionais do Mineirão desde 2013. Cerca de R$ 10 milhões estão depositados em juízo, mas não podiam ser utilizados.



“Conseguimos uma condição muito especial para a quitação dos débitos do clube e ainda obtivemos a descontinuação de processos que corriam na Justiça e impediam a continuidade de muitos projetos”, afirmou o superintendente jurídico do Cruzeiro, Flávio Boson. “Esse acordo é algo que nos traz tranquilidade para trabalhar sem bloqueios e nós dá ainda a possibilidade de planejar os pagamentos”, disse Matheus Rocha, diretor de Controladoria e Finanças (CFO) celeste.

Para completar a alegria celeste, nada melhor que o time conseguir a segunda vitória seguida no domingo, quando enfrenta o Náutico, no Recife, pela 18ª rodada da Série B.

O técnico Luiz Felipe Scolari comanda na manhã deste sábado o último treino em Atibaia (SP) e à tarde a delegação segue para a capital pernambucana.

Outros problemas Apesar de a diretoria comemorar os recentes acordos, a situação financeira do clube ainda é difícil. Além de buscar recursos para pagar as contas, há dívidas a serem pagas no horizonte, como as cobradas por Fiorentina (por Dodô) e Pyramids (Rodriguinho) – ambos foram contratados em 2019 –, além do processo movido por Thiago Neves, que rescindiu contrato no início deste ano.

Caixa celeste


R$ 1 
bilhão
era o valor total do débito que o clube registrava no primeiro semestre deste ano

R$ 215 
milhões
é o montante que a atual diretoria celeste conseguiu diminuir da dívida





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