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Estado de Minas ENTREVISTA/NORMA DUMONT

Mineira estreia hoje no UFC


postado em 29/02/2020 04:00

"A responsabilidade da vitória é minha. Pra mim, não tem isso. Eu não aceito perder para ninguém" (foto: Fotos: Roberto Nonato/DIvulgação)


"Chegou o momento de mostrar o meu trabalho para o mundo"


Depois de longa espera, chegou o momento da estreia. Norma Dumont, de 29 anos, viveu grande expectativa até pisar pela primeira vez no octógono do Ultimate Fighting Championship (UFC). A mineira de BH debutará na principal organização de artes marciais mistas hoje, em Norfolk, no estado da Virgínia (EUA). A adversária é uma atleta conceituada, a australiana Megan Anderson, que já foi campeã do Invicta, liga exclusiva para o MMA feminino. O confronto será válido pela divisão peso-pena (até 66kg), no card principal do UFC Fight Night 169.

Norma assinou com o UFC em março do ano passado e passou por longa espera até os procedimentos exigidos pela organização, como treinamento específico e o programa antidoping sob supervisão da Agência Antidoping dos EUA (Usada). Enquanto se preparava, a mineira queria uma adversária de renome na estreia e foi atendida: Megan Anderson, de 30 anos. Campeã peso-pena do Invicta em 2017, a australiana se transferiu para o UFC e teve duas vitórias e duas derrotas na franquia sediada em Las Vegas.

Norma, conhecida como Imortal, está invicta – venceu as quatro lutas que disputou como profissional – e sabe da importância de uma estreia positiva no UFC. A mineira mostrou ousadia e personalidade ao pedir uma adversária bem ranqueada para iniciar a trajetória na organização e espera ser premiada com grande exibição e vitória. Em entrevista ao Estado de Minas/Superesportes, ela destacou a chance de ouro na carreira e projeta rápido crescimento no peso-pena da franquia.

Ao mesmo tempo, ela lidou com dificuldades para encontrar um local ideal para treinar e precisou se deslocar até Contagem, onde trabalhou com afinco no CT Team Maori, um dos poucos a ter octógono disponível para a preparação. Na entrevista, Norma critica a falta de estrutura para atletas de MMA em BH e pede mais investimento até na formação de novas lutadoras. Confira.

Depois de longa espera, chegou o momento da estreia. O que passa pela cabeça de uma atleta prestes a disputar a principal luta da carreira até agora?
Penso que treinei a vida inteira para este momento. Estou mais do que pronta! Chegou o momento de mostrar o meu trabalho para o mundo.

O longo tempo de treinamento ajudou a controlar a ansiedade? O fato de estar ao lado do marido (o head coach Johny Vieira, da equipe Team Rules) no dia a dia de trabalho e da família foi outro ponto positivo nesse sentido?
É sempre reconfortante ter meu marido junto em todos os momentos do meu treinamento. Ele é um cara que me entende bem, sempre ajuda, até eu mesma a me entender melhor. Treino com amigos, família, pessoas de quem gosto. Estou sempre bem e tranquila
Qual a sensação de estrear no maior evento do MMA? Ainda mais nos EUA, onde tudo começou....
Ansiosa para ver tudo o que o UFC tem para mim e muito feliz de ser nos EUA. Sempre tive vontade de lutar lá

A estreia será diante de uma lutadora mais experiente, acostumada a eventos de ponta do MMA. Além disso, Megan já foi campeã do Invicta e tem muita rodagem. Você joga a pressão para o lado da adversária?
Não. Nunca! A responsabilidade da vitória é minha. Pra mim, não tem isso. Eu não aceito perder para ninguém, nem para a Megan. Não me interessa a experiência dela.

Enfrentar uma oponente conceituada e bem ranqueada logo na estreia é fator que motiva? Você pediu um desafio ousado na estreia e foi atendida... é a chance de mostrar o seu jogo na primeira luta?
Eu sempre estou motivada para lutar. Gosto disso. Gosto de sentir o gosto da luta. Dessa preparação até o grande dia. E, por fim, o grande dia! Passar pela Megan me deixa em um patamar muito melhor dentro da organização. Ela está no meu caminho, só vejo isso.

A luta em pé seria a melhor opção contra uma atleta que vem do muay thai e também do jiu-jítsu? Ou uma surpresa no jogo de quedas também está no planejamento? Há alguma prioridade de estratégia?
Acredito que tenho mais qualidade sobre a Megan em ambas as áreas. Ela tem uma envergadura boa, mas não é uma atleta tão rápida e explosiva. Vamos aproveitar todas as falhas que ela tem.

Você já vislumbra o crescimento no peso-pena com uma vitória na estreia? Ou prefere pensar em conquistar espaço aos poucos?
Eu pedi uma adversária de peso exatamente pra isso. Quero entrar e chocar o mundo com uma bela vitória. Depois, vamos ver como fica minha posição dentro do UFC.

Como é a estrutura para uma atleta de MMA na capital mineira?
A estrutura aqui é bem complicada. Os mineiros ainda não aprenderam a valorizar os seus atletas de ponta. Está melhorando, mas em passos lentos. Não tenho vontade de mudar de estado, talvez, se pintasse uma ótima oportunidade, eu iria para os EUA.

O MMA feminino é uma realidade no UFC. Para você, como está a modalidade para mulheres aqui no Brasil? Temos grandes lutadoras, mas e o investimento nas atletas? Falta reconhecimento por aqui?
Temos grandes nomes no cenário nacional. Acredito que, nos próximos anos, vamos ter muitas atletas brasileiras nos grandes eventos. Ficamos no aguardo de o Brasil resolver investir mais no esporte. Nosso país é um berço enorme de grandes atletas.

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