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Estado de Minas CAMPEONATO MINEIRO'2020

Realidades distintas entre os grandes

Confira como América, Atlético e Cruzeiro chegam para a primeira competição do ano


postado em 19/01/2020 04:00 / atualizado em 18/01/2020 21:48

Rafael Dudamel tem escondido os treinos, mas parece já ter o time titular do Atlético na cabeça(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Rafael Dudamel tem escondido os treinos, mas parece já ter o time titular do Atlético na cabeça (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
 

 

Depois de apresentarmos Coimbra e Tombense, dois times que prometem surpreender nesta edição do Estadual,  mostramos hoje como os três grandes da capital chegam para a primeira competição do ano. O bicampeão Cruzeiro atravessa crise sem precedentes na história do clube depois de ser rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2019. Com uma dívida que se aproxima de R$ 1 bilhão e enfrentando graves problemas políticos e administrativos, a Raposa teve que dispensar vários jogadores e não vem com um time tão forte. O Atlético, por sua vez, aparece com novidades e aposta em jovens jogadores para reconquistar o título mineiro. Com a crise celeste, a pressão por um triunfo alvinegro aumenta. Já o América se reforçou e tentará manter o embalo da arrancada conseguida ano passado no Brasileiro sob o comando do técnico Felipe Conceição para levantar a taça – o último título alviverde foi em 2016.

 

Campeonato Mineiro com os três grandes de Belo Horizonte na Primeira Divisão nacional foi comum nos últimos 10 anos. Mas a edição do Estadual que começa na terça-feira terá um fato bem raro: ter apenas um dos participantes na elite do futebol brasileiro, o Atlético.
Assim, o Galo entra como grande favorito ao título, o que, se confirmar, vai quebrar a hegemonia do rival Cruzeiro, campeão nos últimos dois anos, mas que anda em baixa depois do inédito rebaixamento para a Série B do Brasileiro. Já o América, que apresentou o melhor futebol entre os mineiros no segundo semestre do ano passado, tenta ser o azarão, surpreendendo os dois maiores vencedores, a exemplo do que fez em 2016.


No alvinegro, a expectativa é que o time, reformulado, consiga dar resposta rápida em campo. Para isso, o clube apostou no técnico Rafael Dudamel, primeiro venezuelano a dirigir a equipe, que deverá precisar de algum tempo para colocar os conceitos dele em prática.
Até por isso, o rótulo de favorito é visto com cautela pelos atleticanos. “É difícil falar disso. É claro que temos de assumir esse favoritismo em determinado momento por ser uma equipe grande, mas não podemos assumir 100% sempre. Cada jogo é uma final para a gente e vamos com tudo para alcançar o título do Campeonato Mineiro”, afirma o zagueiro Réver, capitão e um dos mais experientes da equipe.


Uma coisa que ele não leva em conta na disputa é o fato de os principais adversários estarem na Série B do Brasileiro. Ou que tenham situação financeira pior que a do Galo neste momento, principalmente o Cruzeiro.


“Em relação às situações de outras equipes, acabamos não tendo culpa. Cada clube tem sua necessidade, como temos as nossas. Na terça-feira, esperamos iniciar bem o ano já no primeiro jogo para seguir em busca de nossos objetivos”, declara.


No que depender de dinheiro, o Atlético é o “primo rico” do futebol mineiro. Não que esteja tão bem financeiramente, mas é o que terá maior orçamento para a temporada e, até por isso, fez os maiores investimentos até agora: contratou o lateral-direito Maílton, o volante Allan, o armador Hyoran e o atacante colombiano Borrero. Também pode buscar o lateral-esquerdo Guilherme Arana.


Em comum, esses atletas têm a pouca idade. O objetivo da diretoria e comissão técnica, claramente, é rejuvenescer o grupo, tanto que abriu mão de jogadores bastante experientes, como o zagueiro Leonardo Silva, que se aposentou; o volante Elias, que não renovou contrato; e o armador Luan, negociado com o futebol japonês.


“Teremos um plantel mais jovem que o do ano passado e, com muito trabalho, chegaremos a um nível superior, com potencial”, explica Dudamel, que está satisfeito com o trabalho até o momento. “Foram poucos dias para tirar conclusões completas, mas suficientes para diagnosticar e saber bem com quem vamos contar. Podemos dizer que temos uma base da equipe bastante interessante.”
De qualquer forma, ele acredita que as duas primeiras semanas do Mineiro farão parte da pré-temporada. “Mas sem deixar de competir, apesar de a equipe não estar em sua melhor versão fisicamente”, justifica.


Menos mal para ele que no começo o Galo não terá adversários tão difíceis – a estreia será contra o Uberlândia, terça-feira, no Triângulo –, o que permitirá crescer aos poucos. Além do Estadual, a equipe disputará a Copa Sul-Americana, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

 

O técnico Adilson Batista ainda não sabe qual grupo terá nas mãos para a temporada(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
O técnico Adilson Batista ainda não sabe qual grupo terá nas mãos para a temporada (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Ano de profundas reformulações na Toca


Pelo lado azul, as mudanças foram bem mais profundas. Na verdade, ainda estão em andamento e deverão continuar mesmo depois da estreia no Mineiro, na quarta-feira, contra o Boa, no Mineirão: sem recursos, a diretoria está investindo em atletas baratos e apostando que alguns jogadores da base irão se destacar.


Os próprios cruzeirenses consideram que conquistar o tri do Estadual será um enorme lucro. O desejo de todos, no entanto, é mesmo voltar à Série A do Campeonato Brasileiro o mais rápido possível.
“O Cruzeiro é grande e sempre vai entrar nas competições para brigar por título, como será no Mineiro. Mas agora, pela situação, nosso foco é outro, tem de ser a Série B. Vamos usar o Estadual para montar o time para subir”, afirma o lateral-direito Edílson, um dos experientes que aceitaram receber parte do salário parcelado e no ano que vem para permanecer.


Na mesma situação está o goleiro Fábio, jogador que mais defendeu a Raposa, com 871 participações. Ele acredita que o momento é mesmo de reformulação e sacrifício.


“O Cruzeiro é sempre gigante, independentemente da divisão. A história não mente. O clube vai pagar pelos erros de 2019, mas mantendo sua grandeza. Se Deus quiser, vai montar uma equipe forte e equilibrada para voltar à Primeira Divisão. E no Mineiro, independentemente da situação, entramos como favoritos. Ninguém ganha com palavras”, argumenta.


Além dos dois, outro experiente que aceitou permanecer dentro da nova realidade financeira é o zagueiro Leo, que terá a companhia na zaga do também experiente Manoel, além dos jovens Cacá, Edu e Arthur. No meio, a expectativa é pela permanência do armador Rodriguinho, que tem qualidade técnica e experiência em Série B, mas Maurício, de apenas 18 anos, e Marco Antônio, de 19, que disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior deste ano, estão prontos para atuar.


No ataque, a responsabilidade, ao menos inicialmente, ficará com dois pratas da casa: Vinícius Popó, de 18, e Judivan, de 24, que tenta retomar a carreira, prejudicada por cirurgias no joelho. As contratações, por enquanto, foram tímidas, como o lateral-esquerdo João Lucas, que veio do Ceará e ainda não foi anunciado oficialmente.


“Tenho de entender a situação do clube. Vamos ter um grupo jovem, mas de muito potencial”, diz o técnico Adilson Batista, que ressalta a necessidade de paciência neste início de temporada.

 

O América manteve a base do time que teve arrancada incrível sob o comando de Felipe Conceição na Série B em 2019(foto: João Zebral/América)
O América manteve a base do time que teve arrancada incrível sob o comando de Felipe Conceição na Série B em 2019 (foto: João Zebral/América)


América continua trabalho que deu certo

No América, a aposta para voltar a ser campeão mineiro é na manutenção da base e, principalmente, do técnico Felipe Conceição. Foi sob o comando dele que o time conseguiu reação incrível na Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado, saindo da lanterna e só não alcançando o acesso por ter sido derrotado em casa na última rodada pelo já rebaixado São Bento-SP.


O clube garantiu a permanência de alguns destaques do ano passado, como o goleiro Aírton e os laterais Leandro Silva e João Paulo e o zagueiro Lucas Kal. Também resistiu ao assédio ao armador Matheusinho, considerado uma das maiores revelações do clube nos últimos anos.


Para se reforçar, contratou o zagueiro Eduardo Bauermann, o volante Rickson, o armador Alê e os atacantes Felipe Augusto, Leo Passos e Rodolfo. Outros atletas podem ser contratados, mas o mais provável é que o clube guarde munição para a disputa da Série B, a partir de maio.


Mas o técnico Felipe Conceição conta com a força dos jogadores da base. “Essa redução do grupo para apenas 24 jogadores de linha e mais três goleiros permite que a gente traga regularmente jogadores da base para treinar e observar. Este é um processo que a gente vai fazer ao longo de todo o ano.”


“Estamos muito satisfeitos com o trabalho de campo, com o elenco, a expectativa é muito boa. É uma continuidade do trabalho. Nós continuamos o trabalho com 80% do elenco e reforços pontuais. Mas estamos atentos ao mercado sempre”, diz o diretor de futebol Paulo Bracks, que sonha com a conquista do Mineiro.

 

 


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