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Estado de Minas FUTEBOL MINEIRO

Bate-cabeça na zaga

Apontado como um dos jogadores com maior potencial do atual grupo do Cruzeiro, prata da casa Cacá se vê em meio à confusão a respeito da divisão de seus direitos econômicos


postado em 05/01/2020 04:00 / atualizado em 04/01/2020 21:19

Um dos principais ativos do Cruzeiro, o zagueiro Cacá, de 20 anos, é pivô, nos bastidores, de um debate sobre divisão de percentuais. Embora o clube garanta ter 70% dos direitos, em lista divulgada no último balanço patrimonial, o fundo de investimentos controlado pelo Banco BMG alega ter adquirido 35% do “passe” do jogador. Clube formador de Cacá, o Ubaense tem direito a outros 30% – reconhecidos pela Raposa.

A reportagem apurou que a divisão dos direitos econômicos de Cacá é uma das grandes preocupações de integrantes do Núcleo Dirigente Transitório, que assumiu a gestão do Cruzeiro após as renúncias do ex-presidente Wagner Pires de Sá e de seus vices, Hermínio Lemos e Ronaldo Granata.

Ao Superesportes, Hissa Elias Moisés, responsável pelas relações esportivas do fundo de investimentos controlado pelo BMG, garantiu que o grupo é dono de parte dos direitos da promessa. “Temos 35% dos direitos econômicos do Cacá. Foram adquiridos há muitos anos. Como não estou em Belo Horizonte, não tenho como precisar em que data foi”, disse.

Questionado se foi durante a gestão de Gilvan de Pinho Tavares, Hissa respondeu de forma afirmativa. “Sim, ainda durante a gestão dele (Gilvan)”. Já o ex-presidente afirmou que Hissa “está mentindo” e que a negociação só poderia ter sido feita na administração de Wagner Pires de Sá. Gilvan ainda apontou relações do dirigente do BMG com Itair Machado, ex-vice-presidente de futebol do Cruzeiro.

“A mesma pessoa que formou o Alisson (hoje no Grêmio) levou o Cacá para o Cruzeiro e ficou com um percentual de 30%. É a única coisa que existe. Se depois a nova direção, na administração do Wagner, fez alguma trapalhada, eu não sei. O Hyssa é do BMG, Itair do BMG, eles podem ter feito alguma coisa. O que o Itair pôde fazer para atrapalhar o Cruzeiro ele fez”, rebateu Gilvan.

“Na minha gestão não aconteceu venda nenhuma (de direitos do Cacá) para o BMG. Que mostrem os documentos, os contratos. Na nossa época, nunca ficávamos com menos de 70% de jogador. Eles devem ter feito alguma coisa para passar para o BMG”, acusa o ex-presidente celeste, que deixou o clube no fim de 2017.
Cacá, de 20 anos, está em alta no mercado, mas afirma que seu desejo é permanecer no time celeste, mesmo com o rebaixamento para a Série B(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 21/5/19)
Cacá, de 20 anos, está em alta no mercado, mas afirma que seu desejo é permanecer no time celeste, mesmo com o rebaixamento para a Série B (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 21/5/19)

Wagner também deu sua versão: “O Cacá foi promovido ao profissional do Cruzeiro ainda quando o Gilvan era presidente (na verdade, o zagueiro passou a treinar com os profissionais em março de 2018, três meses após Wagner assumir). Ou seja, ele veio já da gestão passada. Não fizemos acordo de compra ou de venda do Cacá, até porque é proibido vender direitos econômicos de jogadores. Pessoas físicas ou jurídicas não podem ser proprietárias de jogador”, completou.

De fato, a compra de direitos econômicos por terceiros é proibida pela Fifa desde 1º de maio de 2015, quando Cacá tinha 16 anos. Apesar disso, o fundo de investimentos do BMG auxilia clubes parceiros na aquisição de jogadores. No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o grupo fez aporte de cerca de R$ 10 milhões para o Cruzeiro comprar os direitos econômicos do atacante David. Vale lembrar, também, que o BMG é dono do Coimbra, clube que disputará a Primeira Divisão do Mineiro em 2020.

FICA NA TOCA

Apesar do rebaixamento do Cruzeiro para a Série B do Brasileiro, Cacá diz que deseja permanecer no Cruzeiro. O empresário do zagueiro, Nenê Zini, disse que o camisa 14 quer “ajudar a recolocar o Cruzeiro em seu lugar” e desconversou sobre ofertas internacionais ou nacionais.

Antes disso, Cacá já havia descartado a possibilidade de entrar na Justiça para receber os vencimentos atrasados, como fizeram Fabrício Bruno e Thiago Neves. A Raposa está em débito com duas folhas de pagamento, além do 13º salário. “O Cruzeiro é minha casa desde os 15 anos, amo este clube desde criança e, se algum dia eu sair, vai ser algo bom para todos!”


Enquanto isso...
...Edilson fala sobre a queda

Em negociação para voltar ao Grêmio, o lateral-direito Edilson falou pela primeira vez sobre a queda do Cruzeiro para a Série B. Em entrevista à Rádio Liberdade FM, do Rio Grande do Sul, ele indicou que o principal motivo foi a má gestão. “Foi uma sucessão de erros, também da parte administrativa, que afetou os jogadores. Time grande, quando entra numa situação dessas, é muito mais difícil sair”, comentou, descrevendo ainda o clima no grupo: “Temos jogadores na frente que estão acostumados com o glamour de marcar gols, com o ego lá em cima. E quando eles não fazem gols, é difícil recuperar a confiança. Isso atrapalhou muito. A responsabilidade foi geral. De jogadores, comissão técnica e muito mais da parte administrativa. Quando você tem uma empresa, se não faz boa gestão, vai acabar falindo, vai acabar quebrando. Foi o que aconteceu”.

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