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Estado de Minas REBAIXADO

Dor e vandalismo

Integrantes de organizada iniciam confusão, depredam o Mineirão e forçam o encerramento antecipado do jogo. Mulheres e crianças ficaram encurraladas e várias passaram pelo gramado


postado em 09/12/2019 04:00 / atualizado em 08/12/2019 22:17

Assustadas com a confusão, crianças choram desesperadas no gramado(foto: Fotos: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Assustadas com a confusão, crianças choram desesperadas no gramado (foto: Fotos: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


O dia que começou com a torcida do Cruzeiro tendo a esperança como lema terminou em violência, com o Mineirão se transformando num barril de pólvora. Uma briga generalizada, que teve início na Torcida Máfia Azul, feriu 22 torcedores, cinco deles graves, sendo encaminhados para o Hospital do Pronto Socorro. O estádio foi depredado, com a quebra de centenas de cadeiras. Muitos televisores internos do estádio também foram destruídos, além de pias e espelhos dos banheiros e bebedouros.

Era um domingo de alerta máximo, com muitos indícios de que uma grande confusão poderia acontecer. Havia informações, segundo a Polícia Militar, de que duas das maiores torcidas do Cruzeiro, Máfia Azul e Pavilhão Celeste, que são inimigas, se juntariam para promover um quebra-quebra.

Por precaução, as duas torcidas foram separadas antes do jogo. Os integrantes da Pavilhão foram levados para um setor que ficou isolado, atrás de um dos gols. Foram escoltados pela Tropa de Choque da PM.
 
Nas cadeiras, torcedores alertam para a presença de um bebê
Nas cadeiras, torcedores alertam para a presença de um bebê
 
Quando o jogo começou, o apoio foi incondicional. A torcida tinha fé na salvação, tanto, que antes do jogo, rezou um Pai Nosso em coro, de emocionar muita gente. Alguns torcedores foram às lágrimas. O tempo foi passando e nada do gol celeste sair. O único momento de euforia aconteceu quando foi anunciado o gol do Botafogo, contra o Ceará.

Veio o segundo tempo e a paciência do torcedor, que cantou durante todo o primeiro tempo, estava acabando. A arquibancada reclamava de tudo, até mesmo quando Marquinhos Gabriel, para salvar um ataque adversário, deu dois dribles em direção à área defensiva do Cruzeiro. Nem mesmo o fato de ele ter saído, livre, serviu para que o torcedor o poupasse.

Mas veio o gol palmeirense e o caldo começou a entornar. A torcida se calou. Quase no final, o pior. Bombas começam a estourar nas cadeiras inferiores, primeiramente. Começou um corre-corre e muitas pessoas caíram e foram pisoteadas. A confusão passou para o anel superior, onde mais bombas foram arremessadas.
Torcedora agrediu o fotógrafo do Estado de Minas Alexandre Guzanshe no gramado
Torcedora agrediu o fotógrafo do Estado de Minas Alexandre Guzanshe no gramado

Uma das vítimas foi a gestora pública Sabrina Vidigal, de 36 anos, que estava nas cadeiras inferiores. “De repente, começaram a arremessar cadeiras. Logo depois vieram as bombas. Tentei correr, mas torci o pé. As pessoas passavam por mim, correndo, sem ajudar. Até que um homem parou.” Era o estoquista Vinicius Marchezini, de 20 anos, que pediu ajuda a outras pessoas para ajudá-lo no socorro a Sabrina.

Ela foi uma das 22 pessoas atendidas no Departamento Médico do Mineirão. Cinco foram encaminhados para o HPS, sendo que três serão investigados, suspeitos de integrarem a Máfia Azul e ter começado a confusão com estouro de bombas.

Segundo o Coronel Juliano José Trant de Miranda, comandante do BPChoque, a confusão toda começou na Máfia Azul, de onde foram arremessadas 30 bombas do tipo garrafão, o que gerou tumulto e corre-corre.

Apesar da confusão generalizada, segundo o coronel Trant, o saldo pode ser considerado positivo. “Não houve nenhum ferido grave. A PM se limitou a retirar as pessoas, em especial famílias. Mulheres e crianças foram escoadas para o gramado. Não foi usada nenhuma arma pesada, nem mesmo balas de borracha.”

Não aconteceram prisões, segundo o coronel. “Nos preocupamos, primeiro em evacuar o local do tumulto. Por isso não foi efetuada nenhuma prisão. No entanto, utilizaremos as imagens de vídeos do estádio para identificar os vândalos e, assim, prendê-los.”
Vândalos quebraram televisores, bebedouros e banheiros do Mineirão depois da derrota do Cruzeiro e consequente rebaixamento(foto: Mineirão/Twitter)
Vândalos quebraram televisores, bebedouros e banheiros do Mineirão depois da derrota do Cruzeiro e consequente rebaixamento (foto: Mineirão/Twitter)
(foto: Mineirão/Twitter)
(foto: Mineirão/Twitter)
 
(foto: Mineirão/Twitter)
(foto: Mineirão/Twitter)
 

Agressão

Profissionais da imprensa que trabalharam no Mineirão foram hostilizados, ameaçados e até agredidos por alguns torcedores. Um deles foi o fotógrafo do Estado de Minas, Alexandre Guzanshe, que levou um soco de uma torcedora dentro do campo.

“A mulher estava na arquibancada inferior. Quando começou a confusão, muitos torcedores ficaram encurralados na grade. A segurança do Mineirão, junto com a PM, deixou os torcedores descerem a escada e passar no gramado, atrás das placas de publicidade. Todos os repórteres e cinegrafistas registravam a cena, quando essa mulher desceu a escada junto com uma idosa. Ela me viu fotografando, não gostou e partiu para cima de mim”, contou.

O fotógrafo afirma que tentou se proteger, mas acabou atingido por um soco. “O segurança tentou conter a torcedora, mas não conseguiu. Ela deu um soco na minha cabeça. A sorte é que consegui me proteger. Depois, ela pegou uma cadeira e tentou me atingir. A sorte é que um outro fotógrafo conseguiu retirar o objeto das mãos dela”, completou.

Depois da confusão, a mulher deixou o gramado e não foi mais vista pelo fotógrafo. Outros profissionais que trabalharam no estádio também foram hostilizados e ameaçados.




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