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Estado de Minas

Aos trancos e barrancos

Em um Independência quase vazio, América empata por 0 a 0 com o Oeste, segue sem vencer em casa e em penúltimo lugar. Sexta-feira, atua de novo no Horto, contra o Atlético-GO


postado em 24/07/2019 04:09

Atuações começam a irritar a torcida do Coelho, que ontem vaiou o time. Jogadores pedem paciência(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Atuações começam a irritar a torcida do Coelho, que ontem vaiou o time. Jogadores pedem paciência (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Abandonado por sua torcida (apenas 1.085 torcedores foram ao Independência na noite de ontem), o América não passou do empate por 0 a 0 com o Oeste, pela 11ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Com isso, o Coelho segue sem vencer em casa na competição – contabiliza apenas um triunfo, dos 3 a 1 sobre o CRB, em Maceió; além de quatro empates e seis derrotas – e continua na penúltima colocação.

Os jogadores preferiram não comentar sobre as arquibancadas vazias. A impressão que se tem é a de que o time está jogando num campo de várzea, fazendo um amistoso sem importância. Aliás, talvez nem na várzea seja assim, pois os vizinhos e parentes dos jogadores sempre marcam presença.

Pois no Horto, ontem à noite, eram apenas cinco instrumentistas, todos batuqueiros, mas de um só instrumento, pois eram quatro surdos e um tarol. Integrantes da Torcida Avacoelhada. Nem mesmo a tradicional charanga da Barra Una, que tem instrumento de sopro, além de uma murga (instrumento argentino de percussão), esteve presente. A torcida até colocou sua faixa do lado do avesso, em protesto.

Se para quem não estava no gramado parecia estranho jogar para tão pouca gente, imagina para quem atuava. A situação era tão peculiar que era possível escutar os gritos e xingamentos dos torcedores. Em jogo cheio, isso é impossível de acontecer.

Não bastasse isso, muita gente que foi ao campo reclamava do horário da partida. “Muito tarde”, dizia Maria Efigênia Fróes, de 42 anos, que contou ter ido ao Independência por insistência do marido, Mauro Fróes, de 46, engenheiro, que não perde jogo. “O pior é que está muito frio”, complementou.

Por atuar em casa, o América tinha por obrigação atacar, mas no primeiro tempo foi um time desorganizado, com volantes em excesso: três. O time não conseguia armar jogadas de ataque, pois não contava com os articuladores. As reclamações dos torcedores não demoraram. “Eu quero é raça, eu quero é raça...”

O segundo tempo não foi muito diferente. Sem gols e com críticas da torcida. Ainda que pequena, ela expressou toda a sua ira aos gritos de “Vergonha, vergonha, vergonha”. A troca de treinadores parece não surtir efeito – Felipe Conceição é o terceiro, substituto de Maurício Barbieri, contratado após a demissão de Givanildo Oliveira. “Não acontece nada de novo. Era melhor ter ficado com o Givanildo, que tinha o grupo de jogadores nas mãos. Deste jeito não dá. Já passou da hora de reagir”, disse o instrumentador Sebastião Laguna, de 36.

Na saída do campo, vaias, muitas vaias para os jogadores do Coelho. Na próxima rodada, o time atuará de novo no Horto: na sexta-feira, às 19h15, encara o Atlético-GO.

CRÍTICAS Para Felipe Conceição, o América tem mostrado evolução. O zagueiro Paulão concorda, criticando apenas o fato de a equipe não estar conseguindo arrematar com precisão. “O time está passando por um momento de reconstrução e isso exige calma”, disse. Ele ainda usou como exemplo sua filha, para repreender a torcida: “Não é hora de bater. Como minha filha de 3 anos. Quando ela faz algo errado, procuro ensinar e não bater.”


 
 
FICHA TÉCNICA
América 0 x 0 Oeste
América: Jori; Leandro Silva, Paulão, Ricardo Silva e João Paulo (Sávio 22 do 2º); Zé Ricardo, Juninho, William Maranhão e Matheusinho (Neto Berola 33 do 2º); Felipe Azevedo e Jonatas Belusso (França 13 do 2º)
Técnico: Felipe Conceição
Oeste: Glauco; Cicinho, Cléber Reis, Caetano e Conrado; Wallace Bonilha, Thiaguinho, Mazinho (Fábio 31 do 2o), Bruno Lopes e Elvis (Matheus Oliveira 18 do 2º); Bruno Paraíba (Roberto, intervalo)
Técnico: Renan Freitas
11ª rodada da Série B do Brasileiro
Estádio: Independência
Árbitro: Vinicíus Gomes do Amaral (RS)
Assistentes: Michael Stanislau e André da Silva Bitencourt (RS)
Cartão amarelo: Wallace Bonilha e Cicinho
Pagantes: 1.085
Renda: R$ 5.130
Próximos jogos: Atlético-GO (c), Ponte Preta (f) e Paraná (f)


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