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Estado de Minas

Um mineiro nas pistas de boliche em Lima

Atual campeão brasileiro, Bruno Costa, de 25 anos, é um dos representantes do Brasil no Pan-Americano e luta para que a modalidade seja incluída novamente nos Jogos Olímpicos


postado em 22/07/2019 04:14

Quando lançar a primeira bola na pista de boliche em Lima, no Peru, durante os Jogos Pan-Americanos, o mineiro Bruno Costa, de 25 anos, realizará um sonho. Para os competidores desta modalidade, a disputa no Pan é uma das mais importantes, já que não é um esporte olímpico. Os jogos começarão no dia 26 e vão até 11 de agosto.

A história de Bruno, que conquistou a vaga para o Pan ao tornar-se campeão brasileiro, mês passado, no Rio de Janeiro, começou ainda muito cedo. Filho de dois dos maiores nomes desse esporte no país, Walter e Jacqueline Costa, que por diversas vezes representaram o país em competições internacionais, pode-se dizer que ele cresceu ao lado de uma pista. Os pais foram os primeiros laureados no hall da fama do boliche nacional, ano passado.

“Desde pequeno, vivo o esporte. Minha primeira competição foi aos 17 anos. De lá para cá, não parei mais. Tenho quatro ouros em campeonatos sul-americanos na época de juvenil, um vice continental adulto, em 2017, medalha de prata no Interamericano do Rio'2018 e agora sou campeão brasileiro”, conta Bruno.

Em Lima, ele disputará nas categorias individual e em duplas, quando terá como parceiro o paulista Marcelo Suartz, vice-campeão brasileiro, e que conquistou as duas únicas medalhas do Brasil nos Jogos Pan-Americanos – ouro individual e bronze nas duplas, junto com Manuel Fernandes, ambas em Toronto'2015.

Mas para ir a Lima, Bruno, que é jornalista, teve de fazer muitos sacrifícios, como pedir demissão no emprego. “Eu estava trabalhando num jornal de Sete Lagoas, o Sete Dias. Além de fazer matérias, ajudava na edição do site. No entanto, não tinha como continuar trabalhando tendo sido convocado para Lima. O jeito, na volta, será procurar emprego novamente.”

Bruno diz que por precisar trabalhar para se manter, não treina o que seria necessário. “Treino, quando dá, aqui em BH, na única pista que temos, o Bolixe, no Shopping Del-Rey. É onde acontecem também as competições. Participo de todas, que acabam servindo de treinamento. Na disputa por uma das duas vagas masculinas para Lima – são dois homens e duas mulheres na equipe –, éramos eu, o Marcelo e o Zogahib. Consegui o título e o Marcelo foi vice. Fiquei muito feliz, pois além do título brasileiro, queria muito ir ao Pan, que será o meu primeiro. Espero, sinceramente, representar bem o meu país e trazer uma medalha.” As duas brasileiras que também competirão em Lima são Roberta Rodrigues e Stephanie Martins. O técnico é Marcelo Vieira.

Antes do embarque para o Peru, Bruno treina no Rio de Janeiro desde a última terça-feira. “É importante estar com o treinador para começarmos a tratar de estratégias. O Pan será muito difícil. Os maiores adversários que temos são os EUA, Canadá, Colômbia e Venezuela. São esses países que têm a maior tradição.”

Os Jogos de Lima serão importantes, também, segundo o mineiro, para uma reivindicação: “Queremos que o boliche faça parte novamente dos Jogos Olímpicos, o que aconteceu apenas uma vez, em Seul'88. Nesse ponto, Lima será importante, pois o que todos sempre reclamaram é que não havia público. Desta vez, o estádio de boliche tem. Estivemos lá e competimos uma vez, eu e o Marcelo. A arquibancada fica atrás dos jogadores. Isso será importante para mostrar que o nosso esporte tem público”.

Hereditariedade
O boliche esteve em Olimpíada só uma vez, em Seul'88, mas esporte de exibição – as medalhas não contaram para o quadro geral. O representante brasileiro foi Walter Costa, pai de Bruno. Já nos Jogos Pan-Americanos, a modalidade está em sua oitava participação. A primeira foi em Havana'91, depois Mar del Plata'95, Winnipeg'99, Santo Domingo'2003, Rio de Janeiro'2007, Guadalajara'2011 e Toronto'2015. Walter participou de quatro: em Cuba, na Argentina, no Canadá e em Santo Domingo. Jacqueline Costa, mãe do atleta, esteve em cinco, as mesmas de Walter e ainda no Brasil.


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