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Estado de Minas

Classificação ao estilo Mano

O resultado do Mineirão (3 a 0 para o Cruzeiro) foi determinante para as estratégias dos times. Galo conseguiu a vitória, mas não os três gols. Raposa agora enfrentará o Internacional


postado em 18/07/2019 04:06

Dedé foi essencial para a classificação celeste, ganhando quase todas as disputas contra os atacantes alvinegros(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Dedé foi essencial para a classificação celeste, ganhando quase todas as disputas contra os atacantes alvinegros (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)


Em clássicos, os detalhes, a regularidade e o brilho individual fazem total diferença na definição de um vencedor. O somatório desses aspectos foi determinante para que o Cruzeiro garantisse a classificação às semifinais da Copa do Brasil pela quarta vez consecutiva ao eliminar o arquirrival, Atlético, em pleno Independência. A vitória alvinegra por 2 a 0, com dois belos gols de Cazares e Patric, foi insuficiente para colocar o Galo na próxima fase. O grande mérito celeste foi ter goleado por 3 a 0 na semana passada, no Mineirão, numa partida em que o time de Mano Menezes foi cirúrgico ao se beneficiar das falhas na zaga do rival.

Se o atacante Pedro Rocha foi o nome do Cruzeiro no jogo de ida, os zagueiros Dedé e Leo se transformaram em heróis no Independência. Praticamente perfeitos no jogo aéreo, a dupla foi fundamental para que o time celeste não tomasse mais gols, o que poderia levar a decisão para os pênaltis ou mesmo causar uma tragédia. Nos minutos finais, eles conseguiram formar uma barreira inacessível e impediram que o Atlético chegasse ao gol de Fábio.

A atuação da dupla de zaga simboliza exatamente o que Mano Menezes quis de sua equipe: um time bem fechado, permitindo que o Galo só chegasse à área por meio de cruzamentos – bem cortados pelos dois defensores. “Estou feliz por ter ajudado. O mérito é da equipe toda. Se eu tiro a bola e não tem um companheiro para me proteger, nada adianta. Foi bom jogo, conseguimos a classificação, que é bom para nossa confiança. Nosso time é capaz de passar por dificuldades e superar todas. Agora, precisamos pensar na semifinal”, avaliou Dedé, que esteve no departamento médico em 2016 e 2017 e só marcou presença na decisão do ano passado com o Corinthians.

Com a vaga nas semifinais, o Cruzeiro garantiu uma premiação de R$ 6,7 milhões, o que será essencial para que a diretoria amenize a crise financeira e quite os salários atrasados. E também garante fôlego à cúpula celeste, que se vê pressionada desde as denúncias de irregularidades na administração do clube feitas pelo programa  Fantástico, no fim de maio, e que estão sendo investigadas pela polícia. O time celeste deu mais uma prova de sua força em competição de mata-mata e agora se garante na briga pelo tricampeonato consecutivo da Copa do Brasil, o hepta da competição. Ainda neste mês, terá o mata-mata contra o River Plate, pelas oitavas de final da Copa Libertadores.

Apesar da eliminação, a torcida do Atlético deixou o estádio com aplausos aos jogadores pelo resultado positivo e pela luta dentro das quatro linhas. O técnico Rodrigo Santana foi ovacionado quando saiu do campo. Agora, o alvinegro terá pela frente as oitavas da Copa Sul-Americana, diante do Botafogo, nas duas próximas semanas.
 
 
BRIGAS E EXPULSÕES O jogo em si teve componentes habituais que mexe com todo clássico mineiro: catimba, brigas, faltas violentas, expulsões, copos atirados no gramado. A batalha dos times começou mesmo antes da partida, com surpresas nas escalações. Rodrigo Santana escalou o Galo com o volante Jair e o armador Otero nos lugares de Zé Welison e Luan, respectivamente. Já Mano Menezes foi obrigado a mudar a equipe por ordem médica e tentou cadenciar mais o jogo para o Cruzeiro, com as entradas do lateral-direito Orejuela e do atacante Fred nos lugares de Ariel Cabral (Romero foi para o meio-campo) e Thiago Neves.

Desde o início, o Atlético não teve outra alternativa senão jogar com intensidade, tentando encurralar os jogadores do Cruzeiro em seu campo de defesa. O time visitante se apoiou em sua estável dupla de zaga para parar as investidas. Otero foi o atleta mais acionando do alvinegro, levando vantagem em vários lances de contato com os adversários. Mas, em certos momentos, faltou capricho nas finalizações. O belo gol de Cazares no canto esquerdo de Fábio, ainda na etapa inicial, fez a torcida alvinegra ter um fio a mais de esperança. Faltavam mais dois gols para a classificação.

Alerrandro e David foram expulsos ao trocarem tapas após um gol marcado por Pedro Rocha e anulado pelo árbitro de vídeo. E muitas jogadas ríspidas diminuíram o brilho do espetáculo,

Nos acréscimos, depois de tanto insistir pelo alto, o Galo chegou ao segundo gol tardiamente, em chute de fora da área de Patric, que acertou o ângulo. Mas o tempo passou a ser inimigo dos jogadores atleticanos e da maioria dos torcedores presente no estádio. O Cruzeiro mais uma vez apenas se fechou para garantir a classificação e garantir a festa dos seus mais de 1,3 mil torcedores que foram ao Horto.

FICHA TÉCNICA
Atlético 2 x 0 Cruzeiro
Atlético: Victor; Patric, Igor Rabello, Réver e Fábio Santos; Jair (Ricardo Oliveira 24 do 2º), Elias (Luan 11 do 2º), Cazares, Otero (Geuvânio 18 do 2º) e Chará; Alerrandro
Técnico: Rodrigo Santana
Cruzeiro: Fábio; Orejuela, Dedé, Leo e Egídio; Henrique, Lucas Romero, Pedro Rocha (Dodô 38 do 2º), Robinho (Jadson 17 do 2º) e Marquinhos Gabriel; Fred (David 12 do 2º)
Técnico: Mano Menezes
Jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil
Estádio: Independência
Gols: Cazares 34 do 1º; Patric 47 do 2º
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza (SP)
Assistentes: Danilo Ricardo Manis e Alex Ang Ribeiro (SP)
VAR: Thiago Duarte Peixoto (SP)
Cartão amarelo: Egídio, Robinho, Pedro Rocha, Jair, Fábio, Cazares, Ricardo Oliveira e Luan
Cartão vermelho: Alerrandro e David
Público: 22.145
Renda: R$ 1.352.396

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