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Oléééééé! Iluminado, Jesus faz a diferença

Com show do atacante e recorde de renda, Brasil atropela a Argentina de Messi no Mineirão e decide domingo o primeiro título da Era Tite contra Chile ou Peru


postado em 03/07/2019 04:09

Gabriel Jesus quebrou jejum de nove partidas oficiais sem balançar as redes e ainda deu passe açucarado para o gol que selou o 2 a 0(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Gabriel Jesus quebrou jejum de nove partidas oficiais sem balançar as redes e ainda deu passe açucarado para o gol que selou o 2 a 0 (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


Se há a máxima de que Deus é brasileiro e os argentinos se orgulham de ter seu “Dios” dos gramados –  como gostam de tratar o ídolo Diego Maradona –, a presença iluminada de Gabriel Jesus desequilibrou a conta para o Brasil, ontem, no gramado do Mineirão. Menos de três anos depois do time do técnico Tite vencer a Argentina por 3 a 0, pelas Eliminatórias, a Seleção Brasileira voltou a derrubar a equipe de Lionel Messi em Belo Horizonte, desta vez por 2 a 0, garantindo vaga na final da Copa América, domingo, no Maracanã. Encara o vencedor de Peru e Chile, que jogam hoje, às 21h30, na Arena Grêmio, em Porto Alegre. A Argentina enfrenta o perdedor na disputa pelo terceiro lugar, sábado, às 16h, na Arena Corinthians.

A esmagadora maioria dos 55.947 presentes no Gigante da Pampulha foi à forra. Com gritos de “olé”, o coro de “eliminados” para os argentinos no momento em que o jogo ainda estava 1 a 0, exaltação de Pelé, o pentacampeonato mundial e provocação pelo jejum de títulos oficiais dos arquirrivais, que já dura 26 anos. Quando o time rival se irritou com a arbitragem, no fim da partida, a torcida chamou a equipe de Messi de “timinho”.

Os 52.235 que pagaram ingresso geraram uma renda de R$ 18.744.445 – a maior da história do Mineirão, superando os R$ 14.176.146 da final da Libertadores, entre Atlético e Olímpia, em 2013. Os camarotes também ficaram movimentados, com a presença da comitiva do presidente Jair Bolsonaro – que desceu ao gramado para ser saudado no intervalo, mas ouviu também vaias –, de jogadores do Cruzeiro, Atlético, familiares dos atletas e de Neymar.

A festa da arquibancada, entretanto, contrastava com a tensão em campo. O nervosismo era latente nos primeiros minutos, com empurrões, reclamações e encaradas – em uma delas, Daniel Alves e Acuña receberam amarelo para esfriar os ânimos. Os técnicos Tite e Lionel Scaloni, que buscam o primeiro título com suas seleções, não pararam de gesticular um minuto no banco de reservas.

Mas foi a parcela verde-amarela que respirou aliviada. A chegada de Firmino na cara de Armani, logo no primeiro minuto, era bom presságio, mas estava impedido. Aos 18min, o Brasil fez um gol com a cara de Brasil. Daniel Alves deu um lençol em Acuña, uma finta seca em Paredes e tocou na direita para Firmino, que cruzou para Gabriel Jesus encerrar um jejum de 675 minutos em jogos oficiais pela Seleção.

Do lado da Argentina, como não era para ser diferente, Lionel Messi tentava romper a defesa de Marquinhos e Thiago Silva, reforçada por Alex Sandro, que jogou mais recuado para segurar La Pulga. Além de Messi, os destaques foram Lautaro Martínez e Agüero, que acertou o travessão de Alisson em cabeçada, aos 29min.

TRAVES ABENÇOADAS As traves do Mineirão voltaram a ajudar o Brasil. Depois de evitar a eliminação da Seleção contra o Chile, nas oitavas de final da Copa do Mundo, quando o chute de Pinilla, na prorrogação, explodiu no travessão, ontem foi a vez de Alisson ser salvo: primeiro em cabeçada de Agüero e, no segundo tempo, em chute de Messi.

Quando a Argentina se lançava ao ataque, o campo se abriu para Gabriel Jesus, que ganhou de adversários, driblou um defensor na área e tocou para Roberto Firmino, sozinho, empurrar para as redes. A Argentina tentou, com a entrada de Di María e Dybala, mas parou em Alisson e na defesa brasileira.

Domingo, no Maracanã, o Brasil tentará manter a escrita de ter vencido todas as Copas Américas que sediou. O futebol apresentado ontem dá motivos para acreditar na primeira conquista de Tite à frente da Seleção – apenas um dia depois de completar um ano da dolorosa derrota para a Bélgica, nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia.
 
  
FICHA TÉCNICA
Brasil 2 x 0 Argentina
BRASIL: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos (Miranda 18 do 2º), Thiago Silva e Alex Sandro; Arthur, Casemiro e Philippe Coutinho; Éverton (Willian, intervalo), Gabriel Jesus (Allan 35 do 2º) e Roberto Firmino
Técnico: Tite
ARGENTINA: Armani; Foyth, Pezzella, Otamendi e Tagliafico (Dybala 40 do 2º); Paredes, De Paul (Lo Celso 21 do 2º) e Acuña (Di María 13 do 2º); Messi, Agüero e Lautaro Martínez
Técnico: Lionel Scaloni
Semifinal da Copa América
Estádio: Mineirão
Gols: Gabriel Jesus 18 do 1º; Roberto Firmino 25 do 2º
Árbitro: Roddy Zambrano (EQU)
Assistentes: Christian Lescano e Byron Romero (EQU)
Cartão amarelo: Tagliafico, Daniel Alves, Acuña, Foyth, Lautaro Martínez, Lionel Scaloni e Allan
VAR: Leodán González (URU)
Pagantes: 52.235
Renda: R$ 18.744.445



Elogios rasgados de Tite

O jejum incomodava. Já se passavam mais de 600 minutos sem que a bola encontrasse a rede em competições oficiais pela Seleção Brasileira. Cinco jogos na Copa do Mundo da Rússia, quando as críticas recaíram sobre seu posicionamento, quatro na Copa América. Mas ontem Gabriel Jesus, exaltado por Tite, voltou a abrir o largo sorriso e a fazer o sinal com os dedos, como se estivesse ligando para a mãe. Ao lado do veterano Daniel Alves, foi o destaque da vitória brasileira sobre a Argentina por 2 a 0.

Gabriel Jesus, de 22 anos, marcou o gol que deu tranquilidade ao Brasil em momento que a partida estava truncada e nervosa. Ele se valeu da bela jogada de Daniel Alves e escorou para as redes o cruzamento de Firmino. O jejum vinha desde novembro de 2017, quando fez dois na vitória sobre o Chile por 3 a 0, em São Paulo, pelas Eliminatórias.

Outro que brilhou foi Daniel Alves, de 36. Depois de ficar fora da Copa do Mundo da Rússia por causa de lesão, o lateral-direito retomou sua posição de líder do grupo e fez linda jogada do primeiro gol, dando um lençol em Acuña e um corte seco em Paredes antes de tocar para Firmino. Foi o melhor jogo de Daniel, que está sem clube desde o fim do contrato com a Juventus.

"Eu destaco a força mental, aliada ao cuidado que ele teve na recuperação. E também a qualidade física e técnica", elogiou o técnico Tite. "Fico feliz com a naturalidade dele. O Dani é do bem." Sobre o centroavante, foi só elogios. "Gabriel Jesus tem uma marca: não se entrega nunca. Suporta pancada e sai para o jogo. Se pedir para ele fazer 50 finalizações, ele fará 51. Isso acaba cativando todos os profissionais que trabalham com ele". 



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