Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas

Longe dos tempos áureos


postado em 29/06/2019 04:09

Campeonato Mineiro, que começou ontem em Lagoa Santa, tem 160 conjuntos na disputa. No auge, eram 250 competidores(foto: aLEXANDRE gUZANSHE/em/d.A PRESS)
Campeonato Mineiro, que começou ontem em Lagoa Santa, tem 160 conjuntos na disputa. No auge, eram 250 competidores (foto: aLEXANDRE gUZANSHE/em/d.A PRESS)

A Fazenda São Sebastião, que abriga o Centro Hípico Júnia Rabelo, em Lagoa Santa, sedia, desde ontem, o Campeonato Mineiro de Hipismo de 2019 – aberto, inclusive, a cavaleiros de outros estados. A edição atual retrata bem a situação deste esporte no Brasil: nos chamados “ tempos áureos”, nas décadas de 1980 e 1990, a competição reunia 250 conjuntos (cavaleiro ou amazona e montaria); hoje, conta com a participação de 160. Mas nomes reconhecidos nacionalmente, como Pedro Paulo Lacerda, Sérgio Marins e Rodrigo Sarmento, seguem na pista, tentando ajudar a reerguer o hipismo brasileiro.

Sarmento, além de cavaleiro, é criador, em Juiz de Fora. Uma montaria que saiu de seu haras, Land Peter Feroleto, disputou os Jogos Olímpicos Rio’2016, montado por Stefano Bacha. Para ele, o que ocorre na pista hoje é reflexo da falta de incentivo à evolução do esporte no país. “A genética de criação no Brasil é muito avançada, no entanto, é preciso que se crie um programa para a evolução de cavalos novos, ou seja, fazer com que o cavalo comece com obstáculos baixos e vá evoluindo para os mais altos. Isso não temos no Brasil”, conta.

Outro problema, segundo Sarmento, é o fato de o hipismo ser um esporte caro: “É necessário a criação de eventos fortes, com premiação que atraia o competidor. Como isso não existe, nosso cavaleiro está migrando para fora do país, Europa e Estados Unidos. O país passa por um momento difícil, não há dinheiro no Brasil. E o esporte é quem mais sofre nesse cenário”.

Pedro Paulo Lacerda, chefe da equipe brasileira de hipismo, concorda com Sarmento no que tange à falta de investimento. “O nosso esporte é muito caro. É preciso criar atrativos para provas no Brasil. Para ter ideia, até mesmo abrir mão de montarias o país tem feito. Você consegue uma montaria forte, mas os competidores de fora estão de olho, acompanham tudo. Aí, vêm com propostas e fica difícil segurar a montaria.”

Além disso, segundo ele, existe o problema do êxodo. “Os cavaleiros que têm condições estão deixando o país. Vão para a Europa e os Estados Unidos. Nossos grandes cavaleiros foram embora. Para que isso não ocorra, seriam necessários patrocinadores para o cavaleiro e provas com grandes premiações”, analisa.

MUDANÇAS Pedro Paulo diz, ainda, que o perfil dos atletas também está bem diferente: “Antigamente, o cavaleiro se preocupava em montar apenas. Hoje não, o cavaleiro precisa ser completo, não apenas montar. Ele tem de ser seu empresário, ir atrás de patrocinador, formar seu cavalo ou égua. E é preciso que cada um tenha quatro ou cinco montarias para conseguir resultados. Houve uma mudança na exigência”.

Minas Gerais já teve cinco cavaleiros olímpicos: Vítor Alves Teixeira, Bernardo Alves, Sérgio Marins, Fabrício Reis Salgado e Vicente Araújo Neto, além de Stefan Barcha, que embora carioca competia por Minas Gerais. Hoje, tenta se reeguer no cenário nacional. “O Bernardo Resende Alves está sem montaria. Mora na Bélgica, mas não está conseguindo montaria. Ele vai ter de se adaptar aos novos tempos para poder voltar a saltar em alto nível”, comenta Pedro Paulo.


Publicidade