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Estado de Minas

Churrasquinho aprovado por especialistas


postado em 23/06/2019 04:07

Os argentinos Rodrigo Salvidia e Aguirre Gonzalo e os uruguaios Joaquin Bellomo e Bruno Vera fizeram algumas ressalvas, mas, no geral, aprovaram o churrasquinho vendido no entorno do Mineirão(foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Os argentinos Rodrigo Salvidia e Aguirre Gonzalo e os uruguaios Joaquin Bellomo e Bruno Vera fizeram algumas ressalvas, mas, no geral, aprovaram o churrasquinho vendido no entorno do Mineirão (foto: Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 
 
A qualidade da carne na Argentina e no Uruguai é tão famosa que muitos brasileiros vão aos dois países apenas para degustá-la. E quando nossos vizinhos vêm ao Brasil, o que acham do nosso churrasco? Na verdade, do nosso ‘churrasquinho’? Ainda que nosso produto não seja tão famoso quanto o deles, não deixamos a desejar, ao menos no que se refere aos oferecidos nos arredores do Mineirão, onde muitos deles se concentraram na semana passada para incentivar jogos contra Equador, domingo, no caso dos uruguaios; e Paraguai, na quarta-feira, no caso dos argentinos.

Até por estarem mais preocupados em apoiar as equipes, não se intimidaram diante dos nacos de boi, porco e frango, alguns envoltos em bacon, espetados em finos pedaços de madeira e dispostos sobre chapas aquecidas com gás liquefeito de petróleo ou sobre trempe acima de brasas incandescentes. No geral, aprovaram a iguaria tão típica das portas de estádios Brasil afora.

“Claro que este churrasco aqui é diferente do que comemos no Uruguai. Mas também é bom e cumpre o papel. Além disso, respeitamos outras culturas e gostamos de provar coisas diferentes”, afirmou o psicólogo Joaquin Bellomo, morador de Montevidéu, entre uma mordida e outra no churrasquinho que serviu de lanche antes de ver a Celeste Olímpica enfiar 4 a 0 no Equador.

O argentino Rodrigo Salvidia tem opinião parecida. Segurando dois espetos, boi e medalhão de frango, já pela metade, ele não tinha do que reclamar no cardápio pré-futebol. “Pode não ser o melhor churrasco do mundo, mas é uma comida que mata a fome, vale para a ocasião. E, na porta de estádio, não se pode exigir muito”, argumentou o turismólogo, que veio de Córdoba para ver a Argentina apenas empatar com o Paraguai por 1 a 1.

Uma das principais diferenças apontadas por argentinos e uruguaios é a forma de preparo do “asado”, como eles dizem. Nos dois países, é comum assar a carne usando madeira, sendo que ao Sul do Rio da Prata também é usado carvão, como no Brasil. Já as chapas, comuns em food trucks brasileiros, não são muito usadas na parte de baixo do continente.

“Isso dá um sabor diferente à carne, que fica um pouco defumada. São coisas assim que fazem o churrasco uruguaio especial”, ponderou o cientista político Bruno Vera, que há cinco anos trocou o Uruguai por São Paulo, onde dá aulas de espanhol. No domingo, ele dividia uma porção de carne de porco, que saiu do espeto, com jiló preparado na chapa, com a namorada, que é brasileira, e elogiava a qualidade do lanche.
Outros diferenciais são a qualidade das carnes e os cortes. As peças costumam ser bem mais macias. E também ser levadas ao preparo inteiras, enquanto no Brasil pode-se fazer churrasco até de bife. “Lá, as pontas ficam mais bem passadas, enquanto o miolo é mais cru”, explica Vera.

Aqui também temos tradição em outros cortes que não o bovino, que predominam na Argentina, principalmente na região de Buenos Aires, e no Uruguai. Mas há outras regiões onde se come tanto churrasco de porco quanto aqui.

Quem atesta isso é o policial argentino e professor de história Aguirre Gonzalo, que é de Corrientes, cidade localizada próxima à fronteira de Brasil e Paraguai. Que também destaca não haver em sua terra natal o hábito de se comer churrasco na rua.

“Normalmente comemos churrasco com talheres. Aqui é diferente, prático”, declarou ele, enquanto usava palitos para levar os pedaços de porco, também retirados do espeto, até a boca.

ACOMPANHAMENTO Muitos deles também aprovaram um acompanhamento típico do Brasil: a farinha de mandioca. E não se importavam nem mesmo em sujar o rosto e até a camisa. “Churrasco fica muito bom com farinha”, diz Bellomo.


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