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Imbatível em casa

Brasil foi campeão das quatro edições disputadas no país, com campanhas invictas e artilheiros em três delas. Gerações vão da que fracassou em 1950 à tetra em 1994


postado em 11/06/2019 04:08

Lance da partida em que o Brasil ficou no empate com o Peru, na Fonte Nova, na trajetória vitoriosa de 1989(foto: Jorge Gontijo/EM/D.A PRESS - 3/7/1989)
Lance da partida em que o Brasil ficou no empate com o Peru, na Fonte Nova, na trajetória vitoriosa de 1989 (foto: Jorge Gontijo/EM/D.A PRESS - 3/7/1989)


A Seleção Brasileira começará a disputa da Copa América em solo nacional em busca de façanha que dura exatamente 100 anos. Sede da competição pela quinta vez, o time verde-amarelo tenta manter os 100% de aproveitamento de conquistas em casa, feito que nenhuma outra das nove seleções da América do Sul obteve. Nas vezes em que recebeu a competição anteriormente – 1919, 1922, 1949 e 1989 –, o que se viu foi literalmente um passeio dos brasileiros, ampliando gradativamente sua força no continente.

A Copa América inaugural no Brasil veio no rastro de dois grandes dramas históricos: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a gripe espanhola, que só no país causou mais de 30 mil mortes. Em 1919, no auge da República Café com Leite, o Brasil debutava com um evento esportivo internacional, algo que seria usado para promover a imagem do governo. Foi construído naquele ano o Estádio das Laranjeiras, com capacidade para 25 mil pessoas, na época o maior da América Latina.

Em campo, o Brasil sagrou-se campeão invicto, com direito a vitórias sobre Chile (6 a 0), Argentina (3 a 1) e Uruguai (1 a 0). Na era do amadorismo, o destaque verde-amarelo era um paulista descendente de negros e alemães. Com quatro gols no torneio, o centroavante Arthur Friedenreich, então com 27 anos, surgia como candidato a melhor jogador do país até aquele período. Mestiço, ele foi alvo de preconceito e sofreu muito, chegando a ser cortado de excursões internacionais. De acordo com estatísticas extraoficiais, consta que ele teria balançado as redes 1.329 vezes, mais do que Pelé (1.283) – os números jamais foram precisos por causa da falta de critérios na época.

Três anos depois, o Brasil voltou a sediar a Copa América, em comemoração ao centenário da Independência. Agora com base totalmente diferente. Apenas três jogadores do grupo haviam sido campeões em 1919: Friedenreich, Neco e Heitor Marcelino. A competição foi recheada de polêmicas, com seleções (como Chile e Uruguai) abandonando as partidas em protesto contra a arbitragem. A confusão foi tanta que o então presidente, Epitácio Pessoa, cogitou proibir as partidas internacionais da Seleção Brasileira com receio de as brigas prejudicarem as relações diplomáticas, o que não se confirmou. Campeã invicta pela segunda vez, a Seleção conquistou duas vitórias e três empates na competição. O atacante Neco, do Corinthians, foi o principal nome da equipe.

JOGO EM BH A Copa América só voltaria ao país em 1949, um ano antes de ser sediada a Copa do Mundo. Talvez nunca a Seleção verde-amarela tenha chegado a uma competição com tamanho favoritismo. Com a base do Vasco, que um ano antes havia conquistado o Sul-Americano de clubes, no Chile, a equipe comandada por Flávio Costa atropelou um a um seus adversários. Em campo, vários craques: o goleiro Barbosa, os zagueiros Capão e Augusto, os laterais Bigode e Nilton Santos, os armadores Jair e Bauer e os atacantes Ademir Menezes e Zizinho. O Estádio da Alameda, localizado no Bairro Santa Efigênia e pertencente ao América, foi incluído nas sedes – as demais foram São Januário, Pacaembu e General Severiano – e recebeu a vitória do Chile sobre o Uruguai por 3 a 1, em 8 de maio de 1949.

Sem a presença da Argentina, que se recusou a disputar a competição por atritos com dirigentes do Brasil, a campanha foi incontestável, com belas exibições e muitos gols. A equipe goleou Equador (9 a 1), Bolívia (10 a 1), Colômbia (5 a 0), Peru (7 a 1) e Uruguai (5 a 1) na fase de classificação. Na final, atropelou o Paraguai por 7 a 0, em São Januário, diante de 55 mil torcedores, descontando a derrota por 2 a 1 na etapa inicial – a primeira da Seleção em casa numa Copa América. Jair terminou o torneio como artilheiro, com nove gols. A ótima média de público foi um destaque à parte: 26,5 mil por partida.

Bebeto e Romário, dupla eletrizante

Na última Copa América sediada pelo Brasil, em 1989, uma dupla de ataque foi fundamental para tirar o país do jejum de 40 anos sem o título continental. Com tabelas e gols decisivos, Bebeto e Romário deram início à parceria de sucesso que cinco anos mais tarde culminou na conquista da Copa do Mundo nos Estados Unidos. Depois dos fracassos nos Mundiais de 1982 e 1986 com Telê Santana, o Brasil disputou a competição com um grupo renovado e cheia de destaques, além da dupla de ataque: o goleiro Taffarel, os zagueiros André Cruz e Aldair, os volantes Mazinho e Dunga e o atacante Renato Gaúcho.
 
Vice-líder na primeira fase do Grupo A, superado pelo Paraguai, o Brasil não deu chance aos rivais no quadrangular decisivo: bateu Argentina (2 a 0) – com belo gol de voleio de Bebeto –, Paraguai (3 a 0) e Uruguai (1 a 0), diante de 132 mil pagantes, no Maracanã. O país encerrou um tabu de 19 anos sem títulos (o último havia sido na Copa de 1970).

HISTÓRICO DAS EDIÇÕES

1919
Sede: Laranjeiras (Rio de Janeiro)
Participantes: Brasil, Uruguai, Argentina e Chile
Artilheiros: Friedenreich e Neco (Brasil) – 3 gols

Campanha brasileira
4 jogos
3 vitórias
1 empate
0 derrota
11 gols marcados
3 sofridos

Time-base: Marcos Mendonça; Píndaro de Carvalho e Bianco; Amílcar, Fortes e Sergio; Millon, Heitor Marcelino, Neco, Arnaldo e Friedenreich
Técnico: Haroldo Domingues

1922
Sede: Laranjeiras (Rio de Janeiro)
Participantes: Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile
Artilheiros: Juan Francia (Argentina) – 4 gols

Campanha brasileira
5 jogos
2 vitórias
3 empate
0 derrota
4 gols marcados
2 sofridos

Time-base: Kuntz; Palamone e Barthô; Arthur Laís, Amílcar Barbuy e Fortes; Neco, Heitor Marcelino, Tatu, Friedenreich e Rodrigues
Técnico: Laís

1949
Sedes: São Januário (Rio de Janeiro), General Severiano (Rio de Janeiro), Pacaembu (São Paulo), Vila Belmiro (Santos), Estádio da Alameda (Belo Horizonte)
Participantes: Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru, Equador e Colômbia
Artilheiro: Jair (Brasil) – 9 gols

Campanha brasileira
7 jogos
6 vitórias
0 empate
1 derrota
39 gols marcados
7 sofridos

Time-base: Barbosa; Augusto e Mauro Ramos; Ely, Danilo Príncipe e Noronha; Jair, Ademir, Zizinho, Simão e Tesourinha
Técnico: Flávio Costa

1989
Sedes: Maracanã (Rio de Janeiro), Serra Dourada (Goiânia), Fonte Nova (Salvador) e Arruda (Recife)
Participantes: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru, Equador, Venezuela e Colômbia
Artilheiro: Bebeto (Brasil) – 6 gols

Campanha brasileira
7 jogos
5 vitórias
2 empate
0 derrota
11 gols marcados
1 sofrido

Time-base: Taffarel; Mauro Galvão, Aldair e Ricardo Gomes; Mazinho, Dunga, Valdo, Silas e Branco; Bebeto e Romário
Técnico: Sebastião Lazaroni


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