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Estado de Minas

Na língua da solidariedade


postado em 09/06/2019 04:11

Apoiados por meio de vaquinha virtual, 112 imigrantes, alguns deles refugiados, assistiram à partida no Gigante da Pampulha(foto: RENAN DAMASCENO/EM/D. A Press)
Apoiados por meio de vaquinha virtual, 112 imigrantes, alguns deles refugiados, assistiram à partida no Gigante da Pampulha (foto: RENAN DAMASCENO/EM/D. A Press)


O Mineirão não se coloriu ontem apenas com as cores de Cruzeiro e Corinthians. Em um ponto do anel superior, 112 imigrantes, entre adultos e crianças, fizeram tremular bandeiras de 27 países. Muitos tiveram a oportunidade de ver uma partida de futebol pela primeira vez. A iniciativa partiu dos cruzeirenses Fábio Militão e Christiano Rocco e contou com a contribuição de outros torcedores por meio de uma vaquinha virtual, de empresários e também do Cruzeiro, com a doação de ingressos.

Vários desses visitantes são refugiados e escolheram o Brasil para recomeçar longe de guerras, ditaduras e outras situações extremas. Com brilho nos olhos, representantes de quase todos os continentes assistiram ao jogo. Tinham a camisa celeste com a frase “O mundo é azul, o mundo é Cruzeiro”. O colombiano Jhonny García chegou a Minas com a mãe, Carmen, há cinco anos. Levou o filho, Alexis, à partida. Eles viviam em Puerto Ordáz, na Venezuela, e saíram devido ao caos político-econômico. “Para tentar uma nova vida. Meu filho nasceu na Venezuela, mas é cruzeirense e ficou feliz”.

Ao lado, uma família síria. Aymam Wuhbah fugiu da guerra e chegou há cinco anos. Depois, trouxe a esposa, Shadia Alshalish, e o filho, Al Hassan. Em Minas nasceram as meninas Iman e Mariam. “Vim primeiro porque não conhecia ninguém e não falava nenhuma palavra em português. Tinha de arrumar casa, serviço, dinheiro. Moramos agora em Nova Serrana”, contou o pai, empolgado com a oportunidade. “Já conhecia o Cruzeiro. Na Síria, acho que fui a dois jogos”.

Missionária metodista do Togo, Josiane Soukou está no Brasil há um ano e seis meses e trabalha em projeto de conscientização do uso da água. Emocionada, mencionou a goleada histórica da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa’2014. “Minas é um estado maravilhoso. Achei fácil aprender português. É a minha primeira vez em um jogo do Cruzeiro. Já tinha visto o Mineirão pela televisão no jogo do 7 a 1. Interessante conhecer pessoalmente”.

CURSO Todos esses imigrantes são alunos do Curso de português como língua de acolhimento, ministrado no Cefet-MG desde 2016. O professor Eric Costa valorizou a iniciativa dos cruzeirenses. “Nosso curso pretende oferecer aos imigrantes, refugiados, uma oportunidade de estudar português e que essa oportunidade seja uma maneira de eles terem emancipação social, coesão social, empoderar”, disse.

Christiano Rocco valorizou o dia de felicidade dos estrangeiros. “Estou muito emocionado. Hoje, esses refugiados se formaram no curso de português para que pudessem conquistar um posto mais digno no nosso país”. Outro idealizador do projeto da visita ao Mineirão, Fábio Militão destacou o poder de união do esporte. “A gente só consegue mudar o mundo a partir do momento em que pessoas de classes mais baixas têm acesso ao esporte, ao lazer e à cultura”. 



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