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Estado de Minas

A Copa das mulheres

Começa hoje na França o 8º Mundial de Futebol Feminino, edição mais midiática e com maior público da competição e que pode ser um marco para o crescimento da modalidade


postado em 07/06/2019 04:08

Com 33 anos, esta deve ser a última oportunidade para Marta conquistar o título mundial para o Brasil. Melhor do mundo seis vezes, a camisa 10 já foi vice na Copa do Mundo de 2007 e medalha de prata duas vezes em Olimpíadas - Atenas'2004 e Pequim%u20192008. A dúvida é se a estrela brasileira estará 100% recuperada da contusão muscular para brilhar nos gramados franceses(foto: Martin BERNETTI /AFP - 16/8/16)
Com 33 anos, esta deve ser a última oportunidade para Marta conquistar o título mundial para o Brasil. Melhor do mundo seis vezes, a camisa 10 já foi vice na Copa do Mundo de 2007 e medalha de prata duas vezes em Olimpíadas - Atenas'2004 e Pequim%u20192008. A dúvida é se a estrela brasileira estará 100% recuperada da contusão muscular para brilhar nos gramados franceses (foto: Martin BERNETTI /AFP - 16/8/16)


Nunca uma Copa do Mundo de Futebol Feminino esteve tanto em evidência quanto a que começa hoje, na França, reunindo as 24 melhores seleções do planeta. Na abertura, o duelo entre as anfitriãs e a Coreia do Sul, às 16h (de Brasília). Com recorde de ingressos vendidos (são quase 800 mil bilhetes comercializados antecipadamente, e semifinais e final já com entradas esgotadas), a oitava edição do torneio terá também a maior cobertura de imprensa já vista – pela primeira vez no Brasil, jogos da competição serão transmitidos em TV aberta. Tamanha visibilidade servirá não apenas para levar o talento das meninas para o mundo, mas também para levantar bandeiras que vão muito além das quatro linhas.

A primeira, e talvez mais importante delas, é a da igualdade de gênero. E será em nome de um tratamento mais equiparado entre homens e mulheres no futebol que uma das maiores estrelas da modalidade atualmente, com forte ligação com o país-sede da Copa, não desfilará sua classe em gramados franceses. A norueguesa Ada Hegerberg, de 23 anos, vencedora da Bola de Ouro de 2018, tradicional premiação entregue pela revista France Football, decidiu não disputar esta edição do Mundial. Ativista, a jogadora do Lyon, da França, protesta contra a diferença de condições de trabalho para as mulheres em relação aos jogadores profissionais, sobretudo em sua terra natal. Sua última atuação pela Seleção da Noruega foi na Eurocopa de 2017. “Não é sobre mim. Nunca foi sobre mim. É sobre conseguir a mudança para o nosso esporte. Deve motivar muitos outros também. Estamos todos juntos nesta”, disse Ada, ao justificar sua atitude.

Sem Ada, os holofotes devem se concentrar na brasileira Marta, de 33, considerada a maior jogadora de todos os tempos e eleita seis vezes a melhor do mundo em votação da Fifa; na alemã Dzsenifer Marozsán, de 27, destaque da seleção germânica campeã olímpica nos Jogos Rio'2016; na holandesa Lieke Martens, de 26, estrela do futebol feminino desde 2017, quando ajudou a equipe de seu país a erguer a taça da Eurocopa (foi eleita a melhor atleta do campeonato) ; e na norte-americana Lindsay Horan, de 25, uma das principais armas ofensivas da Seleção dos EUA, maior ganhadora do Mundial, com três conquistas (1991, 1999 e 2015); na japonesa Sami Kumagai, de 28, há seis anos na seleção oriental, finalista nas duas últimas edições e vice-campeã em 2015; e na francesa Wendie Renard, também de 28, capitã das donas da casa, quarta melhor seleção do mundo no ranking da Fifa.

FASE RUIM O Brasil chega à Copa em baixa, com nove derrotas seguidas antes da apresentação para o torneio. O técnico Vadão chegou a ser muito questionado, mas a Confederação Brasileira de Futebol decidiu mantê-lo. A equipe vai depender muito da superação de suas jogadoras. Também preocupa a condição física com que a principal estrela chegará à estreia, domingo, contra a Jamaica, em Grenoble. Marta ficou 11 dias em tratamento de lesão muscular na coxa esquerda, voltando aos treinos no campo apenas na terça-feira.

A camisa 10 já deixou escapar que a Copa na França pode ser a última dela. Um outro ícone da Seleção tem despedida certa: a volante Formiga, que está com 41 anos. Até a atacante Cristiane, de 30, ensaia um discurso de adeus. Formiga está no sétimo Mundial da carreira (maior sequência de um atleta de futebol no país, independentemente do gênero), Marta vai para a quinta edição e Cristiane para a quarta.

O trio é um importante tripé da mais importante geração do futebol feminino do Brasil e a conquista do título coroaria toda a folha de serviços prestados por elas à Seleção. Elas têm um vice mundial no currículo (em 2007) e duas medalhas de prata olímpicas: em Atenas'2004 e Pequim'2008.

Para Marta, também há um recorde pessoal em jogo na França: ela pode se tornar a maior artilheira em Copas do Mundo: com 15 gols, está empatada com o compatriota Ronaldo e a um do alemão Klose. Se a craque estiver em campo no domingo, pode bater a marca já na estreia.

E não será apenas com a Seleção que o futebol brasileiro estará representado: Edina Alves e as assistentes Neuza Back e Tatiane Sacilotti vão integrar a equipe de arbitragem na França.

Campeãs e vices

1991 
Estados Unidos
Noruega

1995 
Noruega 
Alemanha

1999 
Estados Unidos 
China

2003
Alemanha 
Suécia

2007
Alemanha 
Brasil

2011
Japão 
Estados Unidos

2015
Estados Unidos 
Japão

FIQUE LIGADO
Abertura do Mundial Feminino
França x Coreia do Sul
Band e SporTV, às 16h


Os primeiros desafios de Marta e companhia

As Reggae Girlz (Jamaica)
Domingo, às 10h30
Stade des Alpes (Grenoble)
Estreante em Copa do Mundo Feminina – é também a primeira seleção caribenha a disputar o torneio –, a Jamaica chega sem muitas metas ambiciosas à França, até porque é a equipe menos tradicional da chave. O objetivo é fazer um papel digno, para que o futebol feminino siga em evolução no país. O inédito terceiro lugar na última edição da Concacaf deu visibilidade às Reggae Girlz, e uma figura, em especial, foi fundamental para a campanha: Cedella Marley, de 51 anos, filha do lendário Bob Marley. Ela abraçou a seleção feminina do país, que em 2010 havia sido desativada pela Federação Jamaicana de Futebol (FJF) por falta de recursos. Em 2014, Cedella entrou em campo, buscando patrocínio por meio da Fundação Bob Marley. Tornou-se a embaixadora oficial do time, levantando, na Jamaica, a bandeira das meninas. Até o técnico da seleção, Hue Menzies, reconheceu a importância de Cedella: “Parabéns a ela por colocar seu pescoço por nós. Vamos celebrar a mudança de percepção sobre o poder da mulher”.

As Matildas (austrália)
13/6 (quinta-feira), às 13h
Stade de la Mosson (Montpellier)
Com 45 anos de história, a Seleção Australiana tem se configurado em um grande algoz do Brasil. Além de ter levado a melhor nos últimos quatro confrontos, eliminou a Seleção Brasileira no Mundial passado, em 2015 – nas quartas de final. Capitaneadas por Sam Kerr, de 25 anos, tratada como estrela pela torcida, as Matildas – como são chamadas, em referência a uma canção popular da Austrália, Waltzing Matilda, considerada o segundo hino do país – correm por fora na briga pelo título na França, mas não duvidem do quão longe elas podem chegar. Na chave, é a mais bem ranqueada na Fifa, aparecendo em sexto lugar. O Brasil é 10º, a Itália 15ª e a Jamaica 53ª colocada. A ascensão internacional é reflexo dos investimentos feitos no futebol feminino, com a profissionalização das jogadoras e a criação de um teto salarial. É, inclusive, candidato a sede do próximo Mundial, em 2023. A Austrália está em sua sétima Copa, e esteve em todas desde 1995, mas nunca chegou perto da taça, parando, no máximo, nas quartas de final.

A Azzurra (Itália)
18/3 (terça-feira), às 16h
Stade du Hainaut (Valenciennes)
O futebol feminino tem vivido um renascimento na Itália. Grandes clubes criaram equipes para a Serie A Femminile e fizeram campanhas nas redes sociais para aproximar atletas e torcida. O interesse do público cresceu e, hoje, as meninas jogam em estádios lotados. Em março, quase 40 mil pessoas viram a Juve bater a Fiorentina por 1 a 0, em Turim. Mas a jornada não foi fácil. Foram 20 anos fora da Copa do Mundo, e a Itália estará apenas em sua terceira participação na competição. O preconceito no país foi um dos obstáculos mais difíceis. Apenas recentemente foram instituídos times femininos de base. Além disso, só a partir da temporada passada a Federação Italiana de Futebol assumiu a organização do Nacional. O retrato da grande quebra de preconceitos que o futebol feminino alcançou está na própria seleção: Sara Gama, zagueira, capitã e principal nome do grupo. Filha de mãe italiana e pai congolês, Sara é negra. Isso em um país que sofre com seguidos episódios de racismo no futebol. Uma grande vitória.


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