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Estado de Minas

Cruzeiro lavou roupa suja por futebol melhor

Os jogadores, que são 90% de uma equipe e para a conquista de uma taça, precisam se comprometer mais, treinar com mais dedicação e se entenderem como profissionais


postado em 23/05/2019 04:07



O Cruzeiro lavou a roupa suja numa reunião entre diretoria, técnico e jogadores. Os péssimos resultados causaram desgaste, especulação de grupo rachado e de outras coisas mais. Houve uma queda acentuada, isso é fato. Porém, o Cruzeiro continua sendo um grupo forte, um time em condições de ganhar todas as competições que está disputando. Não é normal ver o time azul levar 10 gols em três jogos e, ainda mais, vê-lo tomar uma goleada de 4 a 1 para o Fluminense, que, ultimamente, não tem conseguindo bons times. Não sei se há grupo rachado, se A não fala com B. O que é preciso dizer é que os jogadores não precisam ser amigos, frequentar a casa uns dos outros, mas, dentro de campo, têm que falar a mesma língua, passar a bola e ter um objetivo comum: as taças. Simples assim. Quem não quiser adotar esse regime, que peça para sair e ser negociado. O Cruzeiro é maior que todos e não pode ficar refém de jogadores, técnico ou dirigentes.

Claro que os dirigentes mentem, escondem o que de real está acontecendo. Ou alguém esperava que o diretor de futebol fosse dizer que houve brigas, confrontos ou boicote ao treinador. Nunca! Cabe aos repórteres descobrirem o que de real existe. Outra hipótese é a de estarmos enganados com relação ao time azul. Será que não é isso tudo que o Brasil imaginou? Não acredito. O Cruzeiro tem o melhor goleiro do Brasil, Fábio, um paredão quase intransponível. Tem uma dupla de zaga forte, com Leo e Dedé, e alguns ótimos jogadores do meio para a frente. Assim como Grêmio, Flamengo e Palmeiras, tem dos melhores grupos do país. Entretanto, os atletas não estão rendendo o que deles se espera. O Cruzeiro é um time pragmático, que não joga bonito e que tem a cara do seu treinador. Mano Menezes ganhou duas Copas do Brasil, competição mata-mata, com seu pragmatismo e sua retranca. Em pontos corridos, dificilmente vai ganhar alguma coisa. O futebol pode ser feio, truculento, mas quem decide é o talento. O drible, a genialidade, o gol. Essa é a característica do time azul.

Não acho que uma saída de Mano seja a solução. Pelo contrário. Com todos os seus defeitos e virtudes, ele conhece bem o grupo. E, com a chegada da Copa América, o Cruzeiro, assim como todas as equipes, poderá fazer uma intertemporada, corrigir os problemas e voltar a jogar o seu melhor futebol. Toda equipe passa por um processo de desgaste ao longo do ano, e o time azul vive esse momento de instabilidade. Nada que uma boa conversa não resolva. Os jogadores, que são 90% de uma equipe e para a conquista de uma taça, precisam se comprometer mais, treinar com mais dedicação e se entenderem como profissionais. Ninguém precisa frequentar a casa do outro, mas tem que fazer o máximo pelo Cruzeiro. Conheço caso de jogadores que não se falavam, mas, em campo, eram como os melhores amigos, parceiros de verdade. Acho que lavar a roupa suja é importante. Principalmente para uma equipe como o Cruzeiro. Até aqui, quando enfrentou gente do seu tamanho, se deu mal. Perdeu para Flamengo, Inter e Fluminense. Ganhou do Galo, na final do Mineiro, no jogo de ida, mas não praticou bom futebol. Os dois jogos foram muito iguais. Portanto, é hora de repaginar o grupo, fazê-lo entender a importância de ganhar, pois a expectativa em cima da equipe é grande. Copa do Brasil e Libertadores estão aí. O sonho do hepta, na primeira, e do tri, na segunda, está vivo entre os torcedores. Não sei se o Cruzeiro terá gás para brigar pelas duas taças. Time e grupo para isso, ele tem. Espero que não seja fogo de palha ou uma decepção. E lembrem-se que Mano Menezes era idolatrado até bem pouco tempo. Portanto, não é justificável essa má vontade de alguns com o trabalho dele. Correções de curso são necessárias, mas de forma gradativa, consciente, sabendo que o time azul continua forte e favorito. A mim, não importa se o clube deve a A ou B. Isso é problema da diretoria, não meu. Estou aqui para analisar jogadores e técnicos, dentro de campo. No mais, cada um tem sua vida pessoal, e ponto. Se o torcedor quer cobrar, que o faça na arquibancada, com vaias e faixas de cabeça para baixo. É a forma mais inteligente e correta de protestar pela volta daquele grande futebol praticado no ano passado.


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