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Estado de Minas

Mesmo ateu, que Deus nos proteja

"Então, chegamos aonde chegamos. Dirigidos por pessoas que não entendem de futebol, não sabem administrar, contratam mal, demitem mal, não têm plano algum para nada, tratam mal a torcida"


postado em 13/04/2019 05:04

Quando da hora da morte, diz-se de um filme que passa na cabeça do sujeito que está a empacotar. Nesse momento, ao atleticano serão exibidos os fatos longínquos da sua infância, as férias em Araxá, a adolescência, o Natu Nobilis à borda da fogueira na Serra do Cipó, os carnavais de Diamantina, o primeiro amor, os filhos nascendo, o seu velho pai, a sua velha mãe. Esse curta-metragem se desenrolará até o seu ápice: a perna esquerda de Deus, o Baggio do Paraguai chutando a bola na trave, o gol de fêmur do Edcarlos no minuto final, o Flamengaço classificadaço.

Precisamente nesse ponto, no apagar das luzes daquela peleja monumental, que tristemente coincide com o nosso próprio crepúsculo, veremos o Levir à beira do gramado, a comandar a maior virada de nossas vidas. Depois disso, quando tudo mais nessa superprodução for apenas coadjuvâncias, porque nada é capaz de superar aquele ponto alto, então Levir ali permanecerá, à encosta do nosso leito de morte. Solidário, amigo, o seu boné e a sua barriga de chope, a soprar nos ouvidos como morrem tranquilos os japoneses.

Levir não tem culpa. Ainda assim, perdoemos o Levir. Levir devia ser tombado como Patrimônio Mundial da Atleticanidade. Devíamos erguer uma estátua do Levir, nos moldes daquela do Roberto Drummond na Savassi. Levir estaria à beira da calçada na Olegário Maciel, a observar o trânsito como via o jogo, de boné e colete. Obrigado mais uma vez, Levir. Obrigado e volte sempre, mas da próxima vez na arquibancada.

A culpa não é dele, é de quem pôs ele lá. O Atlético busca o seu décimo treinador desde 2014. Décimo. Cada um com um estilo diferente do outro. Nenhum pensamento guiou qualquer das trocas que foram feitas, a não ser o de tapar o buraco e ver no que dava. O elenco é um balaio de gato formado a partir de pedidos avulsos de técnicos que seriam descartados cinco ou seis meses depois. A culpa não é de nenhum jogador. Se não há um reserva para o Fábio Santos, a culpa não é dele.

Enquanto o Cruzeiro teve apenas Mano Menezes, o Galo estreará logo mais o seu sétimo técnico. O sétimo, meus amigos! Nenhum gerente de botequim sobreviveria à troca tão frequente de seus comandados. Nem o dono do botequim sobreviveria a escolhas tão equivocadas de seus gerentes, seria interditado pela família. Os números falam por si: a casta de dirigentes que se apossou do Atlético desde a saída do Kalil é de uma incompetência sem concorrentes. Eles permanecerão.

Kalil não tem culpa. Devolveu o Atlético à prateleira de cima, como dizia à sua saída, fez o que pôde para deixar um legado que não permitisse nova derrocada, pôs em seu lugar os únicos que tiveram coragem para assumir, dispôs-se a ajudar, ofereceu conselhos. Mas não quiseram escutar. Nem Nepomuceno (hoje no governo Bolsonaro, a serviço do ministro do Turismo suspeito do laranjal, que triste fim) nem Sette Câmara.

Então, chegamos aonde chegamos. Dirigidos por pessoas que não entendem de futebol nem dentro nem fora de campo, não sabem administrar nada, não sabem lidar com as dívidas, contratam mal, demitem mal, não têm plano algum para nada, são incapazes de qualquer estratégia, escondem-se atrás de uma suposta austeridade, tratam mal a torcida, não sabem onde nem por que mandar seus jogos aqui ou ali, pisam na história do clube e desconhecem a sua grandeza. À exceção do presidente do conselho, não torcem para o Atlético, torcem para si mesmos. Rezem para que essa turma não nos leve a uma situação ainda mais grave.

Mesmo ateu, que Deus nos proteja nessa final. Que os jogadores, apesar das falhas e do jogo medonho em Assunção, tenham a capacidade de lutar em nome do atleticano que não tem culpa de nada. Que Luan, e até o Patric, lhes sirvam de inspiração. Que o torcedor saiba ser justo na hora de fazer suas cobranças. Que Deus nos livre do Zé Ricardo, do Celso Roth e do Luxemburgo. Amém.


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