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Estado de Minas

Novo ciclo ou continuísmo?

Rogério Langanke Caboclo, advogado e administrador de empresas, de 46 anos, assume terça-feira a presidência da CBF. Dirigente promete gestão participativa e transparente


postado em 07/04/2019 05:08

Rogério Caboclo não aparece em nenhuma investigação feita até agora sobre corrupção na CBF. Mas terá que superar a desconfiança pela ligação que tem com o ex-presidente da CBF Marco Polo Del Nero(foto: Mauro PIMENTEL/AFP - 22/1/19)
Rogério Caboclo não aparece em nenhuma investigação feita até agora sobre corrupção na CBF. Mas terá que superar a desconfiança pela ligação que tem com o ex-presidente da CBF Marco Polo Del Nero (foto: Mauro PIMENTEL/AFP - 22/1/19)

 

Início de uma nova era que pode levar a mudanças no futebol brasileiro ou mais do mesmo? É sob essa dúvida que o paulista Rogério Langanke Caboclo, advogado e administrador de empresas de 46 anos, assume terça-feira a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para um período de quatro anos, até 2023. Jovem em relação aos antecessores, metódico, detalhista, ele promete marcar sua gestão por dois pilares: eficiência e integridade. Mas se moverá em um campo minado, resquício de métodos arcaicos de administração e da sucessão de escândalos de corrupção envolvendo os antecessores. Hoje, a CBF tem um ex-presidente preso nos Estados Unidos e outros que não saem do país com receio de parar atrás das grades.


Diretor-executivo de gestão da entidade desde 2014, Caboclo garante estar preparado para o desafio. Rebate os que dizem que não é um conhecedor profundo do futebol lembrando que aos 28 anos era diretor-executivo do São Paulo, seu time de coração – paixão que herdou do pai, Carlos, também ex-dirigente do clube – e que de 2002 a 2015 esteve na Federação Paulista de Futebol (FPF), ocupando vários cargos nas áreas administrativa e financeira.


No entanto, terá de superar outro tipo de desconfiança. Afinal, foi eleito como candidato da situação, dando prosseguimento a uma espécie de “dinastia” que comanda o futebol brasileiro desde que João Havelange fez de seu então genro Ricardo Teixeira presidente da CBF, 30 anos atrás. Cria de Marco Polo Del Nero – o levou para a FPF para ser um dos diretores do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 e depois para a CBF –, Caboclo procura descolar sua imagem da do criador. Promete tornar a confederação mais moderna e transparente e dar mais espaço e voz aos clubes, atendendo aos seus anseios em questões como a melhora do calendário.


“Eu tenho uma expectativa muito boa dele no sentido de a CBF ser um fator transformador do futebol e que trabalhe em favor dos clubes. Não só promover campeonatos bem-organizados, mas que sejam criadas estruturas que apoiem os clubes”, disse Alexandre Campello, presidente do Vasco. “Ele já mostrou que é uma pessoa extremamente competente, qualificada para o cargo”, acrescenta Sérgio Sette Câmara, do Atlético.

HÁBIL NEGOCIADOR

Casado e pai de um filho, Caboclo assume terça-feira de direito, pois de fato já comanda a CBF desde que Del Nero foi forçado a se afastar. Na ocasião, o coronel Antônio Nunes foi alçado ao posto por ser o vice mais velho. Mas a total inaptidão de Nunes para o cargo e uma série de besteiras cometidas fizeram Caboclo tomar as rédeas da entidade.
Caboclo jamais admitiu ser ele, e não Nunes, o presidente na prática. Nos últimos meses, todas as tentativas de entrevista foram rejeitadas, com o argumento de que respeita a hierarquia. Essa é outra das características do novo presidente. Ele odeia insubordinação. Mas, mesmo quando está contrariado, raramente perde o controle. No máximo, “fecha a cara”. Por sinal, ele não é de muitos sorrisos. Porém, é sempre cortês. E hábil negociador. Foi Caboclo quem apagou o incêndio quando Nunes, contrariando acordo das confederações filiadas à Conmebol, votou na candidatura do Marrocos para sede da Copa de 2026 e não no trio EUA/México/Canadá. A traição irritou dirigentes da Conmebol e da Fifa, que, em plena Copa do Mundo da Rússia, falaram em passar a tratar a CBF como uma “confederaçãozinha qualquer”. Caboclo entrou em cena e passou a costurar um armistício. Com o passar do tempo, as arestas foram aparadas. Terça-feira, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, estará na posse de Caboclo, acompanhado de vários dirigentes da cúpula da entidade. O da Conmebol, Alejandro Dominguez, e a “nata” da cartolagem sul-americana também estarão presentes.


Caboclo passou incólume pelos escândalos que envolveram José Maria Marin e Del Nero. Seu nome não apareceu em nenhuma investigação. E, embora seja centralizador, promete fazer uma gestão participativa – dialogando com clubes, federações, atletas, ex-atletas e árbitros – e transparente. Anseio comum no futebol brasileiro.


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