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Estado de Minas

Futebol Clube Alverca é uma realidade brasileira

Que seja uma grande porta de entrada para os talentosos jovens brasileiros, que se perdem na transição entre as divisões de base e os profissionais


postado em 21/03/2019 05:11


Lisboa – Peguei um trem e vim a Lisboa fazer uma entrevista com Artur Moraes, ex-goleiro do Cruzeiro, Roma, Siena, Benfica e tantos outros clubes mundo afora. Agora, ele é vice-presidente do Futebol Clube Alverca, nos arredores da capital portuguesa, comprado por ele e pelo doutor Ricardo Vicintin, empresário da área de metalurgia em Belo Horizonte. O clube disputa a Terceira Divisão e se organiza para voltar à elite, da qual fez parte durante cinco anos. O projeto é ambicioso, pois, além de montar um time forte, eles também vão receber garotos que estouram idade nos clubes brasileiros e poderão ter o Alverca como base, para serem negociados com outros clubes europeus. “Temos um projeto para longo prazo e estamos empolgados com este começo. Pegamos o clube na rabeira, de Terceira Divisão, e conseguimos seis vitórias, três empates e uma derrota, que nos colocaram em 12º lugar. São 72 clubes. Caem 20 e sobem apenas dois. Não é fácil, mas, com o trabalho sério, a gente chega lá”, diz Artur.

Ídolo do Benfica, ele parou aos 38 anos, em setembro do ano passado. Em vez de estar tomando bons vinhos e desfrutando de tudo o que conquistou com o futebol, ele preferiu se manter ligado ao esporte bretão, agora, como dirigente. “A diferença é que eu, como jogador, tinha um staff que me fazia acontecer. Hoje, como dirigente, eu é que preciso fazer acontecer. Eu chegava ao clube, como atleta, trabalhava de 9h às 12h, por exemplo, e não me preocupava mais com nada. Agora, chego às 9h e não tenho hora para ir embora. Tenho uma visão geral e uma preocupação com tudo o que gira em torno do clube.” Artur sempre foi polido, educado e um cara do bem. Querido no meio, não deverá ter dificuldades agora, vivendo o outro lado da moeda.

O Futebol Clube Alverca tem um CT com vestiários, quatro campos de grama sintética e uma estrutura muito boa para a garotada. São quase 600 jogadores, todos portugueses. A partir de 18 anos, tem alguns brasileiros. O estádio, com capacidade para 8 mil pagantes, é bem aconchegante. O anel é fechado, coisa que a maioria dos clubes da Terceira Divisão não tem. Uma estrutura invejável. Artur acredita que em cinco anos o clube já esteja na Primeira Divisão, e aí a coisa vai melhorar bastante em termos de patrocínio e marketing. O clube hoje é mantido por ele e pelo doutor Ricardo Vicintin, mas, à medida em que ganhar projeção e que o trabalho aparecer, será autossuficiente. Chegando à Segunda Divisão, já entra no bolo das receitas de cotas de TV e aí a coisa engrena. “Vamos passo a passo, em busca do nosso sonho. Acredito muito nesse projeto e estou me dedicando 100%. Inclusive, vou fazer cursos de gestão para aprimorar meu trabalho”, garante Artur.

De uns tempos pra cá, os brasileiros entraram no mercado português. O Estoril, que pertence à Traffic. O Vila Franquense Sad, que é de um empresário brasileiro, e o próprio Futebol Clube Alverca. “Houve um boom com a conquista da Eurocopa pela Seleção Portuguesa. Aqui é bem mais perto do Brasil e a língua facilita. O futebol brasileiro já não consegue vender tanto para os grandes centros da Europa e a porta de entrada, hoje, é aqui em Portugal”, define ele. É muito bom ver ex-jogadores investindo no futebol europeu, abrindo portas para jogadores brasileiros. Modéstia à parte, com a duplamente premiada matéria “Meninos do Brasil”, que eu fiz em 2000, o governo brasileiro criou um dispositivo que só permite a saída de jovens menores de idade do país com um responsável da família. Isso dificulta um tipo de “escravatura branca”, que era comum, principalmente no Leste Europeu. Boa sorte ao Futebol Clube Alverca. Que seja uma grande porta de entrada para os talentosos jovens brasileiros, que se perdem na transição entre as divisões de base e os profissionais.


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