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Estado de Minas

Paredão azul mais dois anos


postado em 25/02/2019 05:03



O goleiro Fábio, melhor do Brasil há 10 anos, renovou contrato com o Cruzeiro até dezembro de 2020, o que o tornará um dos arqueiros mais longevos do futebol brasileiro. Na Europa, pode ser comparado a Buffon, que com 40 anos e defende o PSG, depois de uma carreira toda ligada à Juventus. Fábio tem 38 e quando seu contrato terminar, estará com 40. É como vinho, quanto mais velho melhor. O atleta mais injustiçado do mundo. Fosse em qualquer país em que o técnico da seleção tivesse o mínimo de discernimento, teria sido titular em três Copas no mínimo. Aqui, porém, foi discriminado por todos os técnicos que comandaram a Seleção Brasileira, inclusive o seu atual, Mano Menezes, que esteve à frente do time por dois anos e convocou Fábio apenas uma vez. E olha que Fábio deu a ele duas Copas do Brasil consecutivas, 2018/2019, com defesas impossíveis. Além disso tudo, Fábio é família, ótimo marido para Sandra e belíssimo pai para Valentina e Pablo. Religioso, põe sempre nas mãos de Deus o seu destino e tem sido premiado com muitas bênçãos e conquistas.

Azar da Seleção que não tem Fábio e sim Alisson. Para quem não se lembra, Alisson é aquele que não fez uma defesa sequer na Copa da Rússia e tomou dois gols dos belgas, em bolas defensáveis. Os torcedores do Cruzeiro me perguntam o que há contra Fábio na Seleção. Já entrevistei os ex-técnicos Parreira, Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Candinho, Leão e tantos outros, mas nenhum me deu uma explicação convincente. Taffarel, treinador de goleiros, em entrevista a mim, em Paris, há dois anos, classificou Fábio como um dos melhores goleiros do país, mas disse que prefere Alisson, Ederson e Cássio. Talvez se Fábio tivesse ido jogar na Europa, o caminho para o gol da Seleção tivesse sido mais curto. Contra fatos não há argumentos: os técnicos podem até preferir um ou outro goleiro, mas Fábio não estar em nenhuma lista de Seleção, entre os três melhores, é um absurdo.

Sorte do Cruzeiro, que terá seu paredão azul, no mínimo, mais duas temporadas. Há um velho ditado que diz que “um grande time começa por um grande goleiro”, e o Cruzeiro começa muito bem com Fábio. Já vi torcedores azuis reclamando do goleiro, principalmente quando ele sofre gol em cobrança de falta. Calma aí, gente, Fábio é um goleiraço, e todo grande goleiro também falha. Porém, suas falhas são pequenas, e nos jogos decisivos é ele quem garante o troféu, com defesas impossíveis. Quem dera meu Flamengo tivesse Fábio no gol. Eu já estaria comemorando algum título antecipadamente.

Parabéns ao Cruzeiro por reconhecer seu ídolo e dar a ele um contrato por mais dois anos e, quem sabe, mais dois, quando o atual acabar. Ter Fábio é garantia de sucesso, de conquistas, de disciplina, de caráter, de correção. Um atleta completo, que ama o clube e tem uma vida ligada a ele. Parabéns a Fábio por ser esse profissional exemplar, que inspira tantas crianças Brasil afora. Que esse casamento seja eterno, pois quando parar, não imagino Fábio longe do Cruzeiro. Com sua experiência, amor ao clube e dedicação, com certeza será um dos dirigentes mais vencedores do país – claro, se desejar seguir para esse lado. Por enquanto, Fábio, vá fazendo suas defesas e aumentando a coleção de taças na sede do Barro Preto.


ACERTO

A CBF está se modernizando ainda mais, implantando o árbitro de vídeo (VAR) no Brasileiro deste ano e criando a Supercopa, que vai reunir o campeão do Brasileiro e o campeão da Copa do Brasil em partida única, em local a ser definido, no começo de 2020. Uma cópia do que é feito na Europa, no início da temporada, quando o campeão da Liga dos Campões enfrenta o da Liga Europa. A nota ruim foi os clubes não terem aceitado a ideia de demitir apenas um técnico durante a temporada. Sou a favor do sistema italiano, em que o técnico demitido recebe salário do ano inteiro, mas não pode trabalhar em outras equipes da Série A. Os clubes brasileiros e seus dirigentes ainda pensam muito pequeno nesse quesito, trabalhando com resultado imediato. Somente com um técnico a médio e longo prazos um clube consegue títulos. É bem verdade que há muito técnico enganador, mas os que trabalham de forma correta merecem vida mais longa. Aos poucos, porém, vamos modernizando o nosso futebol.


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