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Vale quer acordos rápidos


postado em 01/02/2019 05:09

 

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse ontem que a empresa pretende acelerar ao máximo o pagamento de indenizações às famílias das vítimas da tragédia em Brumadinho (MG). Segundo o executivo, a Vale vai abdicar de qualquer ação judicial sobre o caso e optar por fechar acordos extrajudiciais. O anúncio foi feito após reunião com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em que ele ainda confirmou que a sirene que deveria soar foi “engolfada” pela lama no momento do rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, no que considerou “uma coisa trágica” num rompimento rápido “não muito usual”.

“Nossa reunião foi basicamente para revelar a ela (Dodge) a nossa intenção de acelerar ao máximo o processo de indenização e atendimento às consequências do desastre. Para tanto, estamos preparados para abdicar de ações judiciais. Queremos fazer acordos extrajudiciais e estamos buscando assinar, com a maior celeridade possível, ações com as autoridades de Minas Gerais que permitam que a Vale comece imediatamente a fazer frente a esse processo indenizatório”, disse.

O valor das indenizações não foi definido pela empresa, disse Schvartsman, mas a ideia é realizar os pagamentos assim que o acordo for assinado com o governo de Minas Gerais. “O valor do acordo é o que tiver que ser. Não existe um número definido. Quando for definida a extensão das vítimas, o valor será decorrente disso”, disse. Schvartsman foi questionado sobre se temia que executivos da Vale fossem presos. “Não tenho nenhum motivo para temer a prisão de nenhum executivo da Vale”, respondeu.

Ele negou que os acordos para o pagamento de indenizações tenham como objetivo aliviar a aplicação de futuras penalidades à empresa. “Não estamos em absoluto preocupados com esta questão. Estamos sinceramente muito chateados e tristes com o que aconteceu e queremos minorar o sofrimento das vítimas”, disse.

Sobre as possíveis punições pelos impactos ambientais causados pelo rompimento da barragem, o presidente da Vale ressaltou que a prioridade é a atenção às vítimas. “Todos os aspectos foram discutidos, mas concordamos que a primeira atenção é às vítimas. Todo o resto é importante, ninguém tira a importância e tudo será cuidado”, afirmou.

 Schvartsman descartou a possibilidade de que tenha havido conluio entre funcionários da Vale e da Tüv Süd, empresa alemã que atestou a segurança das barragens da companhia. Três empregados da Vale e dois funcionários da Tüv Süd foram presos na terça-feira.

 “A gente compreende que nessa hora, que é de muita consternação e tristeza, haja versões estranhas de todas as coisas. Do meu conhecimento, nada disso existe. Muito pelo contrário, todo o procedimento da Vale tem sido, em todas as informações que me chegaram, absolutamente pertinente e correto”, disse.

SIRENE ENGOLFADA Sobre a falha nas sirenes que poderiam alertar funcionários sobre o rompimento da barragem, o executivo disse que o equipamento foi levado pela onda de rejeitos e, por isso, não funcionou da forma esperada. “A sirene é uma coisa trágica. Em geral, pelo que o histórico de rompimento de barragens demonstra, isso vem com algum aviso. Isso acontece aos poucos. Aqui aconteceu um fato que não é muito usual. Houve um rompimento muito rápido da barragem. E o problema é que a sirene que ia tocar foi engolfada pela queda da barragem antes que pudesse tocar”, disse.

Schvartsman disse que Dodge propôs a realização de novas reuniões com a empresa. “A PGR terá um papel relevante porque existe essa necessidade, mas um primeiro acordo está sendo dirigido no estado de Minas, que é onde as vítimas estão e onde está a jurisdição do acidente que aconteceu”, afirmou.

INVESTIGAÇÃO PRIORITÁRIA Na noite de quarta-feira, a procuradora-geral Raquel Dodge pediu à cúpula da Polícia Federal “prioridade” nas investigações sobre o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). E destacou que as investigações devem ser tratadas “com prioridade e de forma integrada por todos os órgãos do sistema de Justiça, com foco, inclusive, na prevenção de outros desastres desta natureza”.


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