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Kelen Cristina: O Atlético e seus laços quase eternos

A conexão é tão forte que ao longo da história não são poucos os exemplos de despedidas de atleticanos que acabaram se transformando em mero %u201Caté breve%u201D


postado em 01/02/2019 05:09

Se há um time que se apega a seus ídolos, ele é o Atlético. Seja jogador ou treinador, quem faz história no clube ou cria afeição com a Massa se conecta de tal forma com o alvinegro que os laços não se rompem mesmo quando as partes se distanciam. Essa tal conexão é tão forte que ao longo da história não são poucos os exemplos de despedidas que acabaram se transformando em mero “até breve” – muitas delas, por mais de uma vez. Talvez seja influência dos astros, já que Peixes é considerado o signo mais romântico do zodíaco, e o Galo, como bom pisciano, apenas se entregaria, nessa relação, a uma força maior do que simples questões mercadológicas e/ou futebolísticas.

A bola da vez é o atacante Diego Tardelli, um digno representante desta linhagem de personagens. É tanto vai e volta para a Cidade do Galo que o armário dele já deve ficar reservado lá, sem que ninguém o ocupe. Sempre que ele está no time atleticano, não resiste a uma negociação para sair. E sempre que está longe, atiça a torcida alvinegra com juras de amor eterno e desejos de retorno. Foi assim quando saiu pela primeira vez, em 2011; ao retornar em 2013, e ao sair de novo em 2015. Há quem garanta que Tardelli está prestes a confirmar sua terceira passagem pela equipe.

O mesmo roteiro foi escrito por outros protagonistas, com idas e vindas muito mais intensas, é bom frisar. Possivelmente, ninguém supera o atacante Dario, que parecia não suportar passar muito tempo longe do Atlético – e vice-versa. Voava para todo canto do país e retornava para casa, em busca de abrigo. Vestiu a camisa preto e branca de 1968 a 1972. Em 1973, jogou pelo Flamengo, mas ficou longe apenas por um ano. Em 1974, já estava no Galo de novo. De 1975 a 1978, defendeu Sport, Internacional e Ponte Preta antes de voltar ao alvinegro. Em 1979, despediu-se definitivamente para começar nova peregrinação pelos gramados brasileiros. Foram nada menos que 16 clubes em 21 anos de carreira, porém, foi o Atlético que ficou no coração de Dadá.

Nos anos 1980, Éder cumpriu jornada semelhante. Integrante de uma das mais brilhantes gerações do Atlético, ele deixou o clube em 1986. Passou por Inter de Limeira, Palmeiras, Santos, Sport, Botafogo, Atlético-PR e aventurou-se até fora do país, jogando pelo paraguaio Cerro Porteño e pelo turco Fenerbahce. Retornou ao Galo em 1989, comprado por 58 milhões de cruzados – uma bolada na época. Saiu em 1991 para jogar no União São João-SP e no Cruzeiro antes de retornar ao Atlético para sua derradeira passagem, em 1994 e 1995.

Outro ídolo com relação quase transcedental com o alvinegro é Toninho Cerezo. O alvinegro catapultou o clássico volante para o sucesso nos anos 1980. Em 1983, ele iniciou caminhada vitoriosa na Europa, pela Roma. Jogou ainda na Sampdoria antes de voltar ao Brasil, para defender o São Paulo multicampeão com Telê Santana. Arranhou sua relação com a torcida do Galo quando acertou transferência para o Cruzeiro, em 1994, mas retornou às origens em 1996, depois de vestir a camisa do América. Foi naquele que considera seu clube do coração e que chama carinhosamente de “Glorioso” que pendurou as chuteiras, em 1997.

Mais recentemente, Marques, que criou uma relação tão forte com o clube que não só fez de Belo Horizonte sua morada definitiva como hoje é diretor de futebol da equipe. A sintonia foi quase imediata, em 1997, ao estrear. No início de 2003, depois de a diretoria atleticana na época decidir enxugar a folha salarial e reduzir os salários mais altos, transferiu-se para o Vasco. Em 2004, foi para o Nagoya Grampus, do Japão, e, na volta ao Brasil foi acolhido novamente pelos torcedores. Em 2006, recebeu nova proposta do futebol japonês, desta vez do Yokohama Marinos. Depois de dois anos, contudo, o Xodó da Massa estava mais uma vez entrando na Cidade do Galo. Em 2010, aposentou-se dos gramados.

Nem só de jogadores, no entanto, é escrita essa história. O atual treinador, Levir Culpi, é um dos casos mais emblemáticos dessa quase obsessão alvinegra com seus ídolos. Está em sua quinta passagem pelo Atlético, numa relação que teve o primeiro capítulo, pasmem, há 25 anos! Em 1994, quando foi contratado pela primeira vez, Levir ainda não tinha tanto reconhecimento em âmbito nacional. De lá para cá, acompanhou o Galo em momentos emblemáticos de sua história, como na volta à Primeira Divisão, com o título da Série B do Campeonato Brasileiro de 2006, e na conquista da Copa do Brasil de 2014 sobre o arquirrival, Cruzeiro, naquela campanha épica, que contou com viradas sobre ninguém menos que Flamengo e Corinthians. Pelo jeito, ainda há várias páginas a serem escritas nesse livro.


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