“Espaço reservado para o troféu do bicampeonato mundial”. Na sala de conquistas do surfista Gabriel Medina, no instituto que criou com seu nome em Maresias, no litoral paulista, a mensagem servia de motivação antes do embarque para o Havaí. E como uma profecia, o atleta brasileiro cumpriu à risca o que dizia o bilhete e garantiu o seu mais novo troféu no surfe.
Aos 24 anos, o brasileiro conquistou o bicampeonato mundial de surfe ontem, na disputa da etapa de Pipeline, no Havaí. Ele confirmou o favoritismo ao passar as suas baterias sempre com bom desempenho, enquanto seus adversários – o compatriota Filipe Toledo e o australiano Julian Wilson – não tiveram como pará-lo na última edição.
Medina precisava chegar à final em Pipeline para ser campeão. Nem teria de disputá-la. Passou na primeira fase diretamente para a terceira, deixando o australiano Connor O’Leary e o havaiano Benji Brand na repescagem. Na terceira, eliminatória, ganhou de um outro surfista local, Seth Moniz. Foi nessa prova que Filipe Toledo acabou sendo eliminado, perdendo para o lendário Kelly Slater e dando adeus à disputa do título.
Na quarta fase, Medina fez 16,90 pontos para avançar às quartas de final em bateria que tinha ainda o havaiano Sebastian Zietz e Michel Bourez, do Taiti. Depois, despachou o norte-americano Conner Coffin nas quartas, com impressionantes 19,43 pontos em 20 possíveis – o rival fez 14,26 pontos.
Na semifinal, o brasileiro teve um duelo equilibrado com o sul-africano Jordy Smith, que começou na frente, mas tomou a virada depois que Medina pegou um lindo tubo para backdoor, alcançando uma nota de 9,10 pontos. No fim, ele somou 16,27, contra 15,83 de Smith, e saiu do mar nos braços dos amigos em Pipeline.
É o segundo título do Circuito Mundial de Surfe do garoto de Maresias. Em 2014, ele se tornou o primeiro brasileiro a ser campeão mundial na modalidade. Agora, é o primeiro bicampeão e deixa o Brasil com três troféus – Adriano de Souza, o Mineirinho, ganhou o Mundial em 2015. O feito de Medina coroa o ótimo momento do surfe nacional.
Medina chegou ao Havaí na liderança e sabia que dependia apenas de si para conquistar o título. Com grandes tubos, manobra mais bem pontuada no Pipe Masters, levantou a torcida brasileira e sua família na areia em Pipeline.
TALENTO A façanha confirma o talento do jovem que desde cedo mostrou enorme talento e sempre foi precoce nas conquistas. Ainda na adolescência, o surfista festejava resultados. Aos 11, ganhou seu primeiro campeonato a nível nacional, a etapa Rip Curl Grom Search na categoria Sub-12, em Búzios. Com 15 anos foi o atleta mais novo a vencer uma etapa do Mundial de Surf (ASP). A partir daí, colecionou feitos sempre mostrando um estilo arrojado e moderno..