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Estado de Minas

Um caminhão desgovernado

A conta não chegou - a conta desabou sobre a nossa cabeça com o peso monumental de toda a incompetência e presunção daqueles que dirigem o clube


postado em 10/11/2018 05:06


Na atual circunstância do Brasil, só há uma pessoa em pior situação do que um comunista: um comunista atleticano. O homossexual consciente das coisas está receoso com o futuro. O homossexual atleticano consciente das coisas está em pânico com o presente e construindo um bunker no subsolo para abrigar-se no futuro. O negro periférico, o desempregado e o trabalhador pobre estão pagando pra ver. O negro periférico atleticano, o desempregado atleticano e o trabalhador pobre atleticano já negociaram as cuecas, venderam as mães e entregaram os dois olhos da cara, de forma que nem pagando mais verão qualquer coisa.

Não há ninguém em pior situação do que o atleticano. Petistas foram apanhados com a boca na botija, presos, golpeados, execrados, perseguidos, derrotados. Devem se sentir péssimos. Agora imagine a Dilma, que além disso é atleticana. Pimentel, que é cruzeirense, ainda pode entorpecer-se com o ópio do povo mesmo que o seu seja um orégano de qualidade inferior. Mas a Dilma não. Só lhe resta se trancar em casa, no muito sugestivo bairro onde reside em Porto Alegre, o Bairro Tristeza. Posso vê-la sozinha diante da televisão, às quartas e aos domingos, pelejando com o Galo no Premiere, aquela transmissão tosca pela qual pagam os viciados que já se encontram na fase do crack. Está de botas pretas, cinta liga de couro e chicote, pronta para mais uma sessão de autoflagelo. Coração valente.

Nos últimos cinco jogos, o Galo empatou um e perdeu quatro. Performance idêntica teve o Paraná, último colocado do campeonato, com 18 pontos e 19% de aproveitamento. Perdemos para a Chapecoense. Para o Ceará. O Atlético não vence um jogo desde setembro. Estacionou nos 46 pontos e tem o Santos no cangote com a mesma pontuação e com o Cuca no banco. O sexto lugar que ocupa é a prova de que nessa terra de cego quem tem um olho pode até alcançar a Libertadores.

O problema é que neste momento tudo custa ao Atlético o olho da cara, e parece que já entregamos o último que restava. A conta não chegou – a conta desabou sobre a nossa cabeça com o peso monumental de toda a incompetência e presunção daqueles que dirigem o clube como um caminhão desgovernado. Se a situação é ruim dentro de campo, fora dele é tenebrosa. Os salários estão atrasados, as dívidas explodiram, a receita caiu, não há uma venda de jogador capaz de aliviar o caixa. É um desastre completo, e não há qualquer perspectiva de melhora porque perspectivas de melhora carecem de um norte, um rumo, uma ideia e um plano para se chegar a algum lugar. Mas um caminhão desgovernado é um caminhão desgovernado, e salvo o acaso completo não chegará a lugar algum.

Na ocasião em que se fez a escolha por Thiago Larghi, eu disse aqui que seu sucesso seria um acaso total, porque obviamente não havia qualquer planejamento ou ideia quando se contratou Oswaldo de Oliveira nem quando se demitiu, e menos ainda quando Larghi foi ficando. E, de fato, com algum sucesso no período que antecedeu a Copa. Voltei a comentar: esse sucesso tinha méritos do próprio Larghi, que rapidamente remontara um time e dera-lhe algum padrão. Mas o mérito de quem botou Larghi no comando era só um: pura sorte. O problema é que abusaram dela, desmontando o time outra vez. Deu no que deu. O acaso sorriu para esse pessoal no início da temporada. Agora voltou a se apresentar como em geral se apresenta aos incompetentes: na forma de um burro n’água.

Para toda problemática, ensina Dadá, existe uma solucionática. A nossa seria passar o Diamond Mall inteiro nos cobres, destinando metade à construção do estádio e metade para honrar dívidas e juros. O modelo de gestão do Atlético, se é que existe, copia a austeridade de Temer/Bolsonaro. Cortam-se gastos e investimentos, vende-se o que for possível. Infelizmente não se tem notícia de um único lugar no mundo em que tal política tenha dado certo. Vender o shopping para pagar dívidas pode até soar uma boa ideia. Mas é bom ter em mente que o caminhão seguirá sob mesma direção. E quando dermos com o burro n’água outra vez não haverá mais shopping para vender nem patrimônio para garantir crédito. Tá fácil ou não tá a vida do atleticano?


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