Jornal Estado de Minas

POSTAGEM EM REDES

Internet acusa deputado Nikolas Ferreira de gordofobia

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) está sendo acusado de gordofobia nas redes sociais, por publicar, nesse sábado (4/1), a imagem da influenciadora Thais Carla fantasiada de Globeleza. Em seu Twitter, o parlamentar zombou a caracterização: “Tiraram a beleza e ficou só o Globo”.





Thais Carla aproveitou o clima de carnaval para levantar mais um debate sobre os padrões de beleza, em redes sociais. Logo o deputado, que recentemente recuperou sua conta na plataforma, comentou a postagem. A análise de Nikolas não foi bem vista na internet e sua atitude foi considerada gordofobia pelo publico.


Enquanto alguns afirmam que o deputado “saiu do personagem” com seu comentário, outros questionam se isso é função de um deputado. 

“O cara é deputado, recebe seu salário por conta dos nossos impostos e chega na internet para ofender os outros a troco de nada. Que loucura.”, afirma uma pessoa. 

Algumas pessoas na plataforma relatam que apesar de não concordar com Thais algumas vezes, o parlamentar mineiro ultrapassou os limites de um representante do povo que “ se diz homem de Deus”. Nem mesmo os apoiadores de Nikolas concordaram com sua atitude.




“Gosto muito de você e do trabalho que tem feito, mas esse post não foi nada legal”, disse um apoiador.


O PAPEL DE UM DEPUTADO

Entre as diversas críticas que Nikolas recebeu, várias pessoas apontaram que um parlamentar não deveria usar sua influência nas redes sociais para atacar os atributos físicos de outra pessoa.

Para a jornalista Jéssica Balbino, colunista do Estado de Minas e especialista em corpos dissidentes, o que Nikolas fez foi "espalhar ódio e mentiras contra a bailarina Thais Carla". Jéssica defende que o papel de um deputado eleito pelo povo é legislar, e não fiscalizar o corpo de uma mulher.



"Como brasileiros, deveríamos nos sentir ultrajados por ter um parlamentar cuja “preocupação” é oprimir uma mulher gorda, que está entre as classes mais oprimidas socialmente, mas que não se pronuncia sobre o genocídio cometido contra os Yanomami ou contra a fome que atinge mais de 33 milhões de brasileiros", argumenta.A jornalista explica que, no Brasil, "quase 9 pessoas gordas morrem diariamente, não por questões relacionadas à saúde, mas por gordofobia e negligência".

"É urgente que a gente se questione não se e saudável ou bonito o corpo de uma bailarina que posta uma foto nas suas redes sociais, mas qual é a função de um deputado pago com o nosso dinheiro?", comenta.