Brasília – O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), falou em "esperança" e declarou que "a hora é de pacificação" durante a sessão solene de ontem que empossou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República, e Geraldo Alckmin (PSB), como vice.
Para o parlamentar, “o Brasil ganha fôlego” e “se enche de expectativas próprias de quem foi agraciado com outra chance” com a eleição e posse de Lula. “Uma chance de fazer mais, de fazer melhor”, enfatizou Pacheco.
"A hora é de pacificação. Deixemos para o passado tudo o que nos separa, tudo o que nos divide. Olhemos para o futuro como uma nova oportunidade, um recomeço. Façamos diferente. Façamos mais. Façamos melhor. O futuro se desenha no presente. A hora de mudar o futuro de nossa nação é agora. Não percamos esta oportunidade", discursou o presidente do Senado.
Em sua fala, Pacheco relembrou a posse de Lula para seu primeiro mandato, em 1º de janeiro de 2003, como o 35º presidente do Brasil. O petista assumiu ontem o posto de 39º chefe do Executivo brasileiro. "Há um sentimento de renovada confiança, por estarmos diante de dois homens públicos experientes, capazes e habilidosos", disse o presidente do Congresso, falando de Lula e do vice-presidente. Ressaltou ainda que as gestões anteriores do presidente petista se destacaram pela inclusão social, pelo crescimento econômico, e pelo respeito às instituições. A escolha de Alckmin para vice, de acordo com o presidente do Congresso, “é um sinal claro de que o interesse do País está além e acima de questões partidárias” e de que é preciso unir forças pelo Brasil.
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Posse de Lula foi prestigiada por 73 delegações estrangeiras; veja detalhesPF derruba quatro drones na Esplanada dos Ministérios durante posse de LulaLula beija Janja, que comenta: 'Meu boy é demais'Pacheco afirmou ainda que talvez essas tenham sido as eleições mais importantes da história. "Nas eleições de 2022, a democracia brasileira foi testada e saiu-se vitoriosa. É possível que tenha sido o processo eleitoral mais importante de nossa história após a redemocratização. O tempo dirá", disse Pacheco. “As instituições foram capazes de garantir a vontade da soberania popular, que se manifestou por meio dos votos no processo eleitoral, e resultou na escolha majoritária da frente ampla defendida pela chapa vitoriosa", destacou.
O presidente do Congresso falou logo após o primeiro discurso de Lula como presidente da República. Pacheco citou a pandemia da COVID-19, a necessidade de uma agenda econômica que promova "equilíbrio entre política fiscal, monetária e social", medidas de combate às mudanças climáticas e investimentos em educação e infraestrutura, temas que deverão permear as relações entre o Executivo e o Legislativo nos próximos quatro anos. “O Congresso é, por excelência, o lugar onde a diversidade dos interesses pode buscar a convergência”, defendeu.
Segundo Pacheco, o Parlamento "está ávido" por ver o Brasil atingir o máximo de seu potencial e estará de prontidão para oferecer todo o arcabouço legislativo necessário para garantir segurança jurídica ao mesmo tempo em que viabilize o desenvolvimento nacional. O senador considerou que a eleição de Lula representa o anseio das políticas públicas reivindicadas pela população brasileiras – sobretudo as parcelas mais desfavorecidas – “e que tão fortemente distinguiram suas passagens anteriores pela Presidência da República”. “Tenho certeza que alguém que acumulou tantas dificuldades ao longo da vida saberá enfrentar os reais e urgentes problemas da nossa população”, reforçou.
Desafios
O novo governo chega com desafios complexos, como unificar um Brasil polarizado, garantir compromissos sociais e governar com responsabilidade fiscal, destacou Pacheco. Esses desafios, segundo ele, ficam maiores após a pandemia de COVID-19, quando a crise econômica foi uma realidade em todos os países. No Brasil, “voltamos a conviver com um inimigo antigo, a inflação, e também com seu remédio amargo, os juros altos. Empregos foram perdidos, empresas foram fechadas, e o brasileiro viu seu poder de compra minguar”.
E continuou: “O Brasil clama por mudanças estruturais. Os anseios sociais precisam ser concretizados. Unir o país em prol de um objetivo comum é imperativo e urgente. Reconciliar os brasileiros, desencorajar o revanchismo, coibir com rigor atos de violência, reestabelecer a verdade, fortalecer a liberdade de imprensa, honrar a Constituição Federal e venerar a democracia.
Os sinais de alerta nas questões climáticas e ambientais devem ser assumidos e enfrentados, de acordo com o presidente do Congresso. No caso do Brasil, ele destacou as alterações nos regimes das chuvas, e ao aumento de queimadas e do desmatamento ilegal. “Para além da recuperação da imagem do Brasil perante o mundo, reforçar o compromisso nacional com práticas sustentáveis é uma grande oportunidade rumo à economia verde (…). Com planejamento e boas práticas, podemos ser uma referência mundial em desenvolvimento sustentável e preservação ambiental”, ressaltou.
Pacheco defendeu também fortes investimentos em infraestrutura. Para ele, o Brasil poderia diminuir desigualdades sociais e ser competitivo ao desenvolver a industrialização, promover a interiorização e a integração nacional, investir em energia, saneamento, transporte logístico, habitação e telecomunicações. “O Brasil é um gigante que precisa estar integrado (…). Precisamos olhar para dentro do país e levar soluções.”
Em relação à reforma tributária, o parlamentar apontou a necessidade de avanço, que “junto com a elaboração do novo arcabouço fiscal, são pautas prioritárias do Congresso em 2023”. No diagnóstico dele, “temos um sistema de arrecadação que precisa ser desburocratizado e simplificado para permitir mais justiça social”.
Pacheco defendeu também a capacitação dos jovens e melhorias em todo o ambiente educacional com ensino, merenda, material escolar, esporte, cultura e artes, além de assistência médica, psicológica, psiquiátrica e social. “Para além do ensino teórico, a educação brasileira deve englobar conceitos como cidadania, diversidade, respeito, ética. Precisamos, enfim, investir em formar cidadãos”.
Parlamento
Pacheco fez ainda uma avaliação do último biênio, em que presidiu o Senado e o Congresso. Para ele, “o Poder Legislativo foi resiliente e vigilante. Agiu com moderação quando os ânimos estavam acirrados. Soube proporcionar um ambiente de equilíbrio para aprovar as medidas legislativas de interesse público”. Para o senador, a soma de esforços será capaz de colocar o país no caminho da justiça social e da igualdade de oportunidades. “Queremos cuidar dos corpos, das mentes e dos espíritos de todos os brasileiros e brasileiras. O projeto é ousado, mas temos um país riquíssimo e capaz de grandes feitos”. Ele encerrou o discurso assumindo um “compromisso imperturbável com a democracia e suas instituições”.
Pacheco foi eleito para comandar o Senado com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e passou o primeiro ano à frente do cargo se equilibrando entre petistas e bolsonaristas. O senador decidiu ficar neutro nas eleições, mas se aproximou de Lula durante a campanha e deve contar com a base do petista para derrotar o senador eleito Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pelo cargo.
Aliados do mineiro afirmam que ele foi decisivo para frear as investidas de Bolsonaro contra a democracia e apaziguar a relação entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado rejeitou, por exemplo, o pedido de impeachment apresentado por Bolsonaro contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do STF Alexandre de Moraes – o que irritou bolsonaristas. (Com agências)